Monday, May 18, 2009

Tulsa, OK -Hanson.net Members Event

Tulsa, OK
16 de Maio
Hanson.net Members Event


Resolvi escrever esse review de forma concisa, pois tentar registrar toda a experiencia tremenda de encontrar pessoas tao importantes em minha vida, nada mais representa que perder tempo. Eu nao conseguiria escrever tudo, por mais que eu tentasse, sempre seria um review injusto.

Por mais imparcial que eu tente ser, tambem seria em vao, logo esse review contem minha percepcao pessoal, como fan genuino do trabalho de 3 artistas fantasticos, Isaac, Taylor e Zach Hanson.

Eu estava decidido a nao ir ao evento, pois nao sabia como seria minha situacao na semana em que ele seria realizado, portanto nao havia feito minha reserva. Estava conformado em nao ir. Semana passada senti que deveria tentar de novo, enviei um e-mail e minutos depois recebi a resposta confirmando minha presenca.

Apenas na vespera da data comecei a sentir uma ansiedade desesperadora, eu estava confiante que os veria tao proximo quanto eu gostaria, durante a caminhada e que seria um show impecavel e aquilo comecou a me deixar muito empolgado, apesar de ter que dirigir 7h seguidas. Preparei tudo que eu precisava e fui dormir. Acordei 3h depois e sai de casa, muitos cds do Hanson no som,
Jars of Clay e Katie Herzig, para me fazerem companhia na estrada.

Tudo saiu perfeitamente bem na estrada, apesar da chuva. Cheguei em Tulsa as 11h da manha, horario exato agendado para a caminhada e aquela cidade que era quase ficticia em minha adolescencia, passou a fazer todo o sentido para mim. Eu ja estava super atrasado, mesmo sabendo que nao havia comecado ainda a caminhada. Cheguei no local marcado e encontrei-me com 7 brasileiras vindas de lugares diferentes dos EUA, mas a interacao entre nos foi super positiva e marcante. As pessoas ao redor sentiam a emocao que o grupo transmitia e alguns se aproximavam para conversar conosco. Depois de alguns momentos de espera, o carro da banda parou ao lado do estabelecimento e eles sairam, um a um, momento em que o lugar ficou mais agitado. Havia uma feirinha local proxima acontecendo, alem do May Fest a algumas quadras dali. A euforia tomou contas dos fans, criancas de colo, criancas, adolescentes, adultos, idosos. Homens e mulheres comuns, unidos pelo amor por uma banda, por uma causa simples, inspirada pela paixao de tres pessoas que nao precisam fazer o que fazem, mas nao medem esforcos para promoverem uma consciencia individual, quanto a necessidade de nos unirmos e compartilharmos um pouco do que temos, nossas forcas, nosso tempo, nosso senso de comunidade, pois eles trabalham duro e fazem questao de envolver seus fans. Toda a familia Hanson se envolve.


Taylor tomou a frente, dessa vez sem mega-fone, deu as instrucoes sobre a caminhada, novamente explicando o coracao do projeto Take the Walk. Muito convicto e experiente, nao se intimidava com a resposta do publico que sempre bradava a cada vez que ele falava algo. Para os que abracam a causa, era uma emocao especial saber que a primeira "volta ao mundo" havia sido completada e que ja estavamos efetivamente no inicio da segunda volta. Isso nao sao apenas numeros, sao resultados reais, de esforcos pessoais, impactando pessoas que antes nao tinham qualquer perspectiva de vida. Foi especialmente importante saber que metade das caminhadas nessa primeira volta ao mundo, foi realizada sem a presenca da banda, por pessoas comuns como nos, que ouvimos e levamos a serio o "Take Action" da banda.



A caminhada em si acontece naturalmente, eles determinam o trajeto e saem destemidos, enquanto os fans brigam por um momento perto deles, para tirarem uma foto, fazerem perguntas, ou apenas iniciarem uma conversa randomica, pelo simples fato de ser algo especial. Eles encaram com naturalidade, motivam as pessoas a se aterem ao objetivo de caminharem, de forma a cumprir o horario estabelecido. Para alguns a caminhada se torna uma corrida, pois o desejo de estar com os 3 ao mesmo tempo exige que voce oscile de um para outro, visto que eles ocupam lugares diferentes no cordao de pessoas. Percebi que todos sao muito concorridos, mas o perfil de fans varia de irmao para irmao. Taylor o tempo todo caminha e responde na intencao de manter os fans em volta informados daquilo que ele tem experimentado. Zac mantem seu jeito descontraido e recebe os presentes, conversa com fans, tira fotos, assina cds, papeis, camisas, o clima em torno dele fica super amigavel. Ike se preocupa em registrar a caminhada com sua camera e manter as pessoas caminhando, sorri, tira fotos e informa. Todos se esforcam para nao deixar romper a linha entre serem celebridades e parte de um momento de mudanca e impacto na vida de outras pessoas, caminhando descalcos a mesma milha de outras centenas de pessoas comuns.




A populacao externa observava e comentava "Sao os Hanson", pessoas em seus carros paravam curiosas e esperavam a multidao passar, com respeito. Nao ha impecilhos, nao ha ruas intransitaveis, seja transito, seja feira, jardins, construcoes, nada fazia parar a caminhada. Eles caminham praticamente cercados de fans. Ha poucos segurancas e os que estao presentes, tambem tem aparencia de pessoas comuns. Finalmente, todos querem aproveitar aqueles minutos perto deles. Eu conheco a sinceridade e motivacao dentro de mim com relacao as caminhadas, mas como fan, ela assume um carater de todo especial, pois voce os percebe ali, inteiros naquele objetivo e, como Juca, contemplar aquelas pessoas em um contexto fora da alienacao que uma relacao fan-artista pode alcancar, aquele momento nao pode ser descrito. A cada passo, voce se lembra de algo especial em sua vida, que eles fizeram parte e tudo se resume hoje, nessa relacao harmonica, de caminhar rumo a um so objetivo e saber que tudo que voce mais amou neles, durante esses 12 anos, torna-se ainda maior, mais excelente.





Ja no finalzinho da caminhada, aproveitei que o Ike estava filmando e me aproximei e perguntei sobre “Either Side”, gravada por ele com Sandra McCracke (esposa do Derek Webb) e Dan Haseltine (vocal do Jars of Clay) do Fool's Banquet de 2006 e ele pensou por um momento e disse que sabia de qual musica eu estava falando, perguntei se eles lancariam essa musica futuramente em algum projeto, pois ela e muito especial para mim. Nesse momento ele foi incisivo com relacao ao prejuizo que as pessoas causam a banda, quando acessam materias deles que nao deveriam ser acessados e compartilham com o mundo, menosprezando o valor que cada musica tem para quem as criou. Ele respondeu que a banda nao se sente feliz com isso e que provavelmente eles nao vao lanca-la mais, uma vez que as musicas foram roubadas de seus artistas e indiscriminadamente compartilhadas. Comentei que o Dan disse que talvez ela seria gravada pelo Jars of Clay, nesse momento ele apenas lamentou novamente que o que aconteceu, nao deveria ter acontecido. Agradeci a atencao e ele continuou o assunto com uma fan que estava proximo. Segui adiante.





De volta ao ponto de partida, Taylor ja estava pronto para falar novamente, Zac estava tirando fotos com um grupo pequeno de fans, fiquei proximo e tirei algumas fotos. Instantaneamente ele saiu de la e se juntou a mesa onde eles estavam registrando as pessoas que caminharam. Taylor informou que o nenezinho de colo que estava na caminhada tambem contava, portanto a mae deveria registra-lo. Ike disse que a reconheceu de outra caminhada, quando ela ainda estava gravida. Ele ressaltou como era gratificante para eles a presenca de todos, como o projeto se tornou auto-suficiente com a ajuda dos fans e pessoas envolvidas, hosts de alguma caminhada, seja envolvidas em organizacoes diversas, outros projetos sociais, igrejas, fans de outras bandas etc e que eles tinham produtos a venda, que eram diretamente ligados ao Take the Walk.
(video)



Infelizmente, eles tiveram que ir embora, deixando somente a saudade e a expectativa para o show no Tulsa Little Theatre naquela tarde e a ultima sessao a noite. Minha sessao era a ultima, entao teria bastante tempo para comer e comentar sobre a caminhada. O grupo de brasileiras que encontrei foi: Bela e uma amiga, Rose, Carol, Lilian, Priscila, Aline e Luiza. Bela e sua amiga nao ficaram com a gente. Eu estava dirigindo, entao dei carona a turma ate o teatro, Carol e eu paramos para comer uma pizza e nos organizar sobre o hotel. Uma vez resolvidos, voltamos ao teatro e havia uma organizacao nao oficial da fila, o que nao nos preocupou, nem atrapalhou. Eles entregaram os kits, mas eu nao peguei o meu ainda. Apos isso, Aline, eu e Priscila fomos a antiga casa deles, em um local remoto da cidade, onde o fan club funcionou por um tempo. Tiramos foto e voltamos ao teatro, bem a tempo de entrar.

Dentro do teatro, os fans estavam bem intensos e a casa ficou cheia. Recebemos as instrucoes sobre como deveriamos nos comportar durante as musicas. A banda estava gravando o evento, para lancarem um EP com os audios dos shows. Portanto nao poderia haver nenhuma resposta do publico, durante as musicas, apenas entre elas. Os 3 estavam nitidamente bem humorados, faziam piadas entre uma musica e outra durante varios minutos, dizendo que e daquela maneira que eles funcionam quando estao em estudio, tocam, erram, param, comentam, tocam de novo … varias vezes. O set foi especial, contendo faixas novas, algumas cujos nomes nao foram citados, faixas antigas de cds do fan club e outros classicos.

Sobre o novo cd, disseram que o processo esta evoluindo bastante, trabalham em uma musica, criam um esboco do que ela podera ser, pensam se aquilo soa legal, se acostumam, ensaiam, mantem algumas coisas, mudam outras e que as versoes que tocariam, eram demos de como as musicas estao ganhando forma ate entao. Zac comentou sobre esse cd ser um trabalho pop. Nao ha uma tematica especial, assim como ele nao entendia que os demais cds tinham alguma tematica especial, por mais que o The Walk esteja permeado com a ideia do projeto social. Eles apenas criam musicas e elas se conectam de alguma forma e aquele resultado integral e o que eles querem comunicar com as musicas.

Antes de listar as musicas, devo dizer que observei que a aparelhagem deles era bem simples, havia um piano com acabamento antigo, um Wurlitzer, a bateria, um cajon, pandeirolas, ganza, 2 violoes e um baixo. Havia pecas soltas da bateria, um bumbo com o nome "Albertane Tour" era o objeto mais desconexo no palco, foi engracado.

Nem se eu quisesse, eu me lembraria de todas as piadinhas que eles faziam, entao nao vou me preocupar com elas aqui, mas geraram boas risadas o tempo todo. Nao tinhamos nada em maos, pois a producao pegou todas as bolsas, maquinas e carteiras das pessoas. Taylor vestia uma calca Jeans justa, dobrada ate o inicio da canela, camisa de malha branca por dentro da calca, com suspensorio vermelho, barba e um Tom's preto. Zac estava com a mesma roupa da caminhada: tenis preto, calca justa preta, cinto marrom, camisa preta com estampa de uma sinalizacao de transito horizontal, escrita "Turn Left", cabelo amarrado, barba feita. Ike estava com uma camisa cinza para fora da calca, gravata, calca jeans reta, sneakers, cabelo com gel. Ok, vamos as musicas, Eu me esforcei ao maximo para me lembrar de tudo que aconteceu, vou tentar, na ordem foram:

1) Carry you there // Comentaram que foi uma das musicas escritas no Fool's desse ano e que eles tocaram a musica no Tin Pan Fest. Taylor tocou piano, Ike violao, Zac tocou o cajon, FANTASTICO! Eu nao gostava da musica, mas passei a amar! Maravilhosa! Muitas pessoas estavam chorando ja nessa primeira.

2) These Walls // Mantiveram a formacao, Ike ainda estava tocando violao. Zac usou o ganza. O clima nao mudou tanto de "Carry you there" para "These Walls".

3) Kiss me when you come home // Tambem disseram que era uma musica que estao trabalhando e que pode entrar para o cd. A expectativa de ouvir musicas novas, confundia com a vontade de ouvir musicas que eu ja conhecia e gostava muito. No meio da tensao toda, ficava dificil memorizar versos da musica. Zac e Ike cantam trechos. Zac tocou bateria, Taylor usou teclado, Ike nao estava tocando nenhum instrumento de cordas, se nao me engano, foi nessa faixa, o que me fez pensar se era intencionalmente, ou se e era porque ele ainda nao havia composto as cordas para a musica.

4) Make it through the day // Ike faz lead nessa musica. A emocao que ele coloca nela destruiu meu conceito de que nada que ele cantasse conseguiria ser melhor que “Being me”. “Make it through the day” conseguiu ir alem. A melodia e bem mais lenta e Ike usa o baixo apenas. Para quem ouve musicas cristas e conhece Matt Redman e
Delirious, essa musica tem um sentimento Delirious old-school, carregando uma urgencia emocional, uma confissao muito honesta. O instrumental parece fluir marcado pela respiracao e oscilacao dos versos, que culminam em um refrao que nao se repetia muito. Ike cantou quase que o tempo todo de olhos fechados e muito concentrado, dava para ver quando os olhos ficavam entreabertos e virados, levado por um "quasi-transe".

5) Use me up // Posicoes trocadas, Zac agora estava no Wurlitzer, Taylor na bateria e, claro, piadinhas sobre ele nao ser tao bom na bateria surgiram a partir desse momento. Ele foi bem, a marcacao da bateria era super simples. O teclado era bastante sombrio, parecia simples demais tambem, para faixas com Taylor no teclado, mas esse foi o momento do Zac, ele alcancava notas que eu nao tinha visto ele alcancar tao bem, a expressao no rosto dele nao era de conforto, mas tanto faz, o resultado estava perfeito e havia muita emocao e presenca na musica.

6) Musical Ride // Taylor agora nao tocou a bateria, mas tocou o meia-lua e o ganza ao mesmo tempo. Zac continuou no teclado. Melodia pop que vai colar facil se for lancada, potencial para radios.

7) Make it out alive // A letra me fez pensar que talvez ela seria batizada "A matter of time". Balada romantica, com potencial para o novo cd tambem.

8) Waiting For This // Super upbeat e a banda pede o publico para repetir as frases "Shout it out/ You can't deny it", junto com eles. Super funciona ao vivo, logo tambem parece ser uma boa escolha para um novo cd pop e fresh.

9) Never let go // Taylor anunciou que cantariam faixas de cds exclusivos da H.net a partir desse momento. Ele tocou o comecinho de “Never ...“, para dar um gostinho e isso me fez perceber uma conexao do piano de Never let go, no inicio, com a mesma base de "A song to sing". Pianistas que lerem o review, me ajudem aqui se eu estiver errado. Eu amo “Never let go” pelo que ela representou para mim na epoca em que ouviamos aquela demo incompleta. Quando recebi o kit e ouvi a musica inteira, foi um deleite ouvir o final. O amor doador que vejo ser comunicado nessa musica transcende o amor humano efemero e me conecta com o amor "Agape" de Cristo, que esta acima do amor "fileo" de pais para com seus filhos, entre irmaos e amigos. Taylor terminou a musica com louvor, tocava como se ninguem estivesse o vendo, explorando texturas em sua voz, que nao estao no cd.

10) Letters in the mailbox // Seguindo o momento de solos, Zac levantou o clima do teatro nessa musica. Quase no final, Taylor entrou no palco, sentou-se na beirada e comecou a conduzir o publico com os bracos de um lado para o outro e sugerindo que todos cantassem, ficou um coral suave, agradavel, que adornou a voz do Zac. Se essa musica sair no EP, vai ficar muito linda! Taylor fez gestuais bem estranhos, como "dedo do meio" e "banana" com o braco.

11) I am // Zac continuou no teclado. Ike estava tendo dificuldade para afinar o violao para essa musica. Ele tentou e nao estava conseguindo se lembrar das notas. Entao Zac tocou no piano o incio, todos vibraram. Ike deu a entender que havia se lembrado e estava pronto, Zac fez um comeco majestoso, no piano e no vocal. Ike continuava com uma expressao de inseguranca e antes de terminar a primeira estrofe, ele interrompeu o Zac, dizendo que nao ia acompanhar nessa musica, Zac o olhou com repreensao. Ike tornou ensaiar um pouco e pareceu estar certo. Recomecaram e ele foi pegando, da segunda estrofe em diante e tudo saiu perfeito. Acho que foi em “I am”, que mais uma vez o piano me lembrou da base de outra musica, “This time around”. Mais uma vez, pianistas ...

12) Down // Ike nao estava se lembrando em qual kit “Down” estava e o publico ajudou. Ele disse que era a idade. Taylor voltou ao teclado, que estava tendo um problema no cabo, ele zoou o som que estava saindo. Ike inventou de tentar ajudar, o assistente de palco trocou o cabo e deu certo. Taylor agradeceu.

13) Take our Chances // Mais uma do kit de 2007, parece ter sido uma boa escolha, pois todo mundo se sentiu presenteado com a musica. Nessa musica, Taylor disse que nao precisavamos mais ficar calados e quietos, entao todo mundo aproveitou ao maximo. Batemos palmas e cantamos juntos, a vontade era de levantar, pular e dancar. Zac colocou toda a energia dele nessa musica e em “Down”.


Houve uma sessao de respostas das perguntas enviadas online, responderam aproximadamente 6 perguntas, acerca de temas dos cds, como ja disse, eles nao pensam em um tema e constroem o cd em cima dele, tensao com gravadoras, dominacao por empresarios que nao entendem nada de musica, falaram sobre serem artistas e valorizarem o que fazem e o que outros artistas fazem, projetos, cena musical, o que mudariam na cena musical se pudessem, dificuldades no inicio da carreira, no momento de transicao de uma estado totalmente independente, para colaboracoes com outros compositores e o dominio de uma gravadora, assumindo que o que herdaram, parte se deu por eles, como banda, terem assinado o contrato, mas nao tiveram problemas com os profissionais que colaboraram com eles, apenas com a gravadora. Ao responderem uma das perguntas, sobre o que achavam que estariam fazendo hoje, se nao tivessem deixado a Island, eles foram corajosos e disseram de forma bem humorada, que talvez estariam trabalhando em “Underneath” ate hoje, ou que toda a tensao os levaria a um suicidio coletivo e que isso seria um choque nos jornais.

Eles agradeceram e ficaram super lisongeados quando todos se levantaram e aplaudiram de pe. Avisaram que voltariam para tirar fotos com todos.

Assim que voltaram, chamaram a fila em que eu estava, fomos ate a frente e no empurra pra la e pra ca, acabei ficando do lado do Zac. Eu nao tinha uma preferencia, mas fiquei feliz por ter ficado perto dele na foto. Bateram a foto e acenei para ele, dizendo tchau, tomado por um sentimento de despedida. Ele abriu um super sorriso e estendeu a mao para mim, dei a mao a ele e ele sacudiu com muito entusiasmo. Disse obrigado e adeus.

Saimos do teatro, Carol e eu, resolvemos esperar do lado de fora e somente vimos sairem o Taylor e o Zac, cada qual em um carro. Voltei ao hotel e no dia seguinte estava em casa de volta, preenchido pela costumeira nostalgia que me acomanha ha 12 anos, por estar tao fortemente ligado ao que a musica do Hanson causou em mim, durante esses anos.


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Saturday, May 02, 2009

Tinted Windows
Chicago, IL
30 de Abril 2009









Chicago, com sua complexidade e arte, inspira show do Tinted Windows e nao podia ser em melhor local do que no coracao da cidade e n'um clube, onde grandes e interessantes nomes na historia da musica independente e universal tocaram nos ultimos 15 anos, entre eles The Rolling Stones, Macy Grey, Sonic Youth, The Killers, Maroon 5, Michelle Branch, Bad Religion etc, alem de bandas referencia para o Tinted Windows, como The Buzzcocks e as bandas originais de tres dos membros: Cheap Trick, Fountains of Wayne e Smashing Pumpkins. Foi nesse cenario de alternatividade e historia de musica que a banda esgotou os ingressos do Double Door, cuja capacidade maxima e de apenas 550 pessoas.




James Iha, ex-Smashing Pumpkin, o recatado rockeiro Adam Schlesinger do Fountains of Wayne, multi-capas de revistas adolescentes do final dos anos 90, R&B Taylor, Hanson e o old-school na area, desde os bons tempos do power-pop, Bun E. Carlos, do Cheap Trick formam o novo time a reavivar as gravatas estreitas, calcas apertadas e os “tra-la-las” da musica. Semelhante ao Cheap Trick, outras bandas e musicos nesse mercado vieram de galerias e subdivisoes em Illinois, logo ter convidado o Bun foi conveniente. Mesmo depois de mudar para New York em 2001, Iha manteve um lugar para si em Chicago, pois confessa que sente falta da pizza.



Varios marcadores sao atribuidos deliberadamente as bandas e seus estilos musicais e com o power-pop nao tinha que ser diferente. Qualquer som que seja amplificado, mesmo que de longe e que seja cantavel, parece ser candidato ao power-pop. Nos anos 60, The Who foi chamado de power-pop, mas o termo so ganhou sua identidade de rock & roll nos anos 70.



Nessa epoca, grupos britanicos passaram a tocar heavy metal ou glam rock, mas os Americanos nunca se recuperaram da invasao britanica e muitos grupos definiram o som como “melodias grudentas e solos memoraveis”.



Power-pop propositalmente se caracteriza por musicas sem grande profundidade ideologica ou filosofica e convida pessoas que se interessam por hits das radio e que querem curtir esse som numa sexta-feira a noite, sem se preocupar com o termino do fim de semana. “Tem sido algo divertido, nada serio ou dramatico, nao pensamos muito em nada disso” diz a banda.



Tinted Windows atende a todos os pre-requisitos de um grupo de bom gosto nota A, com intensidade em suas habilidades, alem de serem 'legais e pops', essa e uma formula que eles tem competencia para executar. Com refroes que colam na mente, Iha adiciona potencia, criando camadas com os vocais soprano do Taylor. Eles admitem que ao se ler sobre a dupla 'Iha e Taylor', parece ser algo improvavel.



“Sou conhecido por causa do Pumpkins e A Perfect Circle, que sao bem mais pesadas.” diz Iha.



No entando se tirar os vocais das faixas no cd, quase nada mudou no som do Iha. Quanto ao Taylor, ainda o menino androgino na mente de pessoas neutras ou que nunca tiveram interesse em investigar sua banda original (mas condenam injustamente), seus vocais soam ainda inocentes.


O nome da banda nao tem nada fantastico por tras dele, e apenas algo carregado de humor. O nome original seria "Big Guys", tambem consideraram "Winter Shutters", mas escolheram "Tinted Windows".
A ideia surgiu como uma brincadeira quando comecaram a trabalhar na banda e acabou ficando, algo intencionalmente zoado, como se fosse o nome de alguma banda cover bem ruim ou algo parecido.

Lamentavel para quem esta gostando do trabalho, mesmo contendo sinceridade e som agradavel, bandas assim tendem a desaparecer, por varias razoes.


Kind of a Girl”, primeiro single, foi um disparo docil feito pela Tinted Windows. Nessa formula, eles acrescentam garotas e adolescentes aos titulos e letras das musicas, que demonstram ser quem mais povoam musicas do estilo, porem esse genero liberal tem apenas a intencao de se criar um apelo universal, em vez de grandes revelacoes.



“Musicalmente, o show ao vivo e bem projetado. Ao vivo, somos uma banda de 5 caras (quinto: guitarrista Josh Lattanzi). Todas as musicas podem ser muito bem tocadas ao vivo. Os arranjos sao simples no cd. Sem duvida, temos totais condicoes de tocar todas as musicas do cd”, diz Schlesinger.



Aproveitando o gancho nessa citacao do Adam e confirmando o que ele informou, o set list do primeiro show da banda em Chicago foi: (eles retornarao ao clube dia 20 de Junho)



- Take me back
- Can't get a read on you
- Without love
- Dead Serious
- Messing with my head
- New Cassette
- Back with you
- Cha cha
- We got something
- The Dirt
- Kind of a girl
- Doncha Wanna



Encore:
- Nothing to me
- I don't mind (cover)



Antes da Tinted Windows, uma banda de abertura tocou (nao sei o nome). O som foi bom, aqueceu, mas era divagante na proposta e para a ocasiao. Eram simpaticos e bem humorados, agradeceram o Tinted Windows pela oportunidade.



Quando TW entrou, aconteceu o esperado, brados de loucura… todos a postos e “Take me back” foi a primeira musica do show. Taylor estava em seu melhor visual Tinted Windows, usava camisa discreta quadriculada, gravata skinny e calca justa pretas e sapatos pretos. Parecia estar confortavel sobre o publico que via.



A maior frustracao para quem queria guardar lembrancas dos momentos do show, foi nao poder usar maquinas fotograficas, mesmo assim, com pouco tempo de show, varias pessoas revelaram ter usado o truque de trazer baterias extra.



Na sequencia, as excelentes “Can't get a read on you” e “Without love” mostraram um Taylor bem mais intimo das notas e serviram de aquecimento para o que eu penso ser o melhor momento do show: “Dead Serious”, melodia reminiscente de musicas cantadas por Taylor, em sua banda original. Varias pessoas cantavam junto, havia menos expressoes de loucura pelo rostinho bonito da banda.



Ate entao (e posteriormente), em todas as faixas, Taylor tocou o “tambourine” (que dava pra ouvir), exceto nessa musica.



Mantendo o setlist com uma das melhores do cd, o segundo single tambem caracterizou um momento agitado, “Messing with my head” levantou o publico novamente.



New Cassette” foi introduzida pelo Taylor, com uma piadinha sobre o novo “cassette” deles ter sido lancado na semana passada. Infelizmente ela nao esta no cd americano, pois e uma das melhores da banda. Ainda bem humorado, Taylor comenta sobre o calor que estava fazendo la dentro, principalmente no palco, pequeno e tomado por luzes. O clima do show caiu de novo, com “Back with you”.



Proxima musica, “Cha Cha”, Iha troca de guitarra e a nostalgia intensifica, aumentei minha intensidade tambem. “We got something” e “The Dirt” (tambem nao esta no cd, Taylor tocou um “ganza”), fizeram bons fillers, mas nada demais. Entre uma musica e outra, Adam comentou sobre o Taylor gostar demais de pizza em Chicago, portanto havia comido muitos pedacos antes do show, ao ponto de lhe o zoarem dizendo: “E o show?” Muitas risadas nessa hora.



Mais um momento alto do show, Taylor fez outra piadinha, introduzindo “Kind of Girl”, dizendo que iam tocar uma musica nova e perguntou se estavamos nos divertindo. Velha a piada, mas o publico curtiu o som e cantou com a banda.



Doncha Wanna” fechou o show e a banda saiu pela lateral do palco. Como eu ja imaginava e ja estava anotando no celular, eles voltaram para um encore de 2 musicas. “Nothing to me” e o cover do The Buzzcocks, “I don't mind”. Pena que a saida do som estava horrivel, tornando o microfone insuportavel. A banda retornou ao backstage e nao voltou, nem deu autografos.



Detesto admitir que o publico, ainda que misturado, era notavelmente de fans do Hanson em sua maioria. A banda nao levou cds para vender, tinham apenas camisas e bottons.



Percebi uma banda cuja tecnica, capacidade e qualidade sao incontestaveis. Sao bem organizados, seguem o setlist a risca. Essa metrica, porem, parece tornar a banda formal e fria, nao permitindo que os fans se relacionem com ela durante o show, o que cria um pseudo-dialogo publico-banda, muito menos depois do show.





A agenda da banda ainda nao esta muito ocupada, mas a banda ja encara a realidade de uma turne de fato, que devera ser encaixada com a agenda do Cheap Trick. Os Hanson anunciaram que a turne antes prevista para o verao americano nao acontecera mais, portanto vao se dedicar apenas ao processo de gravacao e producao de seu novo album.

Thursday, April 16, 2009

Show: Katie Herzig, 15 de Abril de 2009

Show: Katie Herzig
Data: 15 de Abril de 2009
Onde: Off Broadway, Saint Louis, MO







A primeira vez que eu ouvi falar sobre Katie Herzig, foi quando o Jars of Clay informou que uma amiga deles estava gravando uma faixa para o novo cd da banda "Long Fall Back To Earth", que sera lancado dia 21 de Abril de 2009. Quando escrevi sobre o processo de gravacao e finalizacao do cd, mencionei o nome dela como convidada especial nesse novo projeto do Jars.




Depois disso se eu havia ouvido um pouco sobre o trabalho dela, eu ja nao tinha mais nenhuma lembranca, no entanto, certa noite eu estava conversando com a Jenny e o Zee simultaneamente, pelo MSN, quando comecamos a falar sobre ela e que ela estava nesse novo trabalho do Jars. A Jenny nos enviou o link do NoiseTrade.com, de onde voce pode baixar um pacotinho de algumas cancoes de cada um dos 3 cds, legalmente. Basta recomendar a musica a 5 amigos, ou pagar o valor que desejar. Eu comprei por 5$ e valeu a pena. Naquela mesma noite, nos 3 estavamos muito empolgados com a Katie e a Jenny pediu para ouvirmos "Jenny Lynn", para tirarmos a letra dela. Fizemos isso, quando estavamos quase acabando, Zee descobriu que as letras da Katie estavam por todo lado na internet. Foi divertido de qualquer forma e a gente estava indo bem. Bom. Foi assim que a loucura comecou.



Fiquei ouvindo aquela selecao de cancoes e 2 faixas que eu ainda nao tinha, que o Zee me enviou. A expectativa era ouvir as musicas "Headphones" e "Don't Stop", que identifiquei no material para a imprensa do Jars of Clay, como sendo as 2 faixas do cd do Jars que tem o brilho da voz da Katie, casada com a voz do Dan. O Jars disponibilizou a faixa "Headphones" no dia 03 de Abril e "Don't Stop", no dia 10 de Abril, no MySpace. O resultado ficou maravilhoso.



Proximo passo seria ir ao show da Katie. Fiquei sabendo no inicio de Marco, que a Katie estava agendada, com a turne "10 out of Tenn", para o dia 5 de Abril. Entrei em contato com ela pelo Myspace e disse que iria ao show, ela respondeu agradecendo e disse que eu poderia autografar os cds no dia. Fui ao local comprar o ingresso, mas antes havia me inscrito em um concurso para ganhar 1 par de ingressos e um poster autografado dela, no show. Ao se inscrever, voce teria que doar 5$, para ajudar as bandas da turne a cobrir os gastos com o "Tour Bus".



Infelizmente, o show de Saint Louis foi cancelado, pois o clima na estrada estava super desfavoravel. As bandas voltaram para Nashville e a turne acabou. Escrevi para a Katie mais uma vez, expessando minha tristeza por nao poder mais ir ao show dela e ela respondeu de novo, dizendo que tocaria dia 15 de Abril, no Off Broadway. OBA! \o/ Fiquei empolgado de novo e precisava comprar o ingresso, mas nao animei ir ao local so para comprar o ingresso. Deixei para comprar no dia.



No caminho para o Off Broadway tive alguns problema de percurso, mas cheguei. Cedo! Tao cedo que ela estava ensaiando, ouvi aquela voz linda e entrei no bar. Procurei por ela, disfarcando o medo de nao a reconhecer, mas la estava ela, arrumando sua aparelhagem. Aproveitei que ela ficou sozinha e me aproximei. Resumindo a conversa, eu me apresentei e ela se lembrou das mensagens pelo MySpace. Ela perguntou sobre como eu ouvi falar do trabalho, contei essa historia acima. Disse que sou do Brasil e que meu amigos Jenny e Zee tambem a amam demais e que nos tres somos super fans. Dei os parabens pelas musicas com o Jars e ela perguntou se o cd ja havia sido lancado, eu disse que nao, que somente na semana no dia 21 de Abril. Perguntei a ela sobre os cds e disse que eu queria comprar alguns e que gostaria de ter seu autografo e de tirar uma foto com ela. Ela respondeu que eu poderia fazer isso apos o show, pois na hora ela nao estava vestida para o show ainda. Combinado! Ela agradeceu o carinho e teve que ir se preparar.



Aproveitei para pegar os dois posteres dela que estavam pendurados na casa. Garanti meu lugar em uma das mesas coladas no palco, super VIP [cachorro*]. A espera de 1h pelo show foi de coagular o sangue! Eu nao tinha nocao de quem era a banda, mas o palco estava repleto de instrumentos de corda, banjos, violoes, cello, guitarras, alem de uma acordeao e 2 outros que eu nem sei o nome, em um deles, a Katie batia o pe, enquanto tocava o violao, ou o acordeao, o outro se parece com um violao, de apenas uma corda, mas ele e fininho como um cabo de vassoura. As 3 subiram no palco, Katie, Jordan a sua direita e Claire a sua esquerda, todas as tres sao muito lindas, conversam e sorriem sempre, a Claire sorri o tempo todo e parece mais timida, a Jordan sempre falando algo com a Katie, concentradissima nos instrumentos. Bom, vamos ao setlist:




Songbird
Primeira musica do show, a beleza e simplicidade dessa musica afirmam que arte e humildade, tanto em palco, como pessoalmente, tem tudo a ver e super se completam. Ja foi o bastante para sair do show preenchido!



I Want To Belong To You
Esta musica elevou o show para um momento de muita atencao na banda, as pessoas que ainda estavam se movimentando, estavam todos parados e ouvindo atentamente ao som da banda.








Forevermore
Antes de cantar, ela explicou sobre o cancelamento do show com a "Turne 10 out of Tenn". Ela disse que a cancao e uma cancao infantil e Jordan tocou com um bandolim, Katie tocou o violao e Claire o cello. Essa musica esta em um video de um dos ultimos shows da turne. Bem animadinha e elas fazem sons com a boca.



How the west was won
Esse momento foi muito lindo, Jordan estava com um acordeao e "How the west …" comeca com as 3 assoviando, era perceptivel que a Claire queria rir. A forma como ela toca o cello deixa qualquer um encantado com o talento.



Jenny Lynn
Mais cedo, quando conversei com a Katie e contei a ela sobre mim, Jenny e Zee, tambem perguntei a ela se ela iria tocar “Jenny Lynn”. Ela disse que fazia tempo que nao tocavam, mas que poderiam tocar sim, talvez. Antes de tocar, ela disse que era uma musica do ultimo cd, mas que iria toca-la, atendendo ao meu pedido. O nome “Jenny Lynn” e o nome da irma dela. Desculpe-me Jenny por nao te ligar na hora, voce ja sabe. No final do show agradeci, disse que amei e ela disse que as meninas amam tocar essa musica.







Take it back
Ela perguntou se alguem queria pedir uma musica, a menina da mesa ao lado disse que queria essa, que e do primeiro cd “Watch them fall”. A Katie fez uma cara de que nao ficou muito confortavel e zoou, perguntando se a menina realmente amava demais a musica, ela disse que sim. Katie a advertiu que iria tentar, mas que sempre se esquece da letra e que canta so ate a metade. E realmente, cantou so ate a metade e repetiu o refrao. A menina super agradeceu.



Hologram
Quando ela anunciou essa musica, o pessoal saiu do coma em que estavam com Take it back e animaram. Hologram e bastante upbeat. Muito lindo ouvir os arranjos de cello da Claire em cima da guitarra da Jordan.



Two hearts are better than one
Quem ja assistiu a propaganda “The Magnet: Frito-Lay, Made For Each Other”, ja ouviu essa faixa muito gracinha demais. Ela avisou que era apenas uma musica para se divertir. Katie toca o banjo nessa e Claire toca o violaozinho de uma corda. Ao final da musica, elas assoviam tambem e a Claire estava super rindo e disse que nao consegue assoviar e sorrir ao mesmo tempo. Muito linda ela.



Wish you well
Antes dessa musica, ela explicou que tinha cds e camisas para vender, uma mailing list e caso alguem se interessasse, eles estavam aceitando doacoes para uma campanha que levanta fundos para criacao de cisternas d'agua na Africa. "Wish you well" e uma das mais melancolicas do cd, sobre a partida de alguem, logo a sensacao de saudades nela esta muito clara.



Sweeter than this
Mais uma musica antiga e nessa a Jordan tocou o acordeao novamente. Era a ultima musica do show, o que me deixava empolgado, pois poderia conversar mais com a Katie e comprar os cds.


Finalmente fui a mesa, ela ja estava pronta para vender os cdzinhos. Esperei 2 mocas comprarem e fui logo atras, peguei os 3 que eu queria e pedi uma camisa do “Apple Tree”. Como eu disse, parabenizei por tudo, ela assinou os meus 3 cds com as dedicatorias e meus 2 posteres e tirou a foto comigo.





Dei tchau a ela e desejei boa viagem. Claire e Jordan assinaram os meus cds e ficaram super felizes quando eu disse que sou do Brasil e contei sobre como conheci a banda.



Thursday, February 05, 2009

"Love Came Down Tour, a Christmas Pageant"



Merillville, IN

Love Came Down Tour, a Christmas Pageant

14 de Dezembro 2008


Desde o primeiro show do Jars of Clay em Outubro de 2008, um sentimento de que eu já havia feito o que eu mais queria em minha vida me preenchia, mas eu sabia que aquele era apenas o primeiro e que eu precisava vê-los novamente, especialmente por ainda desejar ir a um show completo, em que eles eram a banda principal do evento.


As datas da Turnê Love Came Down foram publicadas poucos dias após o show de Kansas city e imediatamente, ainda que cheio de dúvidas, procurei saber onde seria o mais próximo de minha cidade. Merillville, IN estava apenas a 6h de viagem e eu teria bastante tempo para me preparar. O dia 14 de Dezembro estava próximo de meu retorno para o Brasil, então imaginei que seria perfeito para fechar o primeiro período nos EUA.


Todos estavam felizes com meu sucesso no primeiro show e, ainda bem, me apoiaram para tentar um próximo show. Incentivado, planejei tudo: viagem, ingressos, estadia, gastos. O tempo passou rápido, mas cada dia que passava parecia uma injeção de emoção, pois todos os meus amigos fãs do Jars estavam muito felizes por eu ter ido ao show anterior e com a novidade de que eu atenderia à turnê de Natal.


Em Novembro a banda também estava agendada para tocar em Nashville, TN, no Americana Folk Fest. Eu estava tão empolgado por poder decidir ir a um show e ter condições intelectuais para fazer isso sozinho, que quase fui ao show de Nashville, em vez de ir ao show de Natal, mas algo foi decisivo para que eu mantivesse a minha decisão de ir a Merillville: Sixpence None The Richer.


Fã insano da banda SNTR também, eu não poderia trocar um show completo do Jars of Clay com eles, por uma apresentação menor em Nashville, em um festival de Folk, onde muitas outras bandas dividiriam o tempo com o Jars. Convicto e ainda mais empolgado, todos os meus amigos já sabiam de minha nova aventura e também me encorajaram muito, não apenas fãs do Jars, mas agora fãs do Sixpence também. Vários de nós tentávamos imaginar como seria o momento em que eu conseguiria conversar com eles (Jars/ 6p), perguntas, dúvidas, pedidos, fotos, vídeos, autógrafos etc. A espera foi quase tão emocionante como o grande dia, que finalmente havia chegado.


Conforme planejado, agendei viagem e hotel e já tinha o ingresso em mãos. Deixei minha casa bem cedo no Sábado e, como da primeira vez, caminhei até a estação, peguei o metrô e desci na estação de onde eu partiria para Chicago. O clima já estava bem frio, portanto eu estava levando alguns casacos. Em minha mochila eu tinha, entre outros objetos importantes, cds e livro do Jars of Clay e cds do Sixpence, meus e de meus amigos, para quem eu havia prometido conseguir autógrafos. Tomei o trem para Chicago, que percebi que é uma cidade belíssima, mesmo tendo visto pouco, apenas em volta da Union Station.



Em Chicago estava muito frio, havia nevado há poucos dias e estava chovendo naquele Sábado, portanto fiquei dentro da estação a maior parte do tempo, esperando pelo meu trem que me levaria a uma cidade próxima a Merillville, chamada Dyer. Desde que saí de casa, eu contava a todas as pessoas que conversavam comigo, que eu estava indo ao show de 2 de minhas bandas favoritas e, muito empolgado, acabava empolgando a quem me ouvia também.


Cheguei a Dyer bem tarde e, como era de se esperar, a estação era deserta, não havia pessoas, nem carros nas ruas e estava chovendo para piorar. Fui a um restaurante e pedi à garçonete que chamasse um táxi para mim. Esperei uns 40 minutos e o táxi chegou e fui para o hotel, próximo ao Star Plaza Theatre, estrategicamente, pois no dia seguinte, eu queria chegar bem cedo ao teatro. Já instalado, planejei novamente o dia seguinte em minha cabeça e peguei no sono. Acordei cedinho e coloquei tudo que eu queria levar na mochila, mas não estava agasalhado o bastante. Em Merillville havia um restinho de neve ainda no chão, logo o clima estava bem frio. Do hotel ao teatro, eu tive que caminhar apenas 200m, assim que cheguei à rodovia entre o hotel e o teatro, avistei o letreiro que dizia, HOJE A NOITE, LOVE CAME DOWN... e já corri loucamente, atravessando a rodovia e me assentei em frente ao letreiro para tirar fotos. O letreiro informava o show do Jars of Clay, Sixpence, Leeland e Sara Groves. Meu coração já não cabia em mim.



Era apenas 10h da manhã e depois de dar algumas voltas em torno do teatro, onde mais ninguém estava, comecei a usar um pouco da razão e decidi ir a uma lanchonete, para fazer um lanche, pois eu ficaria ali o dia inteiro, no frio, caminhando e passando por momentos de muita emoção. Da lanchonete liguei para minha mãe e conversamos por 1h. Minha amiga das Filipinas me ligou e disse que estava a caminho de Merillville, pois ela ia ser voluntária na mesa do Blood:Water Mission e tinha que chegar mais cedo. Combinamos de almoçar juntos quando ela chegasse. Depois de lanchar e esperar muito em volta do teatro, sem sucesso de ver as bandas por lá, apenas os ônibus, decidi voltar ao hotel e pegar mais um casaco. Chegando lá, a Tabz me ligou, dizendo que havia chegado e estava me esperando no restaurante TJ Maloney's do Hotel Radisson, ao lado do teatro. Pela segunda vez, comi bastante ali e foi muito legal conhecer a Tabz pessoalmente, falamos muito sobre a banda. Eu falava bem mais, pois estava muito empolgado, aquele era talvez o 10º show do Jars que a Tabz estava indo. Ela havia comprado o ingresso dela antes de mim, portanto tinha um assento melhor, primeira fila, na área VIP, o meu era quarta fila da área VIP, coluna do meio, bem em frente ao palco. Visto que ela iria ajudar na mesa do BWM, ela me deu o ingresso dela, pois voluntários podem se assentar onde quiserem e podem conversar com a banda no final (snif). Fiquei muito feliz por ter conseguido um lugar melhor ainda, que também era na coluna do meio.


Ela voltou para o hotel e eu continuei em volta do teatro, a tarde inteira, mas não vi ninguém, apenas, acredito, o pessoal do Leeland e ajudantes das outras bandas, que entrava em saiam dos ônibus. O Aaron também apareceu. Eventualmente, eu entrava na bilheteria para me aquecer, pois o frio estava de matar, estava muito abaixo de 0ºC e eu já nem sentia meus pés. Os voluntários chegaram e tiveram acesso ao teatro. O staff do BWM e dos merchandisings das 4 bandas já estavam montando as mesas. Visto que o show começaria às 7h, os portões se abriram às 6h. Entrei com alguns fãs que conheci do lado de fora. As pessoas começaram a chegar organizadas, aos poucos.


Fiquei louco quando comecei a ver os produtos na mesa, comprei alguns cds, pen-drive, um song-book, pôsteres e dvd do Jars, camisa do SNTR, fotos da turnê etc. Conversei com o staff do BWM, que amou a camisa que eu estava usando e ficou feliz com a notícia da caminhada/ encontro de fãs em Brasília, para ajudar o projeto, junto com o Take the Walk do Hanson. Prometeram me dar alguns materiais para usarmos no encontro, ao final do show. Imediatamente me informei sobre a programação, primeiro o Leeland tocaria, depois Sixpence e depois a Sara e após os 3 shows, as bandas dariam autógrafos na recepção. Localizei meu assento, que era ao lado de uma das fãs que conheci antes de abrirem os portões.


Anunciaram o começo do show e todos já estavam em palco, com as luzes apagadas. Já era possível ver todos nitidamente. A primeira música foi cantada pelas 4 bandas juntas, “Angels we have heard on High”, do cd “The Dawn of Grace” do 6p. Já foi o bastante para tirar o fôlego, vendo o 6p ao lado do Jars e de outras duas bandas, que apesar de não conhecer muito, já eram muito interessantes. Havia muita harmonia entre eles e a música preencheu o Star Plaza. Todos se retiraram, exceto o Leeland. Eles não tinham um cd de natal lançado ainda, portanto tiveram que usar o repertório normal da banda, com exceção da primeira música que cantaram, que foi “The First Noel”. Gosto muito da melodia dessa música e na voz de Leeland, ficou excêntrica, com instrumental mais vivo, mais enérgico. Eu não conhecia bem a banda, ouvi algumas faixas dias antes do show e, como não era se duvidar, era uma boa banda, com músicos novos de muito talento e principalmente, muito carisma e muita humildade. Não anotei o repertório deles, principalmente por não saber o nome das músicas, mas me lembro que cantaram “Opposite Way” e “Count me In”. A cada faixa Leeland ou seu irmão, Jack, falava algo relacionado à letra da música, o que super valorizou o tempo que eles tiveram ali. Aplausos para o Leeland, eles me marcaram com a atitude deles naquela noite.


O grande momento estava por vir. Leeland se despediu e o 6p estava se preparando. Apenas Matt Slocum e Leigh Nash em palco, para cantarem a primeira faixa, “O come o come Emanuel”, linda e exótica, para dar o clima natalino necessário, porém muito elegante com a performance da banda. Matt nunca falava, tônico nos instrumentos, porém átono no comportamento, deixando por conta da Leigh, naturalíssima e bem humorada, o contato com o público. Steve e Charlie entraram no palco, para acompanharem a dupla (eles nasceram um pro outro). Steve estava com uma espécie de guitarra que se toca na horizontal, usando algum objeto e Charlie estava no piano. Os quatro emocionaram com “River” e na seqüência tocaram “The Last Christmas”, escrita pelo Matt, sobre seu primeiro filho. Depois disso, a Leigh brincou e disse que o clima ficaria mais animado com a próxima música, pois até então todos estavam bem silenciosos e atentos às faixas tocadas. Apenas Matt e Leigh ficaram em palco, para cantarem “Christmas for two”, que foi o melhor momento do show para mim (literalmente para mim). Primeiro porque todos adoraram a letra e riam com cada frase e gracinhas que a Leigh fazia. Segundo por eu ter ficado completamente apaixonado pelos dois ali juntos e assim que ela terminou de cantar o refrão, eu já não me segurava mais, no meio da segunda estrofe, todos calados, eu gritei para a banda “I looooooooove you” e no mesmo segundo, a Leigh começou a rir, engasgar, tossir, errar a letra e o Matt ria da situação e todos voltaram para o lugar onde eu estava e apontavam dedos e riam, quando a Leigh conseguiu retomar a letra perdida e todos aplaudiram o momento de interação e eles encerraram o show. Fiquei com muita vergonha por ter atrapalhado a música. Tirei muitas fotos durante as músicas.



Finalmente veio a Sara Groves e fez um show fenomenal, íntimo e maduro. Houve um momento em que ela descontraiu mais e cantou uma faixa original super divertida de seu cd “O Holy Night”, chamada “Toy Packaging”, sobre o que não dar de presente, no Natal. Foi lindo quando ela cantou ao piano, a faixa “To be with you”, uma de suas canções originais, sufocante! Houve um momento muito especial, em que seus filhos Kirby e Toby entraram e cantaram com ela. Seu marido, além de gerente, toca como um dos instrumentistas da banda, logo, estava tudo em família.


Antes do final da última música, saí correndo para fora do teatro, pois sabia que eles iriam lá, para a sessão de autógrafos. Esperei por 5 minutos e de repente, Leigh Nash estava passando do meu lado, na direção da mesa de autógrafos. Eu não conseguia acessar qualquer reação previsível, só tinha forças pra me manter atento e não apagar na hora. Tentei preparar a câmera para tirar fotos, mas dava tudo errado, a Leigh percebeu que eu estava focalizando nela e sorriu. Eu estava todo desengonçado e uma funcionária começou a gritar “Ele é super fã seu, foi ele que gritou lá dentro e ficou esperando do lado de fora desde cedo, no frio, congelando etc”.



Ela sorriu de novo (na verdade ela nem parava de sorrir) e chegou perto de mim, me agradeceu e eu nem sabia o que dizer, só que eu tinha cds para ela autografar e que eu precisava contar a ela sobre nosso encontro de fãs. Ela me levou para mais perto da mesa, quando eu disse “Eu sou do Brasil” e ela brincou “Sério? Eu sou do Texas”, eu morri de amor na hora. Pedi desculpas por ter atrapalhado o show e ela perguntou: “Por quê? Não tem problema, eu amo quando acontecem essas coisas, sempre acontece, muito obrigada”. Ela perguntou se eu queria uma foto e eu passei a câmera para a menina que disse que eu era fã, mas as duas primeiras tentativas deram errado e a Leigh conferia e dizia “Não tem problema, vamos tentar outra, até ficar boa”.



Nesse momento eu percebi que a fila já estava grande e a Leigh e eu estávamos atrasando o processo dos autógrafos. A ficha caiu e fomos pra mesa, após ter conseguido a foto. Ela agradeceu várias vezes e eu disse que mais tarde contaria a ela sobre o encontro. Tirei da mochila o “Dawn of Grace” da Jenny e da Júnia e o “Fauxliage” do Renato, pedi a ela para autografar e mostrei o nome dos três. Ela conferia os nomes, lia com sotaque e assinava. Tirei meus cds e pedi a ela para assinar também, disse meu nome e ela assinou os cds e minha camisa por último. As pessoas ficaram irritadas com a demora e perguntaram se eu iria pegar autógrafos dos outros artistas em todos aqueles cds e eu disse que era apenas da Leigh Nash. Agradeci muito e continuei. Matt não saiu para dar autógrafos.


Cumprimentei a Sara e pedi a ela para me dar um autógrafo, elogiei o show, mas eu não tinha muito o que comentar com ela. Os caras do Leeland estavam olhando para mim com uma cara de felicidade tão grande, eu nem sabia o que dizer, comecei a descer uma cachoeira de frases sobre eles terem muitos fãs brasileiros e sobre a urgência de eles fazerem uma turnê no Brasil. Peguei autógrafos de todos, tirei fotos, comentei do show e fui muito, muito bem recebido por eles. São fantásticos e mega simpáticos! Sai da mesa até tonto, com os cds na mão, arrumando tudo euforicamente, para não perder nada.



Enquanto as demais pessoas passavam pela mesa, eu ficava ali, besta, admirando a Leigh Nash e tirando fotos e conversando com algumas pessoas que vieram me fazer perguntas sobre mim, sobre o Brasil etc. Eu não conseguia sair de perto da mesa, só voltei pra dentro do teatro quando ouvi que uma música familiar estava tocando lá dentro, “God rest ye merry gentlemen”, saí como um foguete descendo a rampa do teatro e tomando o meu lugar lá na frente. Era o Jars of Clay tocando e o Matt Slocum no Cello, perfeita combinação. O tempo todo havia vídeos entre uma faixa e outra, sobre pessoas ligadas ao BWM, sobre os lugares atendidos, sobre a necessidade do apoio das comunidades nos EUA, para levar o projeto e esperança adiante, por aquelas pessoas. Os temas giravam em torno de usarmos as bênçãos que recebemos de Deus e as estendermos às pessoas necessitadas. A segunda música foi “Wonderful Christmas Time” e eles brincaram com o público, desejando feliz natal às pessoas de Indiana e de Illinois, criando duas torcidas que vibravam quando ele chamava seu respectivo estado. Na hora a moça que estava do meu lado me disse “E o pessoal do Brasil?”, então pensei em berrar, mas era tarde, eles estavam prontos pra cantar “Hybernation Day”.

Imediatamente liguei a função vídeo da câmera, quando o Dan convidou a Leigh para entrar e cantar com ele os vocais que originalmente são de Christine Dente. A fórmula ficou super legal, pois a Christine faz vocais aveludados e sexys e a Leigh, quase que de propósito, parece uma menininha cantando. Para completar o clima de colaborações, Matt tocou cello novamente para o Jars, na música “O Little Town of Bethlehem”. Mais um vídeo foi rodado no telão, enquanto Dan se preparava no piano. Este foi um momento sem preço, Dan tocando piano e cantando “Winter Skin”, enquanto Matt Slocum oferecia seu toque mágico de violão cello, único. Todos voltaram ao palco, tomaram suas posições e o clima ficou sério, Dan começou a falar sobre escolhas e como muitas músicas o marcaram, mas que eles cantariam a música mais importante da vida deles. A seriedade foi quebrada no primeiro verso de “Christmas, Please Don't Be Late”, porém sua voz estava alterada, parecida com a voz dos Chipmunks. O público insano dava gargalhadas de morrer. Esses momentos de loucura dos shows do Jars são impagáveis!


Muito descontraído, Dan apresentou uma canção que para ele tem um sentido bem particular, dessa vez ele estava falando sério. “Christmas for Cowboys”, do John Denver, segundo ele, é uma canção da qual ele nunca se esqueceu e que está entre suas preferidas há muitos anos, mesmo não sendo exatamente o tipo de música que ele mais ouve (country). Foi um presente para os fãs, este é um dos covers que o Jars fez, que eu mais amo. Como não poderia deixar de ser, Sixpence voltou ao palco, a convite do Dan, para cantar um dos grandes clássicos de natal de todos os tempos. “Silent Night”, do cd “The Dawn of Grace” do Sixpence, era uma das mais esperadas da noite, visto que o Dan contribuiu com letras originais para a canção gravada para esse cd. Leigh e Dan cantam simultaneamente letras completamente diferentes, Leigh com a letra clássica, Dan com sua adição contemporânea, mas que encontram sua conexão nas vozes que são sempre muito íntimas e esse encontro perfeito dos dois já é familiar para os fãs. Para quem conhece e ouviu repetidas vezes a faixa no cd, a impressão ao vivo é que eles se perdem um pouco, mas bem sutilmente.


Como se já não bastasse esse dueto perfeito, Sara volta ao palco para cantar “It came upon a midnight clear”, uma das faixas de seu cd de natal, que também é um clássico, porém com uma melodia nova, fresca, linda. Dan apresentou Sara como uma de suas artistas preferidas deste tempo, com talento para fazer músicas que marcam e não são do tipo vazio e descartável que hoje é muito comum. Segundo Dan, eles fazem pelo menos um cover da Sara nos finais de semana, em sua congregação. Na sequência, todos se retiraram, apenas o Dan retornou com um saco vermelho e com uma mensagem delicada sobre dar um pouco daquilo que você tem, a quem necessita, apoiando o Blood:Water Mission, que para ele, era a principal razão daquele show e daquela turnê. Nesse mesmo contexto, ele comentou sobre paz em nossos dias e a próxima música não poderia ser outra, senão “Peace is here”, também original da banda.


“Drummer Boy”, clássica do catálogo de canções natalinas e muito popular e querida entre fãs do Jars, já anunciava o final do show e contou com a presença do percussionista do Leeland, Mike Smith. Esse também foi um dos pontos altos do show, quando Dan comove não só no vocal, mas com sua colaboração nos tambores também. Fim do show, houve uma pausa para outro vídeo do Blood:Water Mission, antes de um encore muito digno que, depois de toda a agitação de “Drummer Boy”, foi o momento certo para acalmar o clima no palco.



Matt retornou para tocar seu violão cello e Sara introduziu “I've heard the bells on Christmas Day”. Pouco a pouco, os músicos das outras bandas começaram a tomar seu lugar no palco, quando todos, com menos acompanhamento instrumental, cantaram juntos “O come let us adore him”, em um momento de liberdade e adoração. Eles anunciaram o final daquela noite de comunhão entre as bandas, descontração, risos e emoções, agradeceram e saíram de palco.



Eu levantei e em vez de sair do teatro, fui para a frente do palco, para observar o que iria acontecer, pois eu não tinha certeza se a banda sairia para dar autógrafos. Todos estavam conversando numa sala ao lado do palco, aproveitei para pegar o set-list que o Dan usou. Pedi ao segurança os demais papéis que estavam lá, mas ele se recusou a me dar. Sem problemas, continuei esperando, quando disseram que todos deveriam sair, enrolei e vi que o Dan estava saindo da sala, subi para a última fila de cadeiras e eles já estavam vindo em minha direção. Eu não sabia se eu esperava, ou se corria para fora. Sai ao mesmo tempo que eles, porém por uma porta ao lado da que eles saíram, o que me colocou bem atrás deles, mas me adiantei e o Dan passou, depois o Steve. Eu não estava com pressa mais, chamei o Matt, ele não ouviu, então Charlie passou e eu o chamei. Ele se virou e voltou para falar comigo. Ele ficou surpreso e feliz por eu ter ido, como havia prometido. Perguntei se eles estavam indo embora, ou se iriam dar autógrafos, ele confirmou que ficariam ali ainda, para a sessão de autógrafos e fotos, como ficamos conversando, a fila já havia começado. Não me importei, tomei meu tempo, para organizar meus cds, livros etc e esperei.


Não peguei a fila, fui direto ao Dan na primeira oportunidade e conversamos sobre eu ter conseguido ir de novo. Eu estava bem mais seguro e entreguei a ele dois cds e o livro “Peace is here: Christmas Reflections”, lançado em 2007 com o cd “Christmas Songs”. Dan assinou, sorrindo, agradecendo e eu já passei tudo para o Matt, que trocou algumas palavrinhas comigo. Falei sobre a Sammy (^^) para ele, disse que ela o amava demais. Enquanto isso o Dan assinou o set-list que eu peguei e o Matt também. Passei tudo para o Charlie, continuamos o papo sobre minha ida e o Steve estava muito mais comunicativo dessa vez e já assinou tudo também e eu recolhi os materiais e saí de lá agradecendo, dizendo que os amava e literalmente quicando. Que vergonha! Fiquei plantado ali na frente, esperando as pessoas passarem, tirando fotos e conversando com o staff do teatro sobre mim, todos estavam curiosos sobre o brasileiro fã da banda, que ficou no frio o dia inteiro. As pessoas começaram a tirar foto e eu pensei “também quero” e pedi ao Charlie para tirar uma foto. Ele me chamou de volta na mesa, furei a fila e fui tirar a tão sonhada foto, nesse momento ele falou entre os dentes “Juca, muito obrigado por ler o blog”, e eu respondi “De nada, o blog é muito legal, estou amando”.



A foto foi batida, sai novamente e fiquei ali, conversando com duas fãs de Leeland que haviam perdido a sessão de autógrafo e não conseguiram o autógrafo deles. Percebi que elas ficaram tristes e dei a elas o meu autógrafo que peguei da banda, tiramos uma foto e conversamos sobre minha aventura de sair de Illinois, para ir a um show do Jars e Sixpence (de brinde ainda ver Leeland e Sara). Fiquei dando voltas e a fila ficava cada vez menor, não dei uma de mala de novo, não entrei na fila pela terceira vez. Aproveitei para pegar os materiais do BWM com a Kelly, esposa do Lutito. Ela e o carinha da mesa me encheram de materiais do projeto, inclusive o dvd.



O tempo todo eles viam que eu estava ali ainda esperando e davam um sinalzinho com um sorriso. Muito pentelho! Finalmente, sobraram só o Jars e os voluntários do BWM, como um deles era minha amiga, eu pude ficar perto do grupo, enquanto eles agradeciam pelo trabalho dos voluntários e tiravam fotos. A Tabz me pediu para bater a foto dela com eles, claro que aceitei na hora, zoando demais. Eles se despediram de nós, agradeci de novo, me despedi e eles saíram do hall. Apenas Lutito ficou lá. Dessa vez foi o Gabe que não apareceu. Conversei com o Lutito e com a Kelly de novo, agradeci pelos materiais, tirei fotos com o Jeremy, que ficou muito feliz pelo apoio à Disappointed by Candy. Ele disse que na próxima turnê, eles devem abrir os shows do Jars, portanto terão os cds à venda na mesa de merchandising. Pedi a ele para entregar ao Dan, o cd que gravei com canções do João Alexandre, como presente do FC Earthen Vessels, pois eu havia esquecido de entregar pessoalmente. Todos já haviam saído do hall, fiquei sozinho, com a organização do teatro, esperando minha carona para o hotel. Voltei para Illinois no dia seguinte com um sentimento tão grande de realização e saudade. Em poucos dias voltaria para o Brasil, não teria tempo de compartilhar devidamente fotos, vídeos, escrever esta resenha, mas mesmo depois de quase 2 meses, todas as memórias estão bem acesas em mim e não vejo a hora de poder encontrá-los novamente este ano. “The long fall back to Earth” será uma nova fase, novos shows e novas emoções.