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Tuesday, September 06, 2016

Bolhas ao Vento

"Nossos corações são como o sonho de quem faz bolhas de sabão, levados por todo tipo de ventos" Weighed Down, Jars of Clay

Podemos banalizar o amor?

Compara-se os corações ao sonho de alguém que sopra bolhas de sabão, imediatamente levadas por qualquer vento, impelidas por ele como a pragana. Talvez o sonho de quem as cria seja que as bolhas permaneçam ali, mesmo que por um tempo de vida tão curto, mas o vento as leva.


Nossos corações são levados pelos ventos e se chocam com alguma parede ou galho de árvore e se ferem.

O 'sonho' ilustra o abatimento, como candeias enfraquecidas. Quando se fica 'abadito' sonhando, quem sonha espera que algo ou alguém mude, para então se sentir liberto desse abatimento/ depressão.

Almeja-se a leveza de emoções positivas.

Saturday, March 28, 2015

Nós Cegos




Cético, apenas seu jeito de ser
você age como um incrédulo
toca as cicatrizes e limpa as manchas

Resiste e foge
e se convence de não acreditar
em seja qual for a paz que não consiga ver

Você evoca palavras cegas
mundos cegos sucumbirão

Agindo pela lógica, não consegue encontrar
razão alguma para acreditar no amor
Você está cego

Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Blind (Jars of Clay)


Por mais metáforas presentes na letra acima, a história de Dídimus está bem clara na letra, não há apenas conceitos alegóricos, ou reflexão da vida moderna. No entanto, é fácil para qualquer um identificar-se nos versos, seja por familiaridade com o contexto cristão, ou por referência secular de experiência de vida. A letra segue, de bofetões em bofetões, à última estrofe, que me chamou a atenção.


Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Há uma sequência de palavras que não estão claras para/sobre quem estão sendo listadas. "Crucifique e negue ... culpe alguém e incendeie a igreja, até que restem apenas cinzas e então lave as suas mãos". Em outras palavras "cometa o erro e fique calado, alguém será culpado em seu lugar".



Em muitas áreas do mundo, missão era lugar de residência de muitas Igrejas Católicas Romanas, onde os padres se viam conversando sobre pagãos no Cristianismo. Por vezes, as missões eram protegidas por soldados ou homens que serviam a um poder autoritário elevado, como a família real, ou o papado.

Por vezes, elas não eram benvindas, principalmente pelos pobres famintos, que viam os missionários e padres comerem bem e viverem sob um bom teto. Isso passou a ser ainda pior, quando a hipocrisia se tornou aparente, entre aquilo que a igreja pregava e o que ela de fato fazia. "Incendiar as igrejas, ou missões" era uma forma de revolta por parte dessas pessoas, congeladas e famintas, inspiradas pelo socialismo, cansadas da mentira da igreja.

Aparentemente, a letra pesa sobre:


  • a igreja hipócrita com sua agendas fanáticas (fanatismo é "redobrar o esforço quando o objetivo foi esquecido", Santayana, 1863-1952) que age entre paredes fechadas de seus subclubinhos sociais, apontando dedos, em vez de discutir questões sociais de sua responsabilidade (pobreza e fome, para listar dois);
  • incrédulos questionadores/ cristãos revoltados destruindo igrejas (grupos sociais) sem, contudo, solucionar questões relevantes com sua revolta;


Ambos agem, acima de tudo, não refletindo o amor/ paz. Ambos mundos cegos sucumbindo, mediante argumentos cegos.

Boa Páscoa!
.

Saturday, July 23, 2011

Oh My God (revisited)

A foto acima te lembra algum lugar super legal no Brasil? Ou em algum outro país fantástico que você tenha visitado? Eu sei, ela me lembra isso também, mas essa foto é de Ruanda. Como muitos, sou ignorante sobre muitas coisas e eu só conseguia associar Ruanda a fotos de gente morta e caveiras e memoriais ... mais nada. Ruanda também tem felicidade e esperança em sua história. O texto abaixo é uma postagem feita pelo Dan, em seu blog, sobre a música "Oh My God". No texto ele fala da experiência que viveu, quando visitou Ruanda e como isso fez parte do processo de composição da música.


Havia algo especial no processo de criação, quando as ideias para “Good Monsters” começaram a se formar. Havíamos viajado bastante em turnê dos cds “Who We Are Instead” e “Redemption Songs”, como um simples quarteto. Deixamos a parte rítmica para trás e viajamos sozinhos e fizemos os shows com apenas os quatro tocando.


As razões porque fizemos isso eram muitas, mas finalmente concluímos que na verdade, estávamos nos sentindo insatisfeitos com nossos shows ao vivo. Era fácil conectar uma séria de músicas e então tocar rock 'n roll. Costumávamos a viajar pelo universo Jars of Clay com a filosofia de que uma boa música pode ser reduzida a um violão e um vocal e mesmo assim, ser desafiadora. Queríamos saber se nossas músicas ainda sobreviveriam a tal tipo de prova.


Então decidimos deixar de lado todos os eletrônicos e por dois anos, subimos nos palcos apenas com nossas vozes e violões.


Foi uma forma fantástica de nos lembrarmos da arte de ser sutil. Mesmo quando tocávamos em grandes festivais de música, subíamos no palco tentando ganhar o público com boas composições e performances carismáticas. Era assustador subir após o P.O.D., ou o Switchfoot, com toda a sua majestade própria de uma arena de rock, para tentar manter a energia em alta, com um Wurlitzer, dois violões, quatro vocais e ocasionalmente, um pandeiro, ou uma maraca. Tocamos até no Live8 com essa configuração, em frente de 1 milhão de pessoas nas ruas da Filadélfia. Tanto o Redemption Songs, como o Who We Are Instead foram cds que funcionaram muito bem nesse formato.


Durante aquela turnê, encontramos algo mais, quando abrimos mãos de toda a produção. Quando nossos shows se tornaram menos complicados, o mesmo aconteceu com as nossas vidas. Toda a correria do dia se foi e começamos a perceber que não nos conhecíamos muito bem. Os maiores recursos que tínhamos como banda, aquilo que tinha mais valor líquido em si, ela puramente a quantidade de tempo que já havíamos passado juntos. Quando olhamos para os longos dias e experiências malucas dos 12 anos, descobrimos que em algum dado momento, nós paramos de conversar uns com os outros. Então nos vimos carentes de comunhão, pois não havia comunhão.


Passei um bom tempo daqueles anos, envolvido com a Blood:Water Mission, viajando para a África, ficando sem fôlego por causa do tipo de fatos terríveis, com os quais eu não conseguia ficar em paz. Eu vi a profundidade da depravação em Ruanda. Estive ao lado da cama de homens que estavam à beira da morte. Vi crianças nos hospitais, deitadas em papelão, enquanto aguardavam pela morte de alguém. Talvez seriam as próximas na fila, à espera de uma cama, onde poderiam simplesmente morrer também.


Também percebi que eu fugia de tudo, por quase toda a minha vida. À moda Forrest Gump, eu parei. Decidi que eu não queria mais fugir e, quando parei, tudo mais me confrontou. As escolhas que fiz, as formas como tentei viver, como se Deus não fosse real, pessoas que machuquei e tinha vergonha de confrontar, tudo aquilo veio à tona. Era o reconhecimento com o mundo que eu havia criado e sobre o qual eu não tinha qualquer controle. Encontrei-me com o sofrimento e a solidão, Graça e Amor, de forma impressionante.


Não sei quantas vezes eu disse isso em entrevistas, há algo bom no questionar. Eu havia deixado de questionar por um tempo e naquele momento, os questionamentos super abundaram.


Gary Haugen do “International Justice Mission” me levou em uma viagem para as profundezas do Genocídio em Ruanda. Vi centenas de sapatinhos amontoados e ouvi as piores histórias, sobre o que acontece quando Deus retira sua mão de sobre a humanidade. Quando Deus nos permite ser aquilo que seríamos em nossa depravação, medo, ódio e violência se tornam em motivadores mortais. O que acontece quando impedimentos culturais são levantados? 800 mil pessoas golpeada até a morte, em menos de 100 dias.


Matt Odmark descreveu como se recuperou da experiência de caminhar sobre bancadas, pois o chão estava coberto de crânios e ossos humanos, deixados ali como um memorial para de alguma forma honrar os mortos.


Ele pensou nas orações de pessoas que não têm com que se defenderem. Qual tipo de oração fazem as pessoas que entendem que a mão de seu agressor não cessará? A oração é simples ”Oh Meu Deus, ressuscite aqueles que morreram”. Só isso importa. “Deus Amado, seja quem você disse que é”.


Naquela mesma época, nossos amigos Steve Garber e Oz Guinness estavam nos ajudando com diálogos sobre “O que temos que fazer”? Como transitamos por uma comunidade cristã que não recompensa artistas, ou os ajuda a serem inovadores? O que fazemos como artistas, quando 'descrever o mundo e a presença de Deus nele, não é tão importante para os manda-chuvas da indústria e da rádio?' Nossas culturas estavam mudando, nossas ideias estavam se formando. Mais questionamentos. Decidimos não adentrar nem mais um pouco na questão da adoração naquele momento. Decidimos que valia a pena arriscar a descrever o mundo onde havíamos estado nos últimos anos.


Good Monsters” é um cd sobre a dualidade do coração. Eu me lembro de quando observava fotos em Ruanda, com a consciência pela primeira vez de que eu era capaz de fazer o que parecia ser humanamente impossível. Podia ter sido eu. Eu poderia matar. Eu poderia ser o agressor. Foi devastador perceber que eu carregava a mesma doença crônica, daqueles que frequentemente escolhemos julgar.


Isso também representou um passo à frente, rumo à liberdade e vida em abundância. Nós nos escondemos das pessoas. Não desfrutamos totalmente de nós mesmos. Achamos que somos repugnantes e nos esforçamos ao máximo para apresentar versões de nós mesmos que são tão incompletas, que somos quase estranhos.


Achamos que se as pessoas não virem a nossa escuridão, não teremos que admiti-las. Isso requer muito trabalho. Desperdiçamos o que somos nos escondendo e nos resta muito pouco de nós mesmos, para amarmos.


Todas essas ideias giravam em minha cabeça e na cabeça de meus amigos da banda. Entramos em um quarto e colocamos cadeiras umas de frente às outras e começamos a escrever. As músicas que ali nasceram eram surpreendentes, assustadoras e vulneráveis. Aquele tipo de música só pode nascer dos questionamentos que importam, em tempos de despertar. Alguns questionamentos, quando encontrados, nunca nos deixarão. São como cascas que cobrem feridas profundas, quando as tiramos da pele, elas sangram vagarosamente, por toda a vida, mas nos lembram que estamos vivos, que sentimos e pensamos, abraçamos, inalamos e exalamos.


Oh My God” foi um ponto de convergência. As profundezas da depravação de meu coração, a dor por que passei neste mundo e a dor que observei por meio de histórias, imagens e lugares que vi na África, se encontram nessa música.


Esta é uma música em 3 partes.


Parte 1, apenas para preparar o clima.

...

Oh, my God, look around this place

Your fingers reach around the bone,

You set the break and set the tone,

For flights of grace and future falls,

In present pain, all fools say, “Oh My God.”


Oh my God, why are we so afraid

We make it worse when we don’t bleed

There is no cure for our disease

Turn a phrase and rise again, or fake your death and only tell your closest friends


Esses versos descrevem a condição humana: somos pessoas fatalmente feridas, tingidas pelo pecado, assoladas por uma fé rala, que às vezes não nos sustenta, em nossa busca por respostas claras, para o questionamento sobre a morte de Jesus e sua ressurreição. Duvidar da existência de Deus é parte de nossa história, como humanos.


Parte 2 da música:


Foi aqui na verdade, que a música começou. Matt trouxe um questionamento à banda, “Porque tantas pessoas assim usam a frase Oh My God? E então começamos a pensar nas mais diversas pessoas que usam essa frase e a nos perguntar se podíamos falar disso em uma música.


É incrível como uma pessoa consegue usar a mesma frase, como um xingamento, ou como uma afirmação. Essas três palavras podem ser usadas em parte de nosso contentamento e desejos mais profundos.


Portanto, meretrizes e anjos e todos na letra a usam. Pessoas que acreditam mesmo em Deus e pessoas que não, ainda se pegam usando essa frase.


Parte 3:


Essa é a parte extravagante.


É por isso que eu, naquela época, falei aquelas palavras. Não escolhi a letra de propósito. A música só havia sido tocada uma vez no estúdio. A letra foi escrita em questão de segundos cantando. Esse é um agrupamento de palavras do nível mais intrínseco e foi a forma que encontramos de ampliar todos os questionamentos que eu havia armazenado e me esquecido, lembrando-me e combatendo-os. Finalmente, ela termina com um questionamento, assim como começou.


Tocamos essa música duas vezes. Não a editamos para o cd, ou acrescentamos muito. Ela continua sendo uma de minhas músicas favoritas nos shows.

...

Tuesday, April 05, 2011

Hanson no Well:Done Celebration


Update: Hanson added to Well:Done Celebration


Quer melhor convidado para este evento, do que uma banda que ajudou na conclusão do Projeto 1,000 Wells?

Hanson, com seu projeto Take the Walk, foi responsável pelo alcance de parte das cisternas d'água conquistadas para as comunidades da África, que não dispunham de água limpa, para suas necessidades básicas.

Jars of Clay vai celebrar a conclusão do primeiro grande desafio lançado pela Blood:Water Mission, com o Derek Webb e a Sandra McCracken, entre outros e Hanson acaba de confirmar sua presença.

Quem acompanha as duas bandas conhece o dilema em que vivem as bandas, pois quando o Hanson aparece em Nashville, o Jars está longe, quando o Jars aparece em Tulsa, o Hanson está longe ...


Que bom que finalmente as duas bandas estarão juntas, será que vão cantar "Silent Ride"?

Friday, January 22, 2010

Caminhada por Água em BH - 111 Assinaturas



Matéria no site oficial


A caminhada Take the Walk, em Belo Horizonte, no último dia 10 de janeiro, superou as expectativas de todos.


Foram 111 assinaturas de pessoas de várias regiões do país e de fora do país. Tivemos adeptos de Brasília, São Paulo, Interior de Minas Gerais, EUA, Holanda e Suíça, além dos caminhantes de Belo Horizonte e redondezas.


O evento estava agendado para as 10h da manhã de domingo. O clima estava de nosso lado. Houve previsões de chuvas naquele dia, mas o dia foi ensolarado e de céu aberto, com poucas nuvens.


Às 10h, muitas pessoas já estavam por lá. Aguardamos alguns minutos, por mais pessoas que estavam para chegar, o que despertou nos outros visitantes do parque, curiosidade sobre o que estava para acontecer. Muitas pessoas ouviram falar sobre o Take the Walk e Blood:Water Mission, minutos antes da caminhada e vários aderiram.


O resultado supreendente foi fruto do empenho de uma equipe dedicada aos projetos e à caminhada. Para alguns, essa foi a primeira experiência em favor de água limpa e medicamentos na África e para outros, foi mais uma recompensa e a confirmação do quanto vale a pena se esforçar por nossos ideais, em favor de nossos amigos.


Com o número crescente de pessoas que chegavam ao local, decidimos iniciar, explicando um pouco sobre o funcionamento do Take the Walk e com um breve esclarecimento sobre o Blood:Water Mission, alvo de nossa caminhada.


O projeto "Take the Walk" (TTW) visa proporcionar soluções simples e tangíveis, para que mais pessoas possam tomar uma atitude individual, na luta contra a epidemia de AIDS e pobreza na África.


O diferencial acontece quando o primeiro passo é dado, quando pessoas decidem sair de um estado inerte de conscientização somente, para uma tomada real de atitude. Cada passo representa uma ação, em direção a um percurso completo.


Em nome de cada pessoa que caminhou, 1$ será doado à causa escolhida e um dos projetos apoiados pelo TTW é o "Blood:Water Mission" (BWM), uma organização sem fins lucrativos que capacita comunidades a trabalharem juntos, contra a AIDS e crise de falta de água limpa na África.


O principal objetivo do projeto é criar comunidades saudáveis, por meio de ações sociais criativas.


Seus principais valores são:


•Comunidade

•Responsabilidade

•Integridade

•Dignidade

•Didática


Desde sua fundação, o BWM já construiu 3 clínicas, ajudou a fazer com que 17.580 pessoas fizessem o teste HIV e já atendeu a 22.076 casos, em diversas comunidades africanas. Isso constitui a face "blood" (sangue) do projeto.


No aspecto "água limpa", 859 projetos foram realizados, 570.000 foram atendidas, em um total de 11 países, ao longo do continente Africano, entre eles República Africana Central, Quênia, Uganda, Etiópia, Zâmbia e Ruanda.


Boa parte dos caminhantes foi de fãs de pelo menos uma das bandas que ataviam este encontro, que teve sua segunda edição realizada no Mangabeiras, são elas: Hanson, que está à frente do TTW; Jars of Clay, fundadores do BWM e Sixpence, que apóia o BWM e são amigos do Jars of Clay. Porém, naquele dia houve apenas um foco, por parte de fãs e não fãs, que entenderam o chamado ao envolvimento pessoal com a crise de AIDS na África.


É comum nas caminhadas do TTW, que as pessoas caminhem descalças, como uma forma de ilustrar e se conectar com os africanos que nem mesmo gozam do conforto proporcionado por um par de sapatos. Várias pessoas tiraram seus sapatos e caminharam descalças pelas ladeiras de pedras do Circuito da Mata do Mangabeiras, até o Mirante, onde encerramos, com brados de “I took the walk”, em vários idiomas e sotaques.


O TTW doará 1$ em nome de cada pessoa que caminhou. Explicamos como esse valor se encaixa na equação em que $1 representa o fornecimento de água limpa a um Africano, por um ano.


1$ = 1 Africano com Água Limpa por 1 ano.


A caminhada de Belo Horizonte também serviu sua comunidade local, ao sugerir que cada caminhante trouxesse consigo 1kg de alimento não-perecível, ou 1l de leite longa-vida, para doarmos a uma instituição local. A resposta foi novamente supreendente, pois as doações também superaram a expectativa. Contamos com a presença de representantes da JOCUM, contemplada pela caminhada, além de adolescentes amparados pela Casa Restauração JOCUM.

Novamente, a Take the Walk BH foi um exemplo de engajamento individual de voluntários com a justiça social, desenvolvimento da percepção mundial e ações solícitas. Pessoas que apesar de não conhecerem de perto as comunidades atendidas, procuram manter um relacionamento com elas, pelo qual também se sentem transformados.

Veja o Vídeo Aqui

Wednesday, December 16, 2009

Blood:Water Mission (Alvo da Caminhada de BH)



O projeto "Take the Walk" (TTW) visa proporcionar soluções simples e tangíveis, para que mais pessoas possam tomar uma atitude individual, na luta contra a epidemia de AIDS e pobreza na África.

O diferencial acontece quando o primeiro passo é dado, quando pessoas decidem sair de um estado inerte de conscientização somente, para uma tomada real de atitude. Cada passo representa uma ação tomada, em direção a um percurso completo. Em nome de cada pessoa que caminha, 1$ é doado a causa escolhida. Uma das causas apoiadas pelo TTW é o projeto social "Blood:Water Mission" (BWM).

BWM é uma organização sem fins lucrativos que capacita comunidades a trabalharem juntos, contra a AIDS e crise de falta de água limpa na África.

O principal objetivo do projeto é criar comunidades saudáveis, por meio de ações sociais criativas.

Seus principais valores são:

- Comunidade
- Responsabilidade
- Integridade
- Dignidade
- Didática


Desde sua fundação, o BWM já construiu 3 clínicas, ajudou a fazer com que 17.580 pessoas fizessem o teste HIV e já atendeu a 22.076 casos, em diversas comunidades africanas. Isso constitui a face "blood" (sangue) do projeto.

No aspecto "água limpa", 859 projetos foram realizados, 570.000 foram atendidas, em um total de 11 países, ao longo do continente Africano, entre eles República Africana Central, Quênia, Uganda, Etiópia, Zâmbia e Ruanda. O projeto tem atingido suas metas, graças a milhões de dólares doados por pessoas que desejaram fazer a diferença, beneficiando essas comunidades com fornecimento de água limpa e cuidados fisiológicos. Água limpa e saneamento são formas básicas e críticas para se impactar positivamente a saúde de populações vulneráveis, principalmente aquelas afetadas pelo vírus HIV.

O BWM é um grupo de pessoas apaixonadas pela causa e inspiradas pela vida e paixão de seus amigos na África. Pessoas que enfrentaram desafios insuportáveis com a epidemia e falta de água. Em resposta a essas duas realidades, a BWM tem tentado de maneira criativa e consciente, levantar conscientização e fundos necessários para o fornecimento de água limpa e garantia de uma vida saudável, para adultos e crianças, salvas da ação epidêmica da AIDS, na região sub-Saara africana.

O projeto foi fundado por homens igualmente apaixonados pelo trabalho que fazem, os integrantes da banda Jars of Clay. Inicialmente, sua idéia foi um chamado ao envolvimento pessoal com a crise de AIDS na África. O Jars of Clay se viu comprometido a compartilhar as histórias que muito frequentemente, não são reveladas ao mundo: histórias sobre Africanos criativos, cheios de compaixão e que trabalham duro, para trazerem a suas respectivas comunidades, saúde, esperança e cura.

O BWM finalmente adentrou a idéia de fundarem uma clínica para pacientes HIV+, em estado terminal e com isso perceberam o elo vital que existe entre a necessidade de água limpa, quando se é HIV+.

Como resultado, o Blood:Water Mission lançou o projeto 1000 Wells (1.000 Cisternas) em 2005, como um esforço de abrangência nacional, com fim de arrecadarem fundos suficientes, para fornecerem água limpa e saneamento a 1000 comunidades na região sub-Saara do continente Africano, com base na equação que diz que $1 representa o fornecimento de água limpa a um Africano, por um ano.

1$ = 1 Africano com Água Limpa por 1 ano.

O projeto 1000 Wells expandiu-se holisticamente, acrescentando ainda, uma variedade de soluções para fornecimento de água potável, saneamento básico e treinamentos sobre higiene pessoal, além da fundação de clínicas de saúde, treinamento de voluntários das próprias comunidades e criação de grupos de suporte, que ajudam na prevenção, tratamento, cuidados e apoio a comunidades afetadas pela AIDS. Programas específicos contra a AIDS em paralelo com programas de fornecimento de água potável foram incorporados em 2009, os quais continuarão nos anos porvir.

Os resultados de seus esforços pintaram um novo quadro da realidades dessas comunidades. Os líderes das vilas receberam recursos e capacitação para continuarem a fornecer água limpa, saneamento e cuidados clínicos às comunidades. Doenças decorrentes do consumo de água suja, quando disponível, desapareceram pouco a pouco. Mulheres e crianças não mais têm que caminhar kilômetros e kilômetros por dia, em busca de água suja e contaminada e aqueles que são HIV+, agora vivem mais e saudavelmente.

O projeto busca adequar soluções a cada comunidade. As principais propostas são cisternas d'água, sistemas de captura d'água das chuvas, filtros de areia biológica e cuidados de nascentes d'água. Cada um desses sistemas depende imensamente das condições locais e disponibilidade de recursos. Fatores-chave na escolha e especificação da tecnologia envolvem durabilidade, custos baixos de manutenção, sustentabilidade e impacto causado na comunidade.

O custo de uma cisterna varia significantemente de região para região. Os fatores de custo envolvem geologia local (incluindo a profundidade dos lençóis d'água), distância do local da cisterna e custo doméstico dos materiais.

Atualmente, o custo varia entre $4,500 a $18,000. Mais de 50% dos projetos do BWM são reparos feitos em cisternas danificadas, que outrora foram implementadas de maneira inadequada. Esta solução é bastante atrativa em termos de custo, pois fica entre $750 e $1,500, somente. Enquanto peças menores podem vir a ser substituídas anualmente, uma cisterna dura em torno de 15 a 20 anos, se for adequadamente mantida.

O filtro de areia biológica custa $100 cada e atende aproximadamente 15 pessoas. Qualquer pessoa pode financiar um filtro para uma família na África, basta visitar o site do projeto para saber como fazer a doação, que será destinada a instalação de um filtro em uma casa, ou comunidade.

Um dos fundadores do projeto, Dan Haseltine, é o vocalista da banda Jars of Clay e juntamente com os demais membros, é peça chave no projeto BWM. Ele compõe letras, produz, cria trilhas para filmes, supervisiona e é designer artístico. Ele é o porta-voz da banda e do projeto, faz trabalhos como freelancer e já escreveu artigos para publicações impressas e digitais em mídias de renome. Dan também é colunista da Relevant Magazine. Já escreveu estórias para crianças e teses para livros de músicas, sobre o Johnny Cash, sobre a AIDS na África, justiça social e reforma da Igreja Cristã. Além de sua rotina familiar e profissional, Dan está pessoalmente envolvido nos projetos iniciados pelo Blood:Water Mission. Sua visão fala de humanização, de trazer um sentido humano às estatísticas, traduzindo os tristes e preocupantes números a um coeficiente, que represente um único rosto e uma história pessoal e significante.

Entre outros colaboradores da equipe, está o Matt Ward, Coordenador Local do Projeto, formado pela Belmont University de Nashville, TN em Religião & Música, com ênfase em arte e justiça social. Após anos de serviço voluntariado local, com uma série de organizações comprometidas com a África, Matt auxiliou um representante americano na Conferência G8 de 2005, em nome da ONE Campaign, durante seu ano inaugural. Para o Blood:Water, Matt passou parte de seu tempo na estrada, com artistas e ativistas, apoiadores da campanha em todo o país.

Essas são pessoas que conhecem as comunidades atendidas de perto e mantêm relacionamento íntimo com eles, pelo qual também se sentem transformados.

Além disso, o BWM busca engajar outras sociedades, principalmente as comunidades americanas, com a justiça social, desenvolvimento da percepção mundial e ações solícitas e estão sempre abertos a todos que desejem ser, individualmente, parte dessa grande e bela história de generosidade.

Tuesday, October 06, 2009

Jars of Clay em Cincinnati, OH - 25 de Julho de 2009

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Visto que ja faz muito tempo, resolvi escrever um review rapido sobre o show do Jars of Clay em Cincinnati, OH, no dia 25 de Julho de 2009.

Sai de St Louis bem cedo, pois queria chegar tranquilo a cidade. Desta vez, eu nao fui sozinho, estava acompanhado pelo Dallas.

A viagem foi tranquila, mas eu nao sabia que Ohio estava 1h a frente no relogio, logo o que eu pensei ser cedo, ja era tarde e a gente nao sabia chegar ao local do show, tivemos que usar GPS. Depois de muitas voltas, estacionei aflito, pois ja era 6:00h e eu tinha que estar la dentro, para o M&G com a banda. Ao chegar na parte de tras do local, vi o Dan se aproximar da entrada e corri em sua direcao, gritando que eu estava atrasado e queria entrar com ele para o M&G. Ele me cumprimentou, sorriu e disse que eu poderia entrar pela frente ainda, pois tinha que me reportar ao rapaz que confirmava os passes vip. Dei a volta e la estavamos nos, indo para a sala VIP ^^.

Eramos 5 pessoas, Dallas e eu, um rapaz com sua namorada e um outro rapaz sozinho. Entramos, eu fui o ultimo da fila e ao me verem, Charlie e Steve gritaram meu nome. Fiquei feliz e me lancei em sua direcao e os abracei. Fizemos os cumprimentos iniciais, passei para o Dan e Matt e os abracei tambem, desta vez, bem sem graca. Nesse momento, outros dois rapazes entraram e todos ja estavam ocupados, cada qual conversando com alguem da banda. Como eu ja estava perto do Matt e do Dan, ficamos conversando por ali mesmo, apresentei o Dallas a eles e conversamos sobre a turne, Brasil, minha estadia por aqui, viagens da banda, baseball, possibilidades de shows em St Louis e perguntei quanto tempo demoraria o M&G e se poderiamos autografar alguns materiais e tirar fotos ^^.



Eu ja tinha tudo preparado para comecar a assinar e o Dan pediu para deixar com o Matt, pois ele tinha que ir correndo ao banheiro, para assoar o nariz (oO). Risos. Matt comecou a assinar e depois o Charlie. Enquanto o Dan nao voltava, aproveitei que o Gabe estava sozinho no sofa e fiquei conversando com ele sobre o Jeremy e sobre a turne do Disappointed by Candy. Ele assinou alguns cds tambem e enquanto isso, os outros fans ja estavam tirando fotos com a banda. Pensei em ficar por ultimo, para aproveitar ao maximo. Dallas ja havia saido tambem. Depois que todos sairam, Dan e os demais terminaram de assinar todos os meus materiais e em seguida tiramos fotos juntos. Jake passou pela sala, mas nao ficou por la. Ao terminarmos as fotos, eu disse a eles que tinha uma carta para entregar, que fora escrita pela Jenny, em nome do FC Earthen Vessels. Eles receberam e eu disse que poderiam ler mais tarde. (Leram e agradeceram pelo Twitter) Despedi-me de todos e agradeci. Pedi ao organizador do M&G para ficar na frente do palco e ele atendeu.




O show do Seabird ja estava rolando. A banda faz um som indie, super agradavel, nao foi dificil esperar pelo Jars. No intervalo, conversei com o casal que estava no M&G, que tambem tiveram que vir de longe. Ele era fan ha muitos anos e ela estava aprendendo a gostar por causa dele.

Jars comecou a tocar. O set-list nessa turne foi bem constante. A ordem foi mais ou menos a seguinte:

Intro: The Long Fall

Dan estava em um teclado menor, cada qual em suas posicoes.

1- Weapons

Dan saiu dos teclados e comecou a cantar. Otima faixa para um set live.

2- Work

3- Hero

Antes de ver a banda tocar ao vivo, apenas ouvindo gravacoes, nao me sentia muito atraido pelo Dan fazendo as notas mais altas. Ao vivo e diferente. Ele faz uma performance digna.

4- Flood (New Rain)

Obvio, nesse momento o publico perde a compostura. Volta e meia o Dan tentava animar e tentou deixar claro que ele entende que as pessoas tenham receio de dancaram e pularem, mas que elas tinham total liberdade de fazer isso, contanto que tomassem cuidado, para nao se machucarem. Ele queria que elas se divertissem, afinal pagaram pelo show (oO).

5- Love Is The Protest

Amo. Ao vivo esta e uma faixa que tem que tocar em qualquer show. Vide video do kit, postado no Youtube.

6- Closer

Dan sempre introduz Closer como "uma cancao de amor". Uma das favoritas de todos os tempos e muito bem desempenhada em palco.

7- Safe To Land

Solo de Dan no piano. Nem precisa comentar que provoca rios de lagrimas.

8- Frail

Dan usa a famosa escaleta. Nostalgia dos tempos de Much Afraid.

9- I Need You

Neste momento eu estava do outro lado do palco, para tirar melhores fotos do Matt e do Jake. Aproveitei que estava mais vazio e dancei intensamente (oO).

10- God Will Lift Up Your Head

11- Boys (Lesson One)
Dan explicou o sentido da musica e disse que estavam trabalhando em uma versao mais agitada para as radios, que ate hoje nao foi lancada. A expectativa era de que essa seria o novo single, mas Heaven foi lancada como novo single para as radios.

12- Love Song For A Savior

Outro classico que todos amam e cantam com a banda. Nao tenho mais paciencia com ela.

13- Heaven

Empolgadissima!

14- Dead Man (Carry me)

Momento em que eu nao consigo ficar parado no show. Hit classico do cd Good Monsters, que parece ser bem conhecida pelo publico dos shows.

15- Revolution

Nao considero a melhor escolha para um setlist, The 11th Hour tem faixas bem mais interessantes.

16- Don't Stop

Perfeita! Ponto alto dos shows dessa nova turne.

17- Headphones

Belissima, pena que nao tem a Katie em shows.




:: Encore

- Forgive me

Surpresa para mim eles terem tocado, felizmente consegui gravar, pois amo demais essa faixa. Para ficar perfeito, tinham que ter tocado Scenic Route.

- Two Hands

Apos tanta exposicao nas radios, esta faixa estava nitidamente na cabeca das pessoas.

- All my Tears

Final em que ficam apenas os 4 membros da banda, com um som acustico-folk. Versao estendida da musica, um banho musical, perfeito para encerrar o show.

Em um dado momento elses falaram sobre as outras vezes que tocaram em Cincinnati e como gostam daquela cidade. Falaram tambem sobre o Blood:Water Mission e como se envolver, como usar suas maos, para ajudar as comunidades da Africa.

No todo, foi um show fantastico, um dos melhores da turne Two Hands, segundo comentarios da banda na epoca. Eu queria ter seguido o onibus deles ate o proximo show, em Indiana, mas eu ficaria muito cansado e eu nao estava sozinho.

Passei na loja da banda e comprei camisas, cds e acessorios, mas fiquei com vontade de ir a outro show, portanto ja estava aguardando as datas do Creation Fest (assinem o nosso Abaixo-Assinado), para comprar o meu proximo ingresso (leiam review em breve).
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Monday, May 18, 2009

Tulsa, OK -Hanson.net Members Event

Tulsa, OK
16 de Maio
Hanson.net Members Event


Resolvi escrever esse review de forma concisa, pois tentar registrar toda a experiencia tremenda de encontrar pessoas tao importantes em minha vida, nada mais representa que perder tempo. Eu nao conseguiria escrever tudo, por mais que eu tentasse, sempre seria um review injusto.

Por mais imparcial que eu tente ser, tambem seria em vao, logo esse review contem minha percepcao pessoal, como fan genuino do trabalho de 3 artistas fantasticos, Isaac, Taylor e Zach Hanson.

Eu estava decidido a nao ir ao evento, pois nao sabia como seria minha situacao na semana em que ele seria realizado, portanto nao havia feito minha reserva. Estava conformado em nao ir. Semana passada senti que deveria tentar de novo, enviei um e-mail e minutos depois recebi a resposta confirmando minha presenca.

Apenas na vespera da data comecei a sentir uma ansiedade desesperadora, eu estava confiante que os veria tao proximo quanto eu gostaria, durante a caminhada e que seria um show impecavel e aquilo comecou a me deixar muito empolgado, apesar de ter que dirigir 7h seguidas. Preparei tudo que eu precisava e fui dormir. Acordei 3h depois e sai de casa, muitos cds do Hanson no som,
Jars of Clay e Katie Herzig, para me fazerem companhia na estrada.

Tudo saiu perfeitamente bem na estrada, apesar da chuva. Cheguei em Tulsa as 11h da manha, horario exato agendado para a caminhada e aquela cidade que era quase ficticia em minha adolescencia, passou a fazer todo o sentido para mim. Eu ja estava super atrasado, mesmo sabendo que nao havia comecado ainda a caminhada. Cheguei no local marcado e encontrei-me com 7 brasileiras vindas de lugares diferentes dos EUA, mas a interacao entre nos foi super positiva e marcante. As pessoas ao redor sentiam a emocao que o grupo transmitia e alguns se aproximavam para conversar conosco. Depois de alguns momentos de espera, o carro da banda parou ao lado do estabelecimento e eles sairam, um a um, momento em que o lugar ficou mais agitado. Havia uma feirinha local proxima acontecendo, alem do May Fest a algumas quadras dali. A euforia tomou contas dos fans, criancas de colo, criancas, adolescentes, adultos, idosos. Homens e mulheres comuns, unidos pelo amor por uma banda, por uma causa simples, inspirada pela paixao de tres pessoas que nao precisam fazer o que fazem, mas nao medem esforcos para promoverem uma consciencia individual, quanto a necessidade de nos unirmos e compartilharmos um pouco do que temos, nossas forcas, nosso tempo, nosso senso de comunidade, pois eles trabalham duro e fazem questao de envolver seus fans. Toda a familia Hanson se envolve.


Taylor tomou a frente, dessa vez sem mega-fone, deu as instrucoes sobre a caminhada, novamente explicando o coracao do projeto Take the Walk. Muito convicto e experiente, nao se intimidava com a resposta do publico que sempre bradava a cada vez que ele falava algo. Para os que abracam a causa, era uma emocao especial saber que a primeira "volta ao mundo" havia sido completada e que ja estavamos efetivamente no inicio da segunda volta. Isso nao sao apenas numeros, sao resultados reais, de esforcos pessoais, impactando pessoas que antes nao tinham qualquer perspectiva de vida. Foi especialmente importante saber que metade das caminhadas nessa primeira volta ao mundo, foi realizada sem a presenca da banda, por pessoas comuns como nos, que ouvimos e levamos a serio o "Take Action" da banda.



A caminhada em si acontece naturalmente, eles determinam o trajeto e saem destemidos, enquanto os fans brigam por um momento perto deles, para tirarem uma foto, fazerem perguntas, ou apenas iniciarem uma conversa randomica, pelo simples fato de ser algo especial. Eles encaram com naturalidade, motivam as pessoas a se aterem ao objetivo de caminharem, de forma a cumprir o horario estabelecido. Para alguns a caminhada se torna uma corrida, pois o desejo de estar com os 3 ao mesmo tempo exige que voce oscile de um para outro, visto que eles ocupam lugares diferentes no cordao de pessoas. Percebi que todos sao muito concorridos, mas o perfil de fans varia de irmao para irmao. Taylor o tempo todo caminha e responde na intencao de manter os fans em volta informados daquilo que ele tem experimentado. Zac mantem seu jeito descontraido e recebe os presentes, conversa com fans, tira fotos, assina cds, papeis, camisas, o clima em torno dele fica super amigavel. Ike se preocupa em registrar a caminhada com sua camera e manter as pessoas caminhando, sorri, tira fotos e informa. Todos se esforcam para nao deixar romper a linha entre serem celebridades e parte de um momento de mudanca e impacto na vida de outras pessoas, caminhando descalcos a mesma milha de outras centenas de pessoas comuns.




A populacao externa observava e comentava "Sao os Hanson", pessoas em seus carros paravam curiosas e esperavam a multidao passar, com respeito. Nao ha impecilhos, nao ha ruas intransitaveis, seja transito, seja feira, jardins, construcoes, nada fazia parar a caminhada. Eles caminham praticamente cercados de fans. Ha poucos segurancas e os que estao presentes, tambem tem aparencia de pessoas comuns. Finalmente, todos querem aproveitar aqueles minutos perto deles. Eu conheco a sinceridade e motivacao dentro de mim com relacao as caminhadas, mas como fan, ela assume um carater de todo especial, pois voce os percebe ali, inteiros naquele objetivo e, como Juca, contemplar aquelas pessoas em um contexto fora da alienacao que uma relacao fan-artista pode alcancar, aquele momento nao pode ser descrito. A cada passo, voce se lembra de algo especial em sua vida, que eles fizeram parte e tudo se resume hoje, nessa relacao harmonica, de caminhar rumo a um so objetivo e saber que tudo que voce mais amou neles, durante esses 12 anos, torna-se ainda maior, mais excelente.





Ja no finalzinho da caminhada, aproveitei que o Ike estava filmando e me aproximei e perguntei sobre “Either Side”, gravada por ele com Sandra McCracke (esposa do Derek Webb) e Dan Haseltine (vocal do Jars of Clay) do Fool's Banquet de 2006 e ele pensou por um momento e disse que sabia de qual musica eu estava falando, perguntei se eles lancariam essa musica futuramente em algum projeto, pois ela e muito especial para mim. Nesse momento ele foi incisivo com relacao ao prejuizo que as pessoas causam a banda, quando acessam materias deles que nao deveriam ser acessados e compartilham com o mundo, menosprezando o valor que cada musica tem para quem as criou. Ele respondeu que a banda nao se sente feliz com isso e que provavelmente eles nao vao lanca-la mais, uma vez que as musicas foram roubadas de seus artistas e indiscriminadamente compartilhadas. Comentei que o Dan disse que talvez ela seria gravada pelo Jars of Clay, nesse momento ele apenas lamentou novamente que o que aconteceu, nao deveria ter acontecido. Agradeci a atencao e ele continuou o assunto com uma fan que estava proximo. Segui adiante.





De volta ao ponto de partida, Taylor ja estava pronto para falar novamente, Zac estava tirando fotos com um grupo pequeno de fans, fiquei proximo e tirei algumas fotos. Instantaneamente ele saiu de la e se juntou a mesa onde eles estavam registrando as pessoas que caminharam. Taylor informou que o nenezinho de colo que estava na caminhada tambem contava, portanto a mae deveria registra-lo. Ike disse que a reconheceu de outra caminhada, quando ela ainda estava gravida. Ele ressaltou como era gratificante para eles a presenca de todos, como o projeto se tornou auto-suficiente com a ajuda dos fans e pessoas envolvidas, hosts de alguma caminhada, seja envolvidas em organizacoes diversas, outros projetos sociais, igrejas, fans de outras bandas etc e que eles tinham produtos a venda, que eram diretamente ligados ao Take the Walk.
(video)



Infelizmente, eles tiveram que ir embora, deixando somente a saudade e a expectativa para o show no Tulsa Little Theatre naquela tarde e a ultima sessao a noite. Minha sessao era a ultima, entao teria bastante tempo para comer e comentar sobre a caminhada. O grupo de brasileiras que encontrei foi: Bela e uma amiga, Rose, Carol, Lilian, Priscila, Aline e Luiza. Bela e sua amiga nao ficaram com a gente. Eu estava dirigindo, entao dei carona a turma ate o teatro, Carol e eu paramos para comer uma pizza e nos organizar sobre o hotel. Uma vez resolvidos, voltamos ao teatro e havia uma organizacao nao oficial da fila, o que nao nos preocupou, nem atrapalhou. Eles entregaram os kits, mas eu nao peguei o meu ainda. Apos isso, Aline, eu e Priscila fomos a antiga casa deles, em um local remoto da cidade, onde o fan club funcionou por um tempo. Tiramos foto e voltamos ao teatro, bem a tempo de entrar.

Dentro do teatro, os fans estavam bem intensos e a casa ficou cheia. Recebemos as instrucoes sobre como deveriamos nos comportar durante as musicas. A banda estava gravando o evento, para lancarem um EP com os audios dos shows. Portanto nao poderia haver nenhuma resposta do publico, durante as musicas, apenas entre elas. Os 3 estavam nitidamente bem humorados, faziam piadas entre uma musica e outra durante varios minutos, dizendo que e daquela maneira que eles funcionam quando estao em estudio, tocam, erram, param, comentam, tocam de novo … varias vezes. O set foi especial, contendo faixas novas, algumas cujos nomes nao foram citados, faixas antigas de cds do fan club e outros classicos.

Sobre o novo cd, disseram que o processo esta evoluindo bastante, trabalham em uma musica, criam um esboco do que ela podera ser, pensam se aquilo soa legal, se acostumam, ensaiam, mantem algumas coisas, mudam outras e que as versoes que tocariam, eram demos de como as musicas estao ganhando forma ate entao. Zac comentou sobre esse cd ser um trabalho pop. Nao ha uma tematica especial, assim como ele nao entendia que os demais cds tinham alguma tematica especial, por mais que o The Walk esteja permeado com a ideia do projeto social. Eles apenas criam musicas e elas se conectam de alguma forma e aquele resultado integral e o que eles querem comunicar com as musicas.

Antes de listar as musicas, devo dizer que observei que a aparelhagem deles era bem simples, havia um piano com acabamento antigo, um Wurlitzer, a bateria, um cajon, pandeirolas, ganza, 2 violoes e um baixo. Havia pecas soltas da bateria, um bumbo com o nome "Albertane Tour" era o objeto mais desconexo no palco, foi engracado.

Nem se eu quisesse, eu me lembraria de todas as piadinhas que eles faziam, entao nao vou me preocupar com elas aqui, mas geraram boas risadas o tempo todo. Nao tinhamos nada em maos, pois a producao pegou todas as bolsas, maquinas e carteiras das pessoas. Taylor vestia uma calca Jeans justa, dobrada ate o inicio da canela, camisa de malha branca por dentro da calca, com suspensorio vermelho, barba e um Tom's preto. Zac estava com a mesma roupa da caminhada: tenis preto, calca justa preta, cinto marrom, camisa preta com estampa de uma sinalizacao de transito horizontal, escrita "Turn Left", cabelo amarrado, barba feita. Ike estava com uma camisa cinza para fora da calca, gravata, calca jeans reta, sneakers, cabelo com gel. Ok, vamos as musicas, Eu me esforcei ao maximo para me lembrar de tudo que aconteceu, vou tentar, na ordem foram:

1) Carry you there // Comentaram que foi uma das musicas escritas no Fool's desse ano e que eles tocaram a musica no Tin Pan Fest. Taylor tocou piano, Ike violao, Zac tocou o cajon, FANTASTICO! Eu nao gostava da musica, mas passei a amar! Maravilhosa! Muitas pessoas estavam chorando ja nessa primeira.

2) These Walls // Mantiveram a formacao, Ike ainda estava tocando violao. Zac usou o ganza. O clima nao mudou tanto de "Carry you there" para "These Walls".

3) Kiss me when you come home // Tambem disseram que era uma musica que estao trabalhando e que pode entrar para o cd. A expectativa de ouvir musicas novas, confundia com a vontade de ouvir musicas que eu ja conhecia e gostava muito. No meio da tensao toda, ficava dificil memorizar versos da musica. Zac e Ike cantam trechos. Zac tocou bateria, Taylor usou teclado, Ike nao estava tocando nenhum instrumento de cordas, se nao me engano, foi nessa faixa, o que me fez pensar se era intencionalmente, ou se e era porque ele ainda nao havia composto as cordas para a musica.

4) Make it through the day // Ike faz lead nessa musica. A emocao que ele coloca nela destruiu meu conceito de que nada que ele cantasse conseguiria ser melhor que “Being me”. “Make it through the day” conseguiu ir alem. A melodia e bem mais lenta e Ike usa o baixo apenas. Para quem ouve musicas cristas e conhece Matt Redman e
Delirious, essa musica tem um sentimento Delirious old-school, carregando uma urgencia emocional, uma confissao muito honesta. O instrumental parece fluir marcado pela respiracao e oscilacao dos versos, que culminam em um refrao que nao se repetia muito. Ike cantou quase que o tempo todo de olhos fechados e muito concentrado, dava para ver quando os olhos ficavam entreabertos e virados, levado por um "quasi-transe".

5) Use me up // Posicoes trocadas, Zac agora estava no Wurlitzer, Taylor na bateria e, claro, piadinhas sobre ele nao ser tao bom na bateria surgiram a partir desse momento. Ele foi bem, a marcacao da bateria era super simples. O teclado era bastante sombrio, parecia simples demais tambem, para faixas com Taylor no teclado, mas esse foi o momento do Zac, ele alcancava notas que eu nao tinha visto ele alcancar tao bem, a expressao no rosto dele nao era de conforto, mas tanto faz, o resultado estava perfeito e havia muita emocao e presenca na musica.

6) Musical Ride // Taylor agora nao tocou a bateria, mas tocou o meia-lua e o ganza ao mesmo tempo. Zac continuou no teclado. Melodia pop que vai colar facil se for lancada, potencial para radios.

7) Make it out alive // A letra me fez pensar que talvez ela seria batizada "A matter of time". Balada romantica, com potencial para o novo cd tambem.

8) Waiting For This // Super upbeat e a banda pede o publico para repetir as frases "Shout it out/ You can't deny it", junto com eles. Super funciona ao vivo, logo tambem parece ser uma boa escolha para um novo cd pop e fresh.

9) Never let go // Taylor anunciou que cantariam faixas de cds exclusivos da H.net a partir desse momento. Ele tocou o comecinho de “Never ...“, para dar um gostinho e isso me fez perceber uma conexao do piano de Never let go, no inicio, com a mesma base de "A song to sing". Pianistas que lerem o review, me ajudem aqui se eu estiver errado. Eu amo “Never let go” pelo que ela representou para mim na epoca em que ouviamos aquela demo incompleta. Quando recebi o kit e ouvi a musica inteira, foi um deleite ouvir o final. O amor doador que vejo ser comunicado nessa musica transcende o amor humano efemero e me conecta com o amor "Agape" de Cristo, que esta acima do amor "fileo" de pais para com seus filhos, entre irmaos e amigos. Taylor terminou a musica com louvor, tocava como se ninguem estivesse o vendo, explorando texturas em sua voz, que nao estao no cd.

10) Letters in the mailbox // Seguindo o momento de solos, Zac levantou o clima do teatro nessa musica. Quase no final, Taylor entrou no palco, sentou-se na beirada e comecou a conduzir o publico com os bracos de um lado para o outro e sugerindo que todos cantassem, ficou um coral suave, agradavel, que adornou a voz do Zac. Se essa musica sair no EP, vai ficar muito linda! Taylor fez gestuais bem estranhos, como "dedo do meio" e "banana" com o braco.

11) I am // Zac continuou no teclado. Ike estava tendo dificuldade para afinar o violao para essa musica. Ele tentou e nao estava conseguindo se lembrar das notas. Entao Zac tocou no piano o incio, todos vibraram. Ike deu a entender que havia se lembrado e estava pronto, Zac fez um comeco majestoso, no piano e no vocal. Ike continuava com uma expressao de inseguranca e antes de terminar a primeira estrofe, ele interrompeu o Zac, dizendo que nao ia acompanhar nessa musica, Zac o olhou com repreensao. Ike tornou ensaiar um pouco e pareceu estar certo. Recomecaram e ele foi pegando, da segunda estrofe em diante e tudo saiu perfeito. Acho que foi em “I am”, que mais uma vez o piano me lembrou da base de outra musica, “This time around”. Mais uma vez, pianistas ...

12) Down // Ike nao estava se lembrando em qual kit “Down” estava e o publico ajudou. Ele disse que era a idade. Taylor voltou ao teclado, que estava tendo um problema no cabo, ele zoou o som que estava saindo. Ike inventou de tentar ajudar, o assistente de palco trocou o cabo e deu certo. Taylor agradeceu.

13) Take our Chances // Mais uma do kit de 2007, parece ter sido uma boa escolha, pois todo mundo se sentiu presenteado com a musica. Nessa musica, Taylor disse que nao precisavamos mais ficar calados e quietos, entao todo mundo aproveitou ao maximo. Batemos palmas e cantamos juntos, a vontade era de levantar, pular e dancar. Zac colocou toda a energia dele nessa musica e em “Down”.


Houve uma sessao de respostas das perguntas enviadas online, responderam aproximadamente 6 perguntas, acerca de temas dos cds, como ja disse, eles nao pensam em um tema e constroem o cd em cima dele, tensao com gravadoras, dominacao por empresarios que nao entendem nada de musica, falaram sobre serem artistas e valorizarem o que fazem e o que outros artistas fazem, projetos, cena musical, o que mudariam na cena musical se pudessem, dificuldades no inicio da carreira, no momento de transicao de uma estado totalmente independente, para colaboracoes com outros compositores e o dominio de uma gravadora, assumindo que o que herdaram, parte se deu por eles, como banda, terem assinado o contrato, mas nao tiveram problemas com os profissionais que colaboraram com eles, apenas com a gravadora. Ao responderem uma das perguntas, sobre o que achavam que estariam fazendo hoje, se nao tivessem deixado a Island, eles foram corajosos e disseram de forma bem humorada, que talvez estariam trabalhando em “Underneath” ate hoje, ou que toda a tensao os levaria a um suicidio coletivo e que isso seria um choque nos jornais.

Eles agradeceram e ficaram super lisongeados quando todos se levantaram e aplaudiram de pe. Avisaram que voltariam para tirar fotos com todos.

Assim que voltaram, chamaram a fila em que eu estava, fomos ate a frente e no empurra pra la e pra ca, acabei ficando do lado do Zac. Eu nao tinha uma preferencia, mas fiquei feliz por ter ficado perto dele na foto. Bateram a foto e acenei para ele, dizendo tchau, tomado por um sentimento de despedida. Ele abriu um super sorriso e estendeu a mao para mim, dei a mao a ele e ele sacudiu com muito entusiasmo. Disse obrigado e adeus.

Saimos do teatro, Carol e eu, resolvemos esperar do lado de fora e somente vimos sairem o Taylor e o Zac, cada qual em um carro. Voltei ao hotel e no dia seguinte estava em casa de volta, preenchido pela costumeira nostalgia que me acomanha ha 12 anos, por estar tao fortemente ligado ao que a musica do Hanson causou em mim, durante esses anos.


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