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Wednesday, March 21, 2012

Ko _cof_ ny2012




O Invisible Children foi pioneiro em muitas das melhores formas de se usar a mídia social, para trazer esclarecimento a questões que precisavam ser meditadas e engajadas pela comunidade mundial.


É difícil falar com voz crítica em meio a um movimento 'positivo', com um propósito bem intencionado, mas se a repercussão de um movimento assim for errada, isso poderia gerar efeitos duradouros na forma como engajamos a ação social, por muitas décadas. Isso significa que vidas de verdade estão em jogo.


Se este movimento ferir mais que ajudar, ele pode mudar o clima de ceticismo, com relação a causas e histórias humanitárias. Será mais uma barreira a se derrubar, para que seja possível se importar e agir a favor.


Se os EUA removerem Joseph Kony, o que vai acontecer? Há complexidades nesta pergunta, que não se deixam escapar facilmente. Se você falar com o povo Ugando sobre o KONY2012, as complexidades se tornam ainda mais claras.


O problema fundamental no movimento é a dignidade. O caminho para se atingir um objetivo em qualquer ação social que foque em esclarecer e corrigir uma circunstância injusta é tal que você você VAI TER que considerar as pessoas a quem deseja servir.


Às vezes, uma boa ideia pode sabotar completamente a infusão de dignidade em um dado quadro. Fotos bem intencionadas de crianças com moscas em seus rostos, que foram tiradas como forma de se contar a história da fome, na verdade podem ferir mais do que fazer o bem.


Podemos estabelecer posturas que tornam fácil o fato de nos sentirmos como se fôssemos o salva-vidas e as pessoas vítimas da pobreza em um país crítico fossem apenas uni-dimensionais. A boa sensação de sermos heróis pode implicar na incapacidade das pessoas se salvarem a si mesmas, sem nossa ajuda.


O chamado para agir por parte do movimento é para uma ação que poderia se passar por um ato de desobediência civil. As pessoas são chamadas a cobrirem casas, escolas, cidades, ruas, prédios, com cartazes e adesivos (IC instruiu os apoiadores a pregarem apenas em estabelecimentos próprios, ou alheios com permissão - eu hein...).


E a dignidade? Onde ela está no ativismo? Os donos desses estabelecimento teriam o direito de se sentir desrespeitados, violados, por terem que ficar o dia inteiro retirando os cartazes de seus estabelecimentos? Cartazes pregados por pessoas engajadas em um protesto de desobediência civil? Tal movimento não convidou pessoas a se importarem, ou alavancarem suas próprias vozes e recursos, em nome de uma campanha. O resultado imediato seria uma total alienação do tamanho de uma sociedade. Não precisamos de pessoas alienadas. É preciso se importar com sua própria comunidade, para se sustentar um movimento.


Na própria Uganda, o problema seria pior. Do ponto de vista dos Ugandos, este movimento fala em alto e bom tom, que o exército Ugando não fez nada. O chamado à ação fala de um pleito com o objetivo de elicitar uma resposta das forças armadas americanas, para agir e remover um líder estrangeiro, Joseph Kony. Automaticamente, estamos falando “Os Ugandos não conseguem fazer isso por conta própria”, apesar de o exército Ugando ter se responsabilizado por remover Kony e o LRA da Uganda.


Tal movimento, ao não comunicar nada sobre o processo de como agir com justiça sobre Joseph Kony, é negligente em contar às pessoas que facções militares foram informadas a atirarem em Kony, assim que o virem. Joseph Kony terá que ser executado. É isso que “fazer justiça” significa no caso de Kony. Para os que são refletidamente contra a pena de morte, eis aí um dilema.


O movimento de conscientização, em sua simplicidade, não esclarece o dilema, portanto nos faz acreditar que um simples ato de afastamento de um tirano seja a solução. O movimento é negligente quanto a informar a história de TODAS as demais organizações e indivíduos e cidadãos que têm trabalhado duro para servir aqueles afetados pela guerra na Uganda e aqueles que deram suas vidas tentando acabar com os horrores causados por Joseph Kony.


Isso claramente não honra as lutas de uma vida inteira e as pessoas que morreram sob o poder de Kony. Assim como não honra a vida de um alcoólatra, dizer a ele que você sabe melhor que ele, a melhor maneira para se parar de beber, sem sequer ter pedido a ele para lhe contar sua história.


É preciso investir tempo para se conhecer alguém, conhecer sua história. Compreender seu coração e paixões. Conhecer seus sonhos e objetivos. Assim veremos nossa própria história, enredada em sua história e nos veremos implicados no trabalho de ajudar em questões que eles querem mudar em si e em suas comunidades e famílias. Isso leva tempo e geralmente é um tipo de trabalho que é feito sem o glamour de movimentos ligados a ele. No entanto, essa é a única maneira de manter a indignidade intacta.


Algumas pessoas não querem se sentir como se estivessem sendo resgatadas. O que fazer com um movimento que não trabalha em função da dignidade de um povo? Aplaudimos o movimento pelo marketing genial que fizeram? Acreditamos nele e apoiamos a causa, mesmo se no fim você tiver sido enganado, ou mal informado, só para não sermos estraga-prazeres?


A ideia pode ser uma boa ideia de marketing, no entanto não é uma forma de ação muito dignificante. Eu não acredito que temos o dever de apoiar uma campanha que não valorize a integridade de um povo.


O retrocesso e engajamento crítico inútil que pessoas tiveram que apoiar, poderia fazer com que pessoas com boas ideias, desistam. Seria péssimo se outras pessoas concluíssem que fazer uma boa ação é muito arriscado ou que fazer uma boa ação representa muitas chances de se falhar.


O número de pesquisas em torno de desenvolvimento comunitário é imenso e a IC deveria nos mostrar que uma boa ideia de marketing é importante, mas que não é a peça principal do quebra-cabeça.


No link abaixo, podemos ler a opinião de Ugandos que viram o vídeo exibido em seu país. Se a maioria pensa como os que viram a exibição, será que a campanha deveria ser dissolvida? Algumas pessoas comentam que os Ugandos não entenderiam o vídeo feito pela IC, pois ele não foi feito com Ugandos em mente e sim para fazer com que os americanos tomem uma postura sobre o assunto. Bom, o link desbanca conceitos errados sobre o quanto os Ugandos são inteligente e engajados/conectados entre si.


“Ao final do vídeo, o clima passou a ser mais de indignação contra o que muitos viram como um relato estrangeiro inexato, que apenas diminuiu e comercializou seu sofrimento, pois o filme promove braceletes Kony e outros itens de merchandise, com o objetivo de tornar Kony infame.”


http://boingboing.net/2012/03/14/uganda-screening-of-kony-201.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter



Texto adaptado do blog: Dan Haseltine

Monday, April 18, 2011

Portrait of an Apology (revisited)

Photo: Credit to this blog.

Text: Credit to Dan's Blog.

Eu tinha um Jeep Grand Wagoneer de 1981. Ele tinha as laterais em madeira e carpetes em lã envelhecidos e bancos de vinil envelhecidos. Provavelmente, aquele será sempre o meu carro favorito. Uma bela tarde, os meus freios não funcionaram. Consegui entrar em um estacionamento e parar o carro.

Quando o mecânico deu uma olhada em meu Jeep, com uma lanterna bem forte, ele o iluminou por baixo e me mostrou os vários lugares em que a estrutura estava prestes a se enferrujar completamente.

Uma parte do chassi já estava corroída e já estava chegando ao sistema de freios, o que fez com que não funcionassem. Ele sorriu e me disse que faltou muito pouco para o Jeep se desfazer completamente, de cima a baixo. Eu estava com sorte aquele dia.

Infelizmente, ninguém havia me dito que eu estava passando por uma situação parecida em minha própria vida. Meu senso de valor próprio estava tão debilmente estiado no sempre corrosível critério da relevância musical. Então, em novembro de 1996, ele se corroeu completamente.

Acredito que eu não tinha noção do custo que isso teria. Não tenho certeza se teria feito algo diferente. Acho que eu não saberia como sobreviver aos dois primeiros anos da jornada musical do Jars of Clay de outra forma. Na maior parte do tempo, eu reagi. Tanto era possível que uma oportunidade deslanchasse nossa carreira, se disséssemos 'SIM', como a qualquer oportunidade, poderíamos destruir nossa carreia, se disséssemos 'NÃO'.

Para um adolescente que não passou muito tempo tentando entender quem era, a vida de rock 'n roll era tóxica. Não no sentido que você deve estar pensando. Sem dúvidas, havia oportunidades para sexo e álcool e, às vezes, drogas também, mas essas coisas não pareciam ser um problema para mim.

Desde o momento em que eu comecei a tocar melodias pops em um teclado Casio de 2-oitavas, à bateria, comecei a condicionar o meu valor ao meu desempenho escolar. “Transtorno por Déficit de Atenção” ainda não havia sido diagnosticado claramente como algo que devia ser tratado na infância, portanto, eu era frequentemente caracterizado como uma criança que não se concentrava. Eu era bastante inteligente, mas mal terminava o dever de casa. Eu não conseguia me concentrar, nem para salvar minha vida, ou sequer o meu boletim.

Música era a única área em que me sobressaí. Logo, fiz uso dela, para entrar nos círculos sociais. Fiz amigos, por saber tocar as músicas mais legais no piano. Eu tinha namoradas só porque eu sabia tocar “Honestly” (Stryper) e todas as músicas do Richard Marx e Axle F, além de “Somebody”, do Depeche Mode.

A ideia de que o talento musical não representava um barômetro saudável de autovalorização nunca me desafiou. Meu talento me levou às festas, garantiu empregos e me fez popular. Eu me lembro de quando eu andava pelos corredores da escola, como calouro, e a “Miss Teen USA” me parou no corredor e disse que gostava da forma como eu tocava. Não houve qualquer argumento contrário àquela ideia. Por causa de meu talento, eu passei pelo segundo grau e entrei na faculdade, mas não parou por aí.

Após dois anos de turnê, mais de 300 shows por ano, voltei para Nashville e comecei a produzir um cd de uma nova banda chamada Plumb. Eu adquiri alguns maus hábitos na turnê, por exemplo dormir mal e só beber café e comer praticamente só biscoitos Oreos. Um dia, quando eu estava no estúdio, meu coração começou a acelerar. Comecei a ter ataques de pânico. Fui ao chão. Sem perceber, eu estava no meio de uma depressão tão severa que eu me escondia em meu apartamento, contemplando a ideia de me suicidar. Eu tinha medo do telefone tocar. Eu estava em péssima forma. O processo de me arrastar daquela depressão foi o tema do cd Much Afraid. Eu estava escrevendo músicas e tentando vencer aquilo, de volta a algum tipo de sanidade ao mesmo tempo. O restante da banda não fazia ideia do que fazer comigo.

“Portrait of an Apology” era o clamor mais intenso do cd. Essa foi a música que descrevia meu medo muito bem e como me sentia, catando os cacos de uma pessoa arruinada, descobrindo que aqueles cacos não se encaixavam da forma como o todo era antes.

Foi nisso que percebi que uma pessoa não consegue simplesmente prosseguir após uma experiência como aquela. Eu estava diferente. Perdi a minha habilidade de falar lorotas e isso é essencial na indústria musical. Eu não tinha mais tempo para jogos.

Não havia mais nenhum dos construtos que antes haviam me valorizado. Fiz um balanço de tudo e não valia a pena me prender a nada. Aprendi a me separar da música. E por fim, encontrei um ponto de apoio no Evangelho, por compreender minha importância. (às vezes me esqueço disso)

Fiquei anos sem ouvir o “Much Afraid”. Tempo e distância são amigos de pessoas como eu que são obcecadas por sons de guitarras, texturas sônicas e efeitos de cordas bem posicionados. Eu precisei dar um tempo ao cd. Certa noite, um amigo me convidou a ir a sua casa, abriu uma garrafa de vinho e pegou o seu vinil do Much Afraid. Ele disse que era hora de eu ouvir a bela obra-prima que havíamos gravado. Foi uma noite profunda. Aquele cd e a turnê que veio em seguida comportavam alguns de meus momentos favoritos de nossa carreira, mas sempre me lembro do desespero que eu sentia, quando ouço essa música em particular.

Se você já teve depressão, você deve ter ouvido seus ecos na letra dessa música. Talvez você tenha se conectado profundamente com os versos sobre um homem descrevendo como é olhar para outra pessoa no espelho. Uma pessoa que parece ferida, com cicatrizes de uma batalha. Você sabe como é encher seus pulmões de ar e ficar imaginando se você terá coragem de expressar a necessidade de alguém que te ajude a fugir de si mesmo, de sua mente.

É disso que a música fala. Eu poderia explicar verso por verso, mas acho que não seria necessário. Por mais dolorosa que tenha sido a origem dessa música, ela é uma das obras musicais e melodias mais lindas que o Jars of Clay gravou, em minha opinião.

Essa é uma música que me faz lembrar que Deus nos acompanha nos lugares mais obscuros de nosso coração e mente. O amor e a paz de Deus são verdadeiramente inexoráveis.

Às vezes, cantamos versos que esperamos ser verdadeiros e que, talvez, ao cantá-los, possamos nos convencer a aguentarmos firmes na fé que nos dá a capacidade de sobreviver, como se aqueles versos fossem verdadeiros... mesmo se não acreditarmos naquilo de fato. Às vezes falamos de questões ao léu, para manifestarmos algum tipo de coragem, ou luz, ou sinal de fogo. Ao ouvir as palavras saindo de nossas bocas, podemos imaginar os elos rompidos de uma corrente, se refazerem.

Você poderia ficar mais uns minutinhos e tentar imaginar isso?

...

Saturday, March 12, 2011

The Story of Bottled Water (2010)



Sempre achei esse vídeo muito bem feito e inteligente.

Vale a pena postar e colocar em prática o boicote à água engarrafada, a menos que sua comunidade de fato não tenha água potável.

Considere a possibilidade de ajudar uma pessoa na África a ter água limpa por 1 ano. Deixe de comprar uma garrafa d'água e doe 1$ (aprox. R$1.70), ao projeto Blood:Water Mission.

www.bloodwatermission.com

Monday, May 18, 2009

Tulsa, OK -Hanson.net Members Event

Tulsa, OK
16 de Maio
Hanson.net Members Event


Resolvi escrever esse review de forma concisa, pois tentar registrar toda a experiencia tremenda de encontrar pessoas tao importantes em minha vida, nada mais representa que perder tempo. Eu nao conseguiria escrever tudo, por mais que eu tentasse, sempre seria um review injusto.

Por mais imparcial que eu tente ser, tambem seria em vao, logo esse review contem minha percepcao pessoal, como fan genuino do trabalho de 3 artistas fantasticos, Isaac, Taylor e Zach Hanson.

Eu estava decidido a nao ir ao evento, pois nao sabia como seria minha situacao na semana em que ele seria realizado, portanto nao havia feito minha reserva. Estava conformado em nao ir. Semana passada senti que deveria tentar de novo, enviei um e-mail e minutos depois recebi a resposta confirmando minha presenca.

Apenas na vespera da data comecei a sentir uma ansiedade desesperadora, eu estava confiante que os veria tao proximo quanto eu gostaria, durante a caminhada e que seria um show impecavel e aquilo comecou a me deixar muito empolgado, apesar de ter que dirigir 7h seguidas. Preparei tudo que eu precisava e fui dormir. Acordei 3h depois e sai de casa, muitos cds do Hanson no som,
Jars of Clay e Katie Herzig, para me fazerem companhia na estrada.

Tudo saiu perfeitamente bem na estrada, apesar da chuva. Cheguei em Tulsa as 11h da manha, horario exato agendado para a caminhada e aquela cidade que era quase ficticia em minha adolescencia, passou a fazer todo o sentido para mim. Eu ja estava super atrasado, mesmo sabendo que nao havia comecado ainda a caminhada. Cheguei no local marcado e encontrei-me com 7 brasileiras vindas de lugares diferentes dos EUA, mas a interacao entre nos foi super positiva e marcante. As pessoas ao redor sentiam a emocao que o grupo transmitia e alguns se aproximavam para conversar conosco. Depois de alguns momentos de espera, o carro da banda parou ao lado do estabelecimento e eles sairam, um a um, momento em que o lugar ficou mais agitado. Havia uma feirinha local proxima acontecendo, alem do May Fest a algumas quadras dali. A euforia tomou contas dos fans, criancas de colo, criancas, adolescentes, adultos, idosos. Homens e mulheres comuns, unidos pelo amor por uma banda, por uma causa simples, inspirada pela paixao de tres pessoas que nao precisam fazer o que fazem, mas nao medem esforcos para promoverem uma consciencia individual, quanto a necessidade de nos unirmos e compartilharmos um pouco do que temos, nossas forcas, nosso tempo, nosso senso de comunidade, pois eles trabalham duro e fazem questao de envolver seus fans. Toda a familia Hanson se envolve.


Taylor tomou a frente, dessa vez sem mega-fone, deu as instrucoes sobre a caminhada, novamente explicando o coracao do projeto Take the Walk. Muito convicto e experiente, nao se intimidava com a resposta do publico que sempre bradava a cada vez que ele falava algo. Para os que abracam a causa, era uma emocao especial saber que a primeira "volta ao mundo" havia sido completada e que ja estavamos efetivamente no inicio da segunda volta. Isso nao sao apenas numeros, sao resultados reais, de esforcos pessoais, impactando pessoas que antes nao tinham qualquer perspectiva de vida. Foi especialmente importante saber que metade das caminhadas nessa primeira volta ao mundo, foi realizada sem a presenca da banda, por pessoas comuns como nos, que ouvimos e levamos a serio o "Take Action" da banda.



A caminhada em si acontece naturalmente, eles determinam o trajeto e saem destemidos, enquanto os fans brigam por um momento perto deles, para tirarem uma foto, fazerem perguntas, ou apenas iniciarem uma conversa randomica, pelo simples fato de ser algo especial. Eles encaram com naturalidade, motivam as pessoas a se aterem ao objetivo de caminharem, de forma a cumprir o horario estabelecido. Para alguns a caminhada se torna uma corrida, pois o desejo de estar com os 3 ao mesmo tempo exige que voce oscile de um para outro, visto que eles ocupam lugares diferentes no cordao de pessoas. Percebi que todos sao muito concorridos, mas o perfil de fans varia de irmao para irmao. Taylor o tempo todo caminha e responde na intencao de manter os fans em volta informados daquilo que ele tem experimentado. Zac mantem seu jeito descontraido e recebe os presentes, conversa com fans, tira fotos, assina cds, papeis, camisas, o clima em torno dele fica super amigavel. Ike se preocupa em registrar a caminhada com sua camera e manter as pessoas caminhando, sorri, tira fotos e informa. Todos se esforcam para nao deixar romper a linha entre serem celebridades e parte de um momento de mudanca e impacto na vida de outras pessoas, caminhando descalcos a mesma milha de outras centenas de pessoas comuns.




A populacao externa observava e comentava "Sao os Hanson", pessoas em seus carros paravam curiosas e esperavam a multidao passar, com respeito. Nao ha impecilhos, nao ha ruas intransitaveis, seja transito, seja feira, jardins, construcoes, nada fazia parar a caminhada. Eles caminham praticamente cercados de fans. Ha poucos segurancas e os que estao presentes, tambem tem aparencia de pessoas comuns. Finalmente, todos querem aproveitar aqueles minutos perto deles. Eu conheco a sinceridade e motivacao dentro de mim com relacao as caminhadas, mas como fan, ela assume um carater de todo especial, pois voce os percebe ali, inteiros naquele objetivo e, como Juca, contemplar aquelas pessoas em um contexto fora da alienacao que uma relacao fan-artista pode alcancar, aquele momento nao pode ser descrito. A cada passo, voce se lembra de algo especial em sua vida, que eles fizeram parte e tudo se resume hoje, nessa relacao harmonica, de caminhar rumo a um so objetivo e saber que tudo que voce mais amou neles, durante esses 12 anos, torna-se ainda maior, mais excelente.





Ja no finalzinho da caminhada, aproveitei que o Ike estava filmando e me aproximei e perguntei sobre “Either Side”, gravada por ele com Sandra McCracke (esposa do Derek Webb) e Dan Haseltine (vocal do Jars of Clay) do Fool's Banquet de 2006 e ele pensou por um momento e disse que sabia de qual musica eu estava falando, perguntei se eles lancariam essa musica futuramente em algum projeto, pois ela e muito especial para mim. Nesse momento ele foi incisivo com relacao ao prejuizo que as pessoas causam a banda, quando acessam materias deles que nao deveriam ser acessados e compartilham com o mundo, menosprezando o valor que cada musica tem para quem as criou. Ele respondeu que a banda nao se sente feliz com isso e que provavelmente eles nao vao lanca-la mais, uma vez que as musicas foram roubadas de seus artistas e indiscriminadamente compartilhadas. Comentei que o Dan disse que talvez ela seria gravada pelo Jars of Clay, nesse momento ele apenas lamentou novamente que o que aconteceu, nao deveria ter acontecido. Agradeci a atencao e ele continuou o assunto com uma fan que estava proximo. Segui adiante.





De volta ao ponto de partida, Taylor ja estava pronto para falar novamente, Zac estava tirando fotos com um grupo pequeno de fans, fiquei proximo e tirei algumas fotos. Instantaneamente ele saiu de la e se juntou a mesa onde eles estavam registrando as pessoas que caminharam. Taylor informou que o nenezinho de colo que estava na caminhada tambem contava, portanto a mae deveria registra-lo. Ike disse que a reconheceu de outra caminhada, quando ela ainda estava gravida. Ele ressaltou como era gratificante para eles a presenca de todos, como o projeto se tornou auto-suficiente com a ajuda dos fans e pessoas envolvidas, hosts de alguma caminhada, seja envolvidas em organizacoes diversas, outros projetos sociais, igrejas, fans de outras bandas etc e que eles tinham produtos a venda, que eram diretamente ligados ao Take the Walk.
(video)



Infelizmente, eles tiveram que ir embora, deixando somente a saudade e a expectativa para o show no Tulsa Little Theatre naquela tarde e a ultima sessao a noite. Minha sessao era a ultima, entao teria bastante tempo para comer e comentar sobre a caminhada. O grupo de brasileiras que encontrei foi: Bela e uma amiga, Rose, Carol, Lilian, Priscila, Aline e Luiza. Bela e sua amiga nao ficaram com a gente. Eu estava dirigindo, entao dei carona a turma ate o teatro, Carol e eu paramos para comer uma pizza e nos organizar sobre o hotel. Uma vez resolvidos, voltamos ao teatro e havia uma organizacao nao oficial da fila, o que nao nos preocupou, nem atrapalhou. Eles entregaram os kits, mas eu nao peguei o meu ainda. Apos isso, Aline, eu e Priscila fomos a antiga casa deles, em um local remoto da cidade, onde o fan club funcionou por um tempo. Tiramos foto e voltamos ao teatro, bem a tempo de entrar.

Dentro do teatro, os fans estavam bem intensos e a casa ficou cheia. Recebemos as instrucoes sobre como deveriamos nos comportar durante as musicas. A banda estava gravando o evento, para lancarem um EP com os audios dos shows. Portanto nao poderia haver nenhuma resposta do publico, durante as musicas, apenas entre elas. Os 3 estavam nitidamente bem humorados, faziam piadas entre uma musica e outra durante varios minutos, dizendo que e daquela maneira que eles funcionam quando estao em estudio, tocam, erram, param, comentam, tocam de novo … varias vezes. O set foi especial, contendo faixas novas, algumas cujos nomes nao foram citados, faixas antigas de cds do fan club e outros classicos.

Sobre o novo cd, disseram que o processo esta evoluindo bastante, trabalham em uma musica, criam um esboco do que ela podera ser, pensam se aquilo soa legal, se acostumam, ensaiam, mantem algumas coisas, mudam outras e que as versoes que tocariam, eram demos de como as musicas estao ganhando forma ate entao. Zac comentou sobre esse cd ser um trabalho pop. Nao ha uma tematica especial, assim como ele nao entendia que os demais cds tinham alguma tematica especial, por mais que o The Walk esteja permeado com a ideia do projeto social. Eles apenas criam musicas e elas se conectam de alguma forma e aquele resultado integral e o que eles querem comunicar com as musicas.

Antes de listar as musicas, devo dizer que observei que a aparelhagem deles era bem simples, havia um piano com acabamento antigo, um Wurlitzer, a bateria, um cajon, pandeirolas, ganza, 2 violoes e um baixo. Havia pecas soltas da bateria, um bumbo com o nome "Albertane Tour" era o objeto mais desconexo no palco, foi engracado.

Nem se eu quisesse, eu me lembraria de todas as piadinhas que eles faziam, entao nao vou me preocupar com elas aqui, mas geraram boas risadas o tempo todo. Nao tinhamos nada em maos, pois a producao pegou todas as bolsas, maquinas e carteiras das pessoas. Taylor vestia uma calca Jeans justa, dobrada ate o inicio da canela, camisa de malha branca por dentro da calca, com suspensorio vermelho, barba e um Tom's preto. Zac estava com a mesma roupa da caminhada: tenis preto, calca justa preta, cinto marrom, camisa preta com estampa de uma sinalizacao de transito horizontal, escrita "Turn Left", cabelo amarrado, barba feita. Ike estava com uma camisa cinza para fora da calca, gravata, calca jeans reta, sneakers, cabelo com gel. Ok, vamos as musicas, Eu me esforcei ao maximo para me lembrar de tudo que aconteceu, vou tentar, na ordem foram:

1) Carry you there // Comentaram que foi uma das musicas escritas no Fool's desse ano e que eles tocaram a musica no Tin Pan Fest. Taylor tocou piano, Ike violao, Zac tocou o cajon, FANTASTICO! Eu nao gostava da musica, mas passei a amar! Maravilhosa! Muitas pessoas estavam chorando ja nessa primeira.

2) These Walls // Mantiveram a formacao, Ike ainda estava tocando violao. Zac usou o ganza. O clima nao mudou tanto de "Carry you there" para "These Walls".

3) Kiss me when you come home // Tambem disseram que era uma musica que estao trabalhando e que pode entrar para o cd. A expectativa de ouvir musicas novas, confundia com a vontade de ouvir musicas que eu ja conhecia e gostava muito. No meio da tensao toda, ficava dificil memorizar versos da musica. Zac e Ike cantam trechos. Zac tocou bateria, Taylor usou teclado, Ike nao estava tocando nenhum instrumento de cordas, se nao me engano, foi nessa faixa, o que me fez pensar se era intencionalmente, ou se e era porque ele ainda nao havia composto as cordas para a musica.

4) Make it through the day // Ike faz lead nessa musica. A emocao que ele coloca nela destruiu meu conceito de que nada que ele cantasse conseguiria ser melhor que “Being me”. “Make it through the day” conseguiu ir alem. A melodia e bem mais lenta e Ike usa o baixo apenas. Para quem ouve musicas cristas e conhece Matt Redman e
Delirious, essa musica tem um sentimento Delirious old-school, carregando uma urgencia emocional, uma confissao muito honesta. O instrumental parece fluir marcado pela respiracao e oscilacao dos versos, que culminam em um refrao que nao se repetia muito. Ike cantou quase que o tempo todo de olhos fechados e muito concentrado, dava para ver quando os olhos ficavam entreabertos e virados, levado por um "quasi-transe".

5) Use me up // Posicoes trocadas, Zac agora estava no Wurlitzer, Taylor na bateria e, claro, piadinhas sobre ele nao ser tao bom na bateria surgiram a partir desse momento. Ele foi bem, a marcacao da bateria era super simples. O teclado era bastante sombrio, parecia simples demais tambem, para faixas com Taylor no teclado, mas esse foi o momento do Zac, ele alcancava notas que eu nao tinha visto ele alcancar tao bem, a expressao no rosto dele nao era de conforto, mas tanto faz, o resultado estava perfeito e havia muita emocao e presenca na musica.

6) Musical Ride // Taylor agora nao tocou a bateria, mas tocou o meia-lua e o ganza ao mesmo tempo. Zac continuou no teclado. Melodia pop que vai colar facil se for lancada, potencial para radios.

7) Make it out alive // A letra me fez pensar que talvez ela seria batizada "A matter of time". Balada romantica, com potencial para o novo cd tambem.

8) Waiting For This // Super upbeat e a banda pede o publico para repetir as frases "Shout it out/ You can't deny it", junto com eles. Super funciona ao vivo, logo tambem parece ser uma boa escolha para um novo cd pop e fresh.

9) Never let go // Taylor anunciou que cantariam faixas de cds exclusivos da H.net a partir desse momento. Ele tocou o comecinho de “Never ...“, para dar um gostinho e isso me fez perceber uma conexao do piano de Never let go, no inicio, com a mesma base de "A song to sing". Pianistas que lerem o review, me ajudem aqui se eu estiver errado. Eu amo “Never let go” pelo que ela representou para mim na epoca em que ouviamos aquela demo incompleta. Quando recebi o kit e ouvi a musica inteira, foi um deleite ouvir o final. O amor doador que vejo ser comunicado nessa musica transcende o amor humano efemero e me conecta com o amor "Agape" de Cristo, que esta acima do amor "fileo" de pais para com seus filhos, entre irmaos e amigos. Taylor terminou a musica com louvor, tocava como se ninguem estivesse o vendo, explorando texturas em sua voz, que nao estao no cd.

10) Letters in the mailbox // Seguindo o momento de solos, Zac levantou o clima do teatro nessa musica. Quase no final, Taylor entrou no palco, sentou-se na beirada e comecou a conduzir o publico com os bracos de um lado para o outro e sugerindo que todos cantassem, ficou um coral suave, agradavel, que adornou a voz do Zac. Se essa musica sair no EP, vai ficar muito linda! Taylor fez gestuais bem estranhos, como "dedo do meio" e "banana" com o braco.

11) I am // Zac continuou no teclado. Ike estava tendo dificuldade para afinar o violao para essa musica. Ele tentou e nao estava conseguindo se lembrar das notas. Entao Zac tocou no piano o incio, todos vibraram. Ike deu a entender que havia se lembrado e estava pronto, Zac fez um comeco majestoso, no piano e no vocal. Ike continuava com uma expressao de inseguranca e antes de terminar a primeira estrofe, ele interrompeu o Zac, dizendo que nao ia acompanhar nessa musica, Zac o olhou com repreensao. Ike tornou ensaiar um pouco e pareceu estar certo. Recomecaram e ele foi pegando, da segunda estrofe em diante e tudo saiu perfeito. Acho que foi em “I am”, que mais uma vez o piano me lembrou da base de outra musica, “This time around”. Mais uma vez, pianistas ...

12) Down // Ike nao estava se lembrando em qual kit “Down” estava e o publico ajudou. Ele disse que era a idade. Taylor voltou ao teclado, que estava tendo um problema no cabo, ele zoou o som que estava saindo. Ike inventou de tentar ajudar, o assistente de palco trocou o cabo e deu certo. Taylor agradeceu.

13) Take our Chances // Mais uma do kit de 2007, parece ter sido uma boa escolha, pois todo mundo se sentiu presenteado com a musica. Nessa musica, Taylor disse que nao precisavamos mais ficar calados e quietos, entao todo mundo aproveitou ao maximo. Batemos palmas e cantamos juntos, a vontade era de levantar, pular e dancar. Zac colocou toda a energia dele nessa musica e em “Down”.


Houve uma sessao de respostas das perguntas enviadas online, responderam aproximadamente 6 perguntas, acerca de temas dos cds, como ja disse, eles nao pensam em um tema e constroem o cd em cima dele, tensao com gravadoras, dominacao por empresarios que nao entendem nada de musica, falaram sobre serem artistas e valorizarem o que fazem e o que outros artistas fazem, projetos, cena musical, o que mudariam na cena musical se pudessem, dificuldades no inicio da carreira, no momento de transicao de uma estado totalmente independente, para colaboracoes com outros compositores e o dominio de uma gravadora, assumindo que o que herdaram, parte se deu por eles, como banda, terem assinado o contrato, mas nao tiveram problemas com os profissionais que colaboraram com eles, apenas com a gravadora. Ao responderem uma das perguntas, sobre o que achavam que estariam fazendo hoje, se nao tivessem deixado a Island, eles foram corajosos e disseram de forma bem humorada, que talvez estariam trabalhando em “Underneath” ate hoje, ou que toda a tensao os levaria a um suicidio coletivo e que isso seria um choque nos jornais.

Eles agradeceram e ficaram super lisongeados quando todos se levantaram e aplaudiram de pe. Avisaram que voltariam para tirar fotos com todos.

Assim que voltaram, chamaram a fila em que eu estava, fomos ate a frente e no empurra pra la e pra ca, acabei ficando do lado do Zac. Eu nao tinha uma preferencia, mas fiquei feliz por ter ficado perto dele na foto. Bateram a foto e acenei para ele, dizendo tchau, tomado por um sentimento de despedida. Ele abriu um super sorriso e estendeu a mao para mim, dei a mao a ele e ele sacudiu com muito entusiasmo. Disse obrigado e adeus.

Saimos do teatro, Carol e eu, resolvemos esperar do lado de fora e somente vimos sairem o Taylor e o Zac, cada qual em um carro. Voltei ao hotel e no dia seguinte estava em casa de volta, preenchido pela costumeira nostalgia que me acomanha ha 12 anos, por estar tao fortemente ligado ao que a musica do Hanson causou em mim, durante esses anos.


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