Monday, April 18, 2011

Portrait of an Apology (revisited)

Photo: Credit to this blog.

Text: Credit to Dan's Blog.

Eu tinha um Jeep Grand Wagoneer de 1981. Ele tinha as laterais em madeira e carpetes em lã envelhecidos e bancos de vinil envelhecidos. Provavelmente, aquele será sempre o meu carro favorito. Uma bela tarde, os meus freios não funcionaram. Consegui entrar em um estacionamento e parar o carro.


Quando o mecânico deu uma olhada no meu Jeep, com uma lanterna bem forte ele o iluminou por baixo, ele me mostrou os vários lugares em que a estrutura estava prestes a se enferrujar completamente.


Uma parte do chassi já estava corroída e já estava chegando no sistema de freios, o que fez com que não funcionassem. Ele sorriu e me disse que faltou muito pouco para o Jeep se desfazer completamente, de cima a baixo. Eu estava com sorte aquele dia.


Infelizmente, ninguém havia me dito que eu estava em uma situação parecida em minha própria vida. Meu senso de valor próprio estava tão debilmente estiado no sempre corrosível critério da relevância musical. Então em Novembro de 1996, ele se corroeu completamente.


Acredito que eu não tinha noção do custo que isso teria. Não tenho certeza se teria feito algo diferente. Acho que eu não saberia como sobreviver aos dois primeiros anos da jornada musical do Jars of Clay de outra forma. Na maior parte do tempo, eu reagi. Toda oportunidade poderia deslanchar a nossa carreira, se disséssemos 'SIM' e toda oportunidade poderia destruir a nossa carreia, se disséssemos 'NÃO'.


Para um adolescente que não passou muito tempo tentando entender quem eu era, a vida de rock 'n roll era tóxica. Não no sentido que você deve estar pensando. Sem dúvidas, havia oportunidades para sexo e álcool e às vezes para drogas também, mas essas coisas não pareciam ser um problema para mim.


Desde o momento em que eu comecei a tocar melodias pops em um teclado Casio de 2-oitavas, à bateria, comecei a condicionar o meu valor ao meu desempenho escolar. “Desordem por Défice de Atenção” ainda não havia sido diagnosticada claramente como algo que devia ser tratado na infância, logo eu era frequentemente caracterizado como uma criança que não se concentrava. Eu era bastante inteligente, mas mal terminava o dever de casa. Eu não conseguia me concentrar, para salvar a minha vida, ou sequer o meu boletim.


Música era a única área em que me sobressaí. Logo, fiz uso dela, para entrar nos círculos sociais. Fiz amigos, por saber tocar as músicas mais legais no piano. Eu tinha namoradas, só porque eu sabia tocar “Honestly”, do Stryper e todas as músicas do Richard Marx e Axle F, além de “Somebody”, do Depeche Mode.


A ideia de que o talento musical não representava um barômetro saudável de auto valorização nunca me desafiou. Meu talento me levou às festas, garantiu empregos e me fez popular. Eu me lembro de quando eu andava pelos corredores da escola, como calouro e a “Miss Teen USA” me parou no corredor e disse que gostava da forma como eu tocava. Não houve qualquer argumento contrário àquela ideia. Por causa de meu talento, eu passei pelo segundo grau e entrei na faculdade, mas não parou por aí.


Após dois anos de turnê, mais de 300 shows por ano, voltei para Nashville e comecei a produzir um cd de uma nova banda chamada Plumb. Eu adquiri alguns maus hábitos na turnê, por exemplo dormir mal e só beber café e comer praticamente só biscoitos Oreos. Um dia, quando eu estava no estúdio, meu coração começou a acelerar. Comecei a ter ataques de pânico. Fui ao chão. Sem perceber, eu estava no meio de uma depressão tão severa, que eu me escondia em meu apartamento, contemplando a ideia de me suicidar. Eu tinha medo do telefone tocar. Eu estava em péssima forma. O processo de me arrastar daquela depressão foi o tema do cd Much Afraid. Eu estava escrevendo músicas e tentando vencer aquilo, de volta a algum tipo de sanidade ao mesmo tempo. O restante da banda não fazia ideia do que fazer comigo.


“Portrait of an Apology” era o clamor mais intenso do cd. Essa foi a música que descrevia meu medo muito bem e como me sentia, catando os cacos de uma pessoa arruinada, descobrindo que aqueles cacos não se encaixavam da forma como o todo era antes.


Foi nisso que percebi que uma pessoa não consegue simplesmente prosseguir após uma experiência como aquela. Eu estava diferente. Perdi a minha habilidade de falar lorotas e isso é essencial na indústria musical. Eu não tinha mais tempo para jogos.


Não havia mais nenhum dos construtos que antes haviam me valorizado. Fiz um balanço de tudo e não valia a pena me prender a nada. Aprendi a me separar da música. E por fim, encontrei um ponto de apoio no Evangelho, por compreender minha importância. (às vezes me esqueço disso)


Fiquei anos sem ouvir o “Much Afraid”. Tempo e distância são amigos de pessoas como eu que são obcecadas por sons de guitarras, texturas sônicas e efeitos de cordas bem posicionados. Eu precisei dar um tempo ao cd. Uma noite, um amigo me convidou para ir a sua casa e abriu uma garrafa de vinho e pegou o seu vinil do Much Afraid. Ele disse que era a hora de eu ouvir a bela obra-prima que havíamos gravado. Foi uma noite profunda. Aquele cd e a turnê que veio em seguida comportavam alguns de meus momentos favoritos de nossa carreira, mas sempre me lembro do desespero que eu sentia, quando ouço essa música em particular.


Se você já teve depressão, você deve ter ouvido seus ecos na letra dessa música. Talvez você tenha se conectado profundamente com os versos sobre um homem descrevendo como é olhar para uma nova pessoa no espelho. Uma pessoa que parece ferida, com cicatrizes de uma batalha. Você sabe como é encher seus pulmões de ar e ficar imaginando se você terá coragem de expressar a necessidade de alguém que te ajude a fugir de si mesmo, de sua mente.


É disso que a música fala. Eu poderia explicar verso por verso, mas acho que não seria necessário. Por mais dolorosa que tenha sido a origem dessa música, ela é uma das obras musicais e melodias mais lindas que o Jars of Clay gravou, em minha opinião.


Essa é uma música que me faz lembrar que Deus nos acompanha nos lugares mais obscuros de nosso coração e mente. O amor e a paz de Deus são verdadeiramente inexoráveis.


Às vezes cantamos versos que esperamos ser verdadeiros e que talvez, ao cantá-los, possamos nos convencer a aguentarmos firmes na fé que nos dá a capacidade de sobreviver, como se aqueles versos fossem verdadeiros... mesmo se não acreditarmos naquilo de fato. Às vezes falamos de questões ao léu, para manifestarmos algum tipo de coragem, ou luz, ou sinal de fogo. Ao ouvir as palavras saindo de nossas bocas, podemos imaginar os elos rompidos de uma corrente, se refazerem.


Você poderia ficar mais uns minutinhos e tentar imaginar isso?

...


Thursday, April 14, 2011

Whatever She Wants

Seguindo as postagens do Dan, em seu blog, aqui está mais uma explicação maravilhosa e de interesse de todos os amantes dessa banda.


"Algumas músicas do Jars of Clay nasceram da frustração, raiva, dor etc. Sempre pensei que a marca de um artista que pensa além do hit que vai para as rádios é que ele pode vociferar.


Essa música bem que poderia ter se chamado “I Don't Know What The Hell I Am Supposed To Do” (Não sei que diabos eu devo fazer). Ou talvez seria mais correto chamá-la de “OW Relationships are Complicated.” (Uau, relacionamentos são complicados).


Tenho a tendência de escrever letras que são tecidas em direção ao que é auto-biográfico e fora disso, rumo ao fantástico, sem me preocupar muito com as placas de sinalização, ou indicações de cruzamentos à frente. Eu simplesmente teço o que estou passando, o que vejo com aquilo que assumo ser o que o mundo em geral também está vendo. Às vezes descrevo com exatidão, mas na maioria das vezes é algo vago e apenas uma grande suposição.




“Whatever She Wants”, como letra, fede a tempos difíceis.


Sei que a vida de um músico que viaja muito é uma vida de extremos. Em um dia, eu estava abrindo um show da Sheryl Crow e no outro dia, para que eu me trocasse antes de um show, eu estava tapando o vidro de uma porta do quarto de uma enfermaria de uma igreja qualquer, que cheirava a lenços de bebê e queijo forte, de um prato de delicatessen jogado ao acaso dentro do que, naquele momento, havia recebido o novo propósito de um camarim.


Além disso, é o extremo de tocar em grandes shows e viver uma vida terrivelmente livre das responsabilidades do dia-a-dia, cheia de interações desconcertantes, com pessoas que pensam que eu sou alguém muito especial e depois voltar para casa, para pessoas que pensam que sou alguém muito especial, por razões completamente diferentes.


Os extremos de uma vida imatura de rock 'n roll ralo e contemplado e a transição de volta a um mundo de relacionamentos significativos e responsabilidades como marido, pai, filho, vizinho, membro de uma comunidade etc, extremos que podem causar complicados deslizes emocionais e relacionais. Portanto, é aí que entra o artista em cheque, com a família em cheque.


Já vi disfunções de muitas ordens e foi com muito esforço que eu quis descrever questões como essas em uma música. Não porque as disfunções me decepcionavam (eu as perpetuei), mas principalmente porque eu precisava me expressar um pouco, do tipo de expressão que acontece no meio de um problema, que parece insolúvel. Eu não conseguia entender quem eu deveria ser, então eu descontava nas pessoas ao meu redor. Isso trazia uma distinção que eu PRECISO fazer.


Algumas de minhas letras são honestas e não reais. Elas são claramente a imagem do que eu estava sentindo no momento em que eu as escrevi, mas a letra não é real. Ela pode ser honestamente descritiva da forma como o mundo estava para mim, no entanto não são fatuais, de forma que a metáfora não funciona fora daquele momento em que a letra foi escrita, semelhantemente à maioria dos monólogos internos.


Quando a letra finalmente chega aos nossos próprios ouvidos, ouvimos como fomos tolos e quando outras pessoas ouvem a letra, eles confirmam que as fitas que estão tocando em nossas mentes, precisam ser desembaraçadas.


Portanto, em meio a minha imaturidade, precisando ser defensivo e justificado em um mundo que construí ao meu redor, nasceu uma música sobre dependência e sobre a pergunta, “O que mais eu devo oferecer?”.


“Whatever she wants” fala sobre a manipulação das lágrimas e uso suspeito de gentileza. Fala sobre expectativas e aspirações serem totalmente mal desempenhadas e sobre tornar as pessoas em vilões, para que o verdadeiro vilão não seja descoberto. Cortinas de fumaça.


Quanto ao aspecto musical, essa música tem um dos melhores solos de guitarra que o Stephen Mason já gravou na vida. Ela foi uma das músicas mais fortes do Jars of Clay e foi certamente influenciada pela música daquela época. Artistas como Semisonic, Filter, Vertical Horizon e Tonic. Ela está em um cd que levou um ano inteiro para ser concluído, o que é tempo demais em um estúdio, gravando um cd."

Wednesday, April 13, 2011

Love Song for a Savior


Texto postado no Blog do Dan, sobre Love Song for a Savior:


Esta foi a segunda música que escrevemos como uma banda. Ela foi escrita no sótão de nosso dormitório no campus do Greenville College. Stephen Mason tinha acabado de se mudar para o nosso andar, fugindo do quarto para onde foi sequestrado, como parte do processo de alocação por perfis.


A escola costumava colocar pessoas juntas, de acordo com as respostas a uma série de perguntas que faziam. Seu colega tinha um bastão de baseball, adornado com fragmentos pontiagudos de vidro, colados no bastão e ele ficava escondido no armário.


Nunca entendi quais foram suas respostas. Quando cheguei em Greenville pela primeira vez, fui alocado em um hall lotado de jogadores de baseball e futebol. Eu gostava dos caras de meu andar, mas era óbvio que o sistema de perfis não era perfeito.


O “Subsolo" onde morávamos tinha mais a ver com nós músicos. Eu me mudei durante meu segundo semestre do primeiro ano. Chamei o Steve para ficar com a gente, depois que vi o bastão no armário.


Steve trouxe o “The Bliss Album” para nosso andar. Instantaneamente, me tornei um fã de PM Dawn. Ouvi uma música que haviam gravado, usando um gancho da música “True”, do Spandau Ballet. Gostei da re- interpretação, mas não investiguei muito mais sobre sua música.


Eu queria escrever algo que usasse figuras poéticas da forma como eles usaram. Eu queria escrever uma música que falasse à inocência da vida, sobre acreditar em algo com profunda paixão, de todo o coração.


Como havíamos acabado de escrever e gravar uma música que apelidei de “The Cynics Anthem” (Hino dos Céticos), também conhecida como “Fade to Grey”, era hora de escrever algo que estava na outra extremidade do prisma.


Junto com PM Dawn, eu ouvia o cd de Sinead O’Conner’s “I Do Not Want What I Have Not Got”. Era um cd fantástico. Havia duas canções em especial.: “The Last Day of Our Acquaintance” e “I Am Stretched Out On Your Grave”, que eu costumava repetir por vezes.


Há sinais de ambas as músicas na versão antiga de Love Song. O verso


“She thanks her Jesus for the daisies and the roses... In NO simple language”


fora originalmente escrito assim “In simple language”, mas eu precisava de uma sílaba a mais. Ninguém pareceu se importar com o acréscimo, mas sem dúvida fez com que a frase tivesse um novo significado.


Todos levamos fitas com a música ainda inacabada para casa, para o feriado de Thanksgiving, ainda incertos quanto à simplicidade da letra e quanto ao refrão repetitivo.


Essa foi a primeira música que tocamos no campus, como a banda Jars of Clay.


Não sei porque eu escolhi usar uma garotinha na música. Acho que ela representava inocência, algo ainda não maculado por complexidade. Ela representava o momento em que encontramos a fé, antes de ser de fato testada.


Margaridas e rosas eram imagens contrapostas. Margaridas são o tipo de flor que uma pessoa pode se abaixar e colher em abundância. Elas crescem com facilidade, têm menos perfume e representam zero risco de ter espinhos, como as rodas têm.


Rosas são um tipo mais frágil de flor, são mais afetadas por aquilo que está ao seu redor e por causa de sua vulnerabilidade, elas também contêm defesas. Espinhos têm perfume e são perigosos. As rosas representam um amor mais profundo. A garotinha interpreta ambas as flores como iguais. Ela ainda não viveu uma vida que a permitiria entender a diferença. Além disso, há algo profundo em uma garotinha que consegue ver a vida fácil e corriqueira e a vida abundante e não segura e que consegue agradecer a Deus por ambas, em um só fôlego.


Em partes, essa é uma música sobre crescer. Essa imagem de inocência precisará ser violada pelo mundo. O pecado vai invadir essa história. Um dia ela vai precisar entender o desenrolar da história. Ela precisará se confrontar com os efeitos da Queda e terá que lutar contra as paredes que vai erigir e melancolias que ela jamais conseguirá totalmente expressar.


Essa música fala sobre a espera. Naquele momento ela pareceu ser mais honesta que qualquer outro refrão adorativo que havíamos ouvido. Escrevemos sobre a ideia de "querermos" nos apaixonar, em vez de escrevermos que estávamos apaixonados. Nossos corações não vão pertencer totalmente a Deus nesta vida. Constantemente vamos nos prostituir com outros amantes (esse é um pensamento usado em outra música).


O que desejamos é amar. Mesmo quando a vida revelar dor, confusão e complexidade, ainda assim quero amar. Mesmo quando estivermos feridos pela religião e desiludidos pela religiosidade e natureza humana, mesmo assim, desejo amar.


E a esperança de que essa espera um dia acabará é a esperança que nos permite cantar genuinamente uma música assim.

Tuesday, April 05, 2011

Hanson no Well:Done Celebration


Update: Hanson added to Well:Done Celebration


Quer melhor convidado para este evento, do que uma banda que ajudou na conclusão do Projeto 1,000 Wells?

Hanson, com seu projeto Take the Walk, foi responsável pelo alcance de parte das cisternas d'água conquistadas para as comunidades da África, que não dispunham de água limpa, para suas necessidades básicas.

Jars of Clay vai celebrar a conclusão do primeiro grande desafio lançado pela Blood:Water Mission, com o Derek Webb e a Sandra McCracken, entre outros e Hanson acaba de confirmar sua presença.

Quem acompanha as duas bandas conhece o dilema em que vivem as bandas, pois quando o Hanson aparece em Nashville, o Jars está longe, quando o Jars aparece em Tulsa, o Hanson está longe ...


Que bom que finalmente as duas bandas estarão juntas, será que vão cantar "Silent Ride"?