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Friday, July 13, 2018

Amar é uma pessoa


O amor é algo tênue
Não queremos desperdiçar fôlego
com o que consideramos desnecessário

O amor é algo tênue
Ninguém consegue ver
que, no recôndito do lar,
Estamos infelizes - Isso fica entre mim e você

O amor é algo tênue
Muitos para prover
Transformamos em arte o desmazelo com o que não queremos ver

O amor é algo tênue que tenta nos libertar
Sinto a vida se esvair neste cativeiro

O amor é algo tênue
gritando dentro de mim
Como uma sirene no auge da emergência

O amor é algo tênue (demais)
para que o mundo o perceba
E nos lembre que o coração
jamais abrigará nossos pesares

Cuide de meu amor, enquanto dorme esta noite
Cuide de meu amor, enquanto dorme esta noite

Um dia, em breve
Abriremos os olhos
Estilhaçaremos as janelas e voaremos

Um dia, em breve
Quando todas as palavras parecerem erradas
Seu coração baterá forte
E seguirá batendo

Skin & Bones | Inland (2013)
Jars Of Clay​


Alguém consegue viver sem isso? O contato humano cada vez mais escasso? Um sentimento tão forte (feito fraco) não pode ser apenas um sentimento ou uma ação. Ele está personificado nesta faixa, assim como a sabedoria foi personificada em Sister Mother, do Sixpence None the Richer.

O amor pode ser tanto quem exerce a ação como quem é objeto do amor, uma pessoa incorporada naquilo que o amor de fato significa, ações que fluem de amar o próximo, do amor Ágape, do amor no centro de tudo, do ser amor.

O amor tem que ser aspiração, o parentesco por que deveríamos anelar; amor como mãe, pai, avós, irmãos, filhos, primos, sobrinhos, netos, amigos. Não é uma teoria ou conceito apenas, não é ciência, nem filosofia. É alguém presente. A materialização do eu exercendo o chamado humano.

O amor personificado não espera exclusividade de tempo. Não posso incorporar o amor em tempo parcial, ele deve ser o condutor o tempo todo, mesmo quando não seguimos seus comandos. Alimente bons atos mas entenda que nem todos serão recebidos como atos de amor e nem sempre seremos capazes de conceber esses atos. Não se sinta frustrado.

Experimente ações simples como estar presente, escutar, tocar, abraçar. A linguagem é universal e ao mesmo tempo pode ser única, pessoal. Ao perceber que há uma diversidade de dialetos na personificação do amor, compreenderemos que ainda temos muito que aprender.

"Quando chega a morte, não é da nossa ternura que nos arrependemos: é da nossa severidade" ― George Eliot

Monday, September 19, 2016

Flores pelo asfalto



Não se preocupe, vamos sobreviver
sorrisos forçados, sob a luz frágil e fria
não há conforto nos lugares familiares, não desta vez
Você o mantém no mais profundo interior
Nem sinal de inundação, mas as águas continuam a subir
Flores pelo asfalto, diamantes nas bolsas de seus olhos
vire o rosto e o esconda

Eu vi uma mulher, com fitas no cabelo
idosa e solitária, tão bonita que tive que parar e fitá-la
A fonte não secará
Se acordar no meio da noite
as paredes cairão, deixando entrar a luz
não é preciso se preocupar
Até os anjos choram

Even Angels Cry | Jars of Clay


Esses versos me transmitem o conforto nas palavras de alguém muito querido, tentando lembrar que apesar de todo o sofrimento, não é preciso se preocupar, ainda que estejamos em um quarto escuro, a luz invadirá e suplantará a escuridão.

Quando sentimos que não há mais esperança, ficamos sem visão e com medo. Nada disso nos torna únicos em nosso sofrimento. Todos sofremos, pecamos, erramos, precisamos de ajuda, pessoas, amor, milagre, conforto. Essa semelhança universal é que nos aproxima.

Não tenha receio de expressar sua humanidade. Choramos, somos falhos e fracos e quando não mais suportarmos a dor, lamentamos. Isso é um traço humano.

Há uma mensagem bastante humana nestes temas: sofrimento, desespero na sobrevivência, o cenário de destruição, portas fechadas, cansaço, desgaste, solidão, pessoas queridas, familiares, todos esquecidos, abandonados, sem identidades. O campo de guerra, onde todos se tornam em seu próximo, todos viram companheiros numa luta por sobrevivência.

Em situações assim, você deseja ouvir algo que alimente sua esperança. Talvez nem mesmo sua própria casa seja um lugar seguro e confortável e passa a ser alvo de destruição também, como tudo em volta. As palavras de conforto virão, mas e o cumprimento delas? Não é certo.

Friday, January 30, 2015

Importar Objeto de Sua Banda Favorita

:)

"Haverá mentirosos e ladrões que roubam de você" - Boys, Jars of Clay, Long Fall Back to Earth (2008).


Eu amo o Brasil, mas não sou patriota. Posso afirmar que fui influenciado por poucos elementos do país que definem seu povo. Eu amo esta terra, mas não amo o governo sobre ela. Eu amo a comida (menos os pratos com carne), mas não amo os hábitos brasileiros, no geral. Não amo o dia-a-dia de um brasileiro e menos ainda parte das leis brasileiras que, de vez em quando, atingem um cidadão comum. Amo ser brasileiro, mas não sei se estou orgulhoso disso.


Se já está chato ler até aqui, a partir de agora vai piorar. Para quem não compartilha do que eu penso, se você já está achando isso aqui uma buzanfa e prefere não ler, recomendo que não leia mesmo.
Virei um chato, um chato insuportável. Sou chato mesmo. Sou reclamão, sou ranzinza, sou chorão, crítico, nervoso e impaciente e criei uma legião de pessoas antipatizadas comigo por ser assim. Não sou rico, não ambiciono ser, não esbanjo o que não tenho, não encho a boca para falar de posses e atributos que não me definem. Sou geralmente aquilo com o que você se depararia e não pretendo parecer ser nada mais que isso. Portanto, posers me irritam, wannabes me irritam e dinheiro também me irrita. O dinheiro que eu não tenho me irrita, o que eu tenho me mata, mas o que roubam do que eu tenho, ou até do que eu não tenho, isso me irrita mais ainda.


Falo palavrão no banco, no restaurante, no trânsito, nos passeios, em casa, em estabelecimentos comerciais, menos em lugares onde ninguém estranharia ouvir um palavrão, pois nem lá eu vou e se fosse, não saberia me comportar - estádio de futebol, por exemplo. Quer saber, pelo menos nisso eu não estou sendo roubado, pois me afasto totalmente de futebol (eu disse que não sou um típico brasileiro).


Eu estou precisando mesmo é soltar um palavrão. No dia 12 de novembro de 2014, fiz uma compra pela internet no site do Jars of Clay (banda). Valor: $79.90 (aproximadamente R$200,00). Até hoje não havia visto a cara do produto. A loja dividiu o produto em 3 partes:


A) (1) Camisa (1) CD (4) Pins
B) (2) Discos de vinil (1) CD
C) (1) Poster dentro de um canudo
A primeira parte chegou hoje (acima). Total: $24.00. Para ter um produto que me custou R$60,00, eu tive que pagar:


Para a Receita Federal:
- R$12,00 pelo despacho.
- R$37,61 de importo de importação.


Para a Receita Estadual:
- R$24,64 (não sei dizer o que foi pago aqui).


Total: R$74,25.


Ou seja, 124% do valor da compra. Novamente, os objetos são: 1 camisa, 4 pins e 1 cd, itens que não estão disponíveis no mercado nacional, não são produzidos por nenhuma empresa nacional, logo não prejudiquei a economia do país, gastando sessenta míseras unidades de real. PUTA MERDA. O que são R$60,00 para a economia? Nada. Para mim é o preço que estou disposto a pagar por itens de uma banda que aprecio. Os R$74,25 foram arrancados de mim à força pelas receitas federal e estadual, afinal de contas, minha mão já estava até tremendo de ansiedade na hora em que vi o pacote com itens comprados há mais de 2 meses, mas que devido à morosidade e burocracia dos processos neste país, pareciam nunca chegar. Quando você se depara com essa situação, a vontade é de ser marginal, matar alguém com toda a sua raiva, como forma de protesto, mas somos bundões e não fazemos isso, somos fracos demais para ir contra o governo.


Insatisfeito com a tributação que minha compra sofreu, fui informado que tenho até o direito de contestar, mas eles deixam claro que, entre hoje e o dia 18 de fevereiro, se a disputa não for resolvida, eu começo a pagar juros. Ou seja, mais de 2 meses para receber 1 camisa, 1 cd, 4 pins, mas apenas 18 dias para resolver minha insatisfação, cuja solução dependerá SOMENTE DELES. Final da história, estou R$74,25 mais pobre e mais magoado. Além disso, já estou tenso só de pensar o quanto eles vão me roubar [atualizado no final deste texto] para liberar os dois discos de vinil e o pôster (um pedaço de papel que só tem valor para os fãs).


Apenas para dar uma utilidade a este texto, veja esclarecimentos dados pelo site da Receita:

Isenções:


"Remessas no valor total de até  US$ 50.00 (cinqüenta dólares americanos)  estão isentas dos impostos ,  desde que sejam transportadas pelo serviço postal, e que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas ".
 


O jeito é passar a perna no governo Braseeeel:

1) Se você tem um amiguinho no exterior, envie sua comprinha de menos de USD50.00 para a casa dele. Os EUA são tão generosos que muitas lojas te dão o frete de graça, talvez você nem pague pelo frete.


2) Depois disso, seja um cara-de-pau e peça ao amiguinho para enviar sua comprinha baratinha de menos de USD50.00 via postal (USPS nos EUA). Se for possível, ele pode escrever uma cartinha afetuosa, informando que aquilo é um presente, para nenhum fiscal filho da puta criar caso com seu objeto. Resultado: você pagará o valor devido da compra e apenas o frete internacional (USPS First Class Mail Intl).


3) Você só terá que ser paciente, pois vai demorar mais de 2 meses, a menos que você pague mais caro (USPS Priority Mail Intl).


Eu sempre soube disso tudo, mas normalmente não recorro a esse mecanismo, pois não quero incomodar os amiguinhos que tenho nos EUA e nem pagar de espertão. Mas quem não paga de espertão TOMA NO C...oração. Fica mal, arrasado, chateado e só consegue curtir os novos itens da coleção algumas horas depois de levar a facada, com isso desejar que as autoridades do país morram e desejos de paz afins.


Veja o gráfico da situação:



Atualização: Alguns dias depois, eu paguei R$189,00 para retirar a caixa com o vinil. No dia 6 de fevereiro tive que retornar à agência dos correios, cujo gerente é ridículo, para retirar o pôster, que veio em um tubo de papelão. Novamente, a Receita estava me cobrando + R$189.00, pois o pôster continha uma etiqueta dizendo que ele era o "kit" e que havia custado USD70.00. Erro da loja do Jars, mas falta de bom senso do fiscal da Receita. Bastava ele ver que aquilo era apenas um pôster e não um kit inteiro. Além do mais, eu já havia feito o pagamento de R$189,00 em tributos, relativos àquele kit que inclui o pôster. Final da história, naquele dia, eu me recusei a retirar o pôster e fiz um pedido de reexame do material, pois o valor cobrado é indevido.

Depois de mais de um mês brigando por email, com o Fiscal da Receita em Curitiba, que fingia que não entendia o que eu estava falando, sempre pedindo a mesma coisa já enviada mais de mil vezes, depois de muitos protestos e muita súplica, ele deferiu meu pedido de reexame e eu consegui retirar o meu poster, sem pagar a taxa de novo.

...

Friday, January 02, 2009

"The Long Fall Back to Earth"



Depois da turnê de Natal "Love Came Down: A Christmas Pageant" e dos feriados, Jars of Clay começou a dar os últimos toques no cd "The Long Fall Back to Earth," seu próximo CD de estúdio, que sai dia 21 de Abril de 2009. Como tecladista da banda, Charlie tem uma participação mais proeminente.

"O cd realmente tem mais texturas de sintetizadores, certamente mais que estamos acostumados," ele disse. "Nós buscamos influências principalmente em nossas raízes dos anos 80 -- INXS, Tears for Fears, The Cure. Foi um tempo muito divertido em busca dessas atmosferas."

Outras influências:

- Lykke Li
- Submarines
- Brooke Waggoner
- Gemma Hayes
- Lisa Hannigan
- Depeche Mode
- Keane


A nova música "Hero" aparecerá nas propagandas do seriado "Kings" da NBC, um drama com Ian McShane que deve estreiar em 19 Março de 2009 depois do encerramento de "E.R.". Trailer Aqui. Pode-se ouvir a música ao fundo.

"Este será um momento legal de preparação para o novo cd," diz Lowell.

Este ano, o Jars of Clay celebrará seu 15º aniversário, um número que Charlie pensa ser até difícil de se acreditar. Depois do hit "Flood" -- que os lançou ao estrelato em 1995 -- eles decidiram ser eles mesmos, em vez de se preocuparem com as expectativas do rock secular ou cristão.

"Foram anos meio malucos, tentando entender quem éramos e a quem deveríamos ouvir," disse Lowell. "Foram várias vozes diferentes gritando com a gente sobre quem deveríamos ser. Em algum lugar da estrada, você tem que encontrar sua voz autêntica e o que te deixa mais feliz," ele acrescenta. "Você não pode agradar a todos. É sempre ruim se você faz isso, ou aquilo, portanto decidimos fazer o que amamos e de alguma forma, alguém vai nos apoiar."

O título do cd fora apontado no verão americano, como uma das propostas, agora é o oficial.

A data de lançamento vai ser dia 21 de Abril, antes era 07 de Abril, o que em inglês seria April 7th (4/7), que é o dia não oficial do Jars of Clay, já que brinca com os números 4:7 (versículo da carta aos Coríntios, que originou o nome da banda).

O novo single será "Two Hands", começou a tocar nas rádios americanas no final de Janeiro.

"Safe to Land", do EP Closer, entrará no cd, já que seu título saiu da letra dessa música.

Charlie disse que o cd vai ter 14 faixas, de uma lista de até 18 canções que consideraram interessantes de serem gravadas.

"É difícil dizer como o cd está, pois muda dependendo de cada música que acrescentamos ou deixamos para fora do pacote. Tudo que sei é que estou amando até então e cada uma das músicas tem desafiado a banda musicalmente. Estamos entrando em alguns dos temas iniciados em "Good Monsters" e forjando o cd em direção a áreas ainda não exploradas também. Alguns dos sintetizadores legais que usamos (para os fãs de sintetizadores dos anos 80) são: Roland: Jupiter8, Korg D-10, Oberheim Matrix6, Sequential: Prelude, muitas baterias, Yamaha CP-70 etc. Começamos a mixar o segundo lote de músicas com o Jay Ruston, nosso bom amigo que mixou boa parte de Good Monsters e nosso parceiro no crime e na arte, Vance Powell... (que está fresquinho, pois acabou de gravar a música tema do último James Bond ... sim o tema de Jack White/Alicia Keyes.). Nossa amiga Katie Herzig foi convidada para cantar em algumas faixas, inclusive em "Headphones," da qual alguns de vocês já ouviram algumas versões ainda embrionárias (nos shows)." comenta Dan H.

O Tracklist oficial conforme a banda é:

1- The Long Fall
2- Weapons
3- Two Hands
4- Heaven
5- Closer
6- Safe To Land
7- Headphones
8- Don't Stop
9- Hero
10- Boys(lesson one)
11- Scenic Route
12- There Might Be a Light
13- Forgive Me
14- Heart

O Jars não tem novos planos ainda de virem ao Brasil, mas como presente de consolo, eles deram um olá aos fãs brasileiros, no show realizado na cidade de Merrillville, IN, no dia 14 de Dezembro de 2008, agradecendo pelo apoio ao projeto Blood:Water Mission, na caminhada que aconteceria em Brasília, no dia 10 de Janeiro. Confiram
aqui o vídeo.

Esta caminhada também contou com fãs das bandas Sixpence None the Richer e Hanson, ambos apoiadores do Blood:Water Mission e conscientes sobre a caminhada que levantará fundos para auxiliar famílias vítimas da epidemia de AIDS e falta de água limpa, nas comunidades da África.


Juca
Comunidade Fan Club Earthen Vessels
www.bloodwatermission.com



Friday, October 17, 2008

jars of clay - kansas city, mo - 11 de outubro 2008



Esta resenha é sobre meu primeiro show do JoC. Durante anos tenho lido várias resenhas, tentando absorver um pouco da experiência de ver o Jars of Clay ao vivo, quanto mais eu lia, mais eles fomentavam minha vontade de ir a um show da banda. Sei que isso acontece com a maioria dos fãs no Brasil.

Kansas City, 11 de Outubro >> O show do Jars of Clay estava marcado para começar às 6 da tarde em ponto, assim foi com todos os shows da turnê Music Builds Tour. 30mins antes do show eu cheguei ao Teatro Starlight Theater, dentro do Swope Park, procurei o stand do Jars, mas não havia nenhum. Havia um stand do fan club do Switchfoot e do Third Day, para que as pessoas se cadastrassem e pudessem encontrar com os caras das bandas, antes ou depois dos shows. Havia materiais do Jars à venda em outro stand, com vários itens do Switchfoot e do Third Day.

Fui para meu lugar, em frente ao palco, um pouco para a esquerda e esperei ansioso, esticando o pescoço para ver se eles estavam do lado do palco, esperando para entrar. Matt estava lá, logo vi Charlie e Dan, depois os outros também, todos em roupas brancas, que era o figurino que estavam usando nesta turnê, tentei tirar foto, mas estavam longe e escondidos ainda. Antes que eu me preparasse, os 6 entraram e ocuparam suas posições e um som estrondoso dos instrumentos tomou conta do lugar, junto com os aplausos da galera (ainda não estava muito cheio naquele momento). Sendo a primeira vez que eu os via, fiquei observando admirado, quase não acreditando que aquilo realmente estava acontecendo.

O som que vinha do palco, unido aos aplausos do público, foi quebrado pelo coro de Flood, desferido perfeitamente na nova versão “but if I can't swim after 40 days and my mind ...”!!! Começo perfeito para o primeiro show! O setlist foi o seguinte:

* Flood
* Love is the protest
* Closer
* Love song for a savior
* I need you
* Heaven
* Dead man
* Work

Encore

* I’ll fly away (com Third Day e Robert Randolph)
* When love comes to town (todos juntos)

Durante todo o show, tirei muitas fotos, curtindo cada verso de cada música, pulando e dançando e andando de um lado para o outro, para pegar melhores ângulos de cada um. “Love is the protest” praticamente me fez perder o medo e a timidez por ser aparentemente o único estrangeiro naquele lugar. A maioria das pessoas ainda estavam assentadas e eu estava em pé o tempo todo, dançando ainda timidamente para não atrapalhar ninguém. Dan falou sobre a faixa “Closer”, explicando que recentemente lançaram o novo EP, portanto a próxima música seria a faixa-título do EP... as pessoas riram, pois ele falou de maneira engraçada, desajeitado, tentando explicar o fato do Ep ter o mesmo nome da proxima música. Ele pediu a todos que se levantassem e todos se levantaram. Antes de tocarem “Love song for a Savior”, ele informou que duas faixas antigas estavam no EP, sendo Flood a primeira que haviam tocado e agora tocariam Love Song. Ele pediu que todos cantassem com ele e a galera cantou junto. Gabe estava maravilhoso com o tambor que usou nesta música, nem precisa comentar sobre a habilidade deles com cada um dos instrumentos. Dan estava super centrado na voz, às vezes parecia que estava decepcionado com o público, ao ponto de fazer simplesmente o MELHOR que ele sabe (e sabe muito), para quem estava lá e se importava com o show, sendo que eu estava entre os que estavam amando o show. Back vocals perfeitos. Eu caminhava de um lugar para o outro, para tirar fotos, acenar para eles, algumas vezes parecia que o Charlie estava olhando. Steve tocava com muita intimidade ... muito concentrado, Dan se movia de um lado pro outro o tempo todo, quase impossível saber onde ele estaria no próximo minuto, Matt permanecia quieto, muita paz emanava de seu rosto, até então ele estava o mais longe de minha cadeira, mas rapidamente mudei para o lado que ele estava no palco. Havia algumas cadeiras vazias ali na frente, portanto eu podia me movimentar para diferentes cadeiras sem problema, mas os seguranças ja estavam ficando irritados comigo, quando comecei a ocupar um pedacinho do corredor para ficar pulando.

Dan agradeceu a todos e antes de cantar “I need you”, o Steve perguntou quantos de nós estavam lá, na última vez que eles tocaram naquele teatro, ele ficou com a mão levantada, mas pareceu muito decepcionado quando, pelo que percebi, ninguém havia levantado a mão . Algumas pessoas fizeram um som de surpresa e lamento, como se dissessem “ninguém estava aqui ... foi mal”. A expressão no rosto do Steve mudou para uma expressão de decepção e ele não continuou com o que ele ia dizer... Dan seguiu com o show e cantaram “I need you”. Tenho certeza que no Brasil, o povo jamais ficaria quieto como eles ficam aqui, pelo que conheço de público no Brasil, além de ficarmos em pé, as pessoas se divertem muito, pulam, empurram, gritam, cantam todas as músicas etc, mesmo sem saber a letra ... fiquei irritado que o povo estava calmo demais, mesmo sabendo que este não era um show normal do Jars, pois eles foram convidados pela organização do Music Builds Tour, para viajar com as outras bandas e eles não estavam relacionados na maioria dos anúncios, portanto a maioria das pessoas que foram lá, eram fãs do Third Day, Switchfoot ou Robert Randolph. De toda maneira, eu não fiquei parado, estava com minha camisa azul, que amo, não só por que é muito bonita, mas por que tem as cores da bandeira brasileira. Vocês concordam comigo que um brasileiro no meio de americanos é facilmente notado, principalmente se for a única pessoa que estava usando uma blusa azul chamativa que atraiu a atenção deles.

Dan anunciou que eles irão lançar um novo cd em Março do ano que vem e que a próxima música chamada “Heaven”, seria para este novo cd. Heaven foi diversão pura, Dan faz performances ótimas em Heaven e em Dead Man, que foi a próxima música, que ao vivo é DEMAIS. Eu nem estava me sentindo mais intimidado, dançava e pulava e seguia os movimentos que o Dan fazia. A última faixa foi Work. Eu sabia que se eu quisesse ser um dos primeiros a pegar autógrafo, teria que sair antes de terminar a última música, mas Work é uma de minhas preferidas. Dan parecia marchar durante esta música, foi uma das melhores, os 6 se reuniram na frente do palco, agradeceram e o Matt caminhou para o lado que eu estava e jogou sua palheta para mim, abaixei para pegar e sai correndo para a mesa de autógrafos. Eu sabia que eles iam sair por lá, fiquei esperando na porta, antes que eu pudesse pensar no que dizer, a porta se abriu e o Dan foi o primeiro a sair, ele me viu, sorriu pra mim e eu disse “Hey”, ele respondeu “Hey cara, que legal te ver aqui” e se aproximou para me cumprimentar e parecia procurar a mesa onde dariam autógrafos, Aaron, o gerente, estava ajudando. Eu perguntei “Vocês terão tempo para dar autógrafos etc” ele confirmou que fariam isso a qualquer momento, era só uma questão de organizar tudo para começar, pois ja havia muitos fãs em volta naquele momento. Fiquei perto o tempo todo, quando ele voltou a falar comigo, eu disse “Eu sou do Brasil” e ele respondeu como se quisesse dizer “claro que eu sei quem é você”, mas na verdade ele respondeu “Eu SE-E-E-E-I … você é o Juca da internet, muito legal te ver aqui” e eu, surpreso por ele se lembrar, confirmei com um mega sorrisão. Naquele momento eu estava ocupado dizendo oi para o Charlie também, que veio logo após Dan e sorriu para mim também e perguntou se eu era o carinha do Brasil, ele havia me falado antes, que eles tocariam às 6 em ponto e que dariam autógrafos na mesa ao lado do palco. Ele perguntou meu nome, para ter certeza que era mesmo eu. Fiquei sem graça e não sabia o que comentar, apenas respondi “Sim, Sim, sou eu mesmo” e disse a ele meu nome (Juca of Clay duh). Ele ficou repetindo o tempo todo que estava muito feliz em me ver la ... Matt estava bem atrás dele, Gabe também, Jeremy não apareceu, pois pelo que eles comentaram, ele estava passando mal a semana toda.

Apesar de querer abraçar a todos, somente quando o Matt veio dizendo um tanto de coisa como ter gostado de me ver lá, perguntar como eu estava etc, foi que eu me lembrei que eu queria dar um abraço neles e automaticamente eu o abracei, dizendo que estava bem, que não acreditava que estava lá e ele me abraçou de volta. Steve estava distraído, Matt o chamou, depois de eu te-lo chamado e ele não ter ouvido. Ele olhou para trás e me viu com aqueles olhos grandes azuis e berrou “HEY!” Com a vontade de rir na hora e o desespero sem saber o que dizer, eu só consegui berrar de volta “HEY”, nos cumprimentamos e logo o Aaron começou a falar com a galera para entrar na fila.

Os Jars estavam tentando ir para o outro lado da mesa, mas havia umas plantas ao lado, pequenas árvores, quando perceberam que teriam que atravessá-las, para chegar do outro lado da mesa. Dan e Steve batizaram as árvores na hora de “as árvores secretas”, eu ri demais! Um a um ele atravessaram as árvores secretas, mas um minuto depois tiveram que voltar, pois o cara havia decidido que era melhor ir para outra mesa, longe do merchandising. Eles caminharam até a outra mesa, a galera foi toda atrás, organizadamente, eu fui caminhando ao lado deles, sem saber o que falar, pois eles continuavam falando que estavam felizes que eu apareci. Eles se organizaram para os autógrafos, eu tinha que tirar todos os encartes que eu tinha levado na minha mochila, papéis, o livro do Dan etc, quando estava pronto, Matt era o primeiro na fila, eu disse a ele que tinha um tanto de coisas para assinar, mas não ia pedir a eles para assinarem tudo, pois sabia que eles não tinham muito tempo, mas ele disse que não tinha problema, que eu podia passar tudo pra ele, que ele passava pra frente e a galera assinava. Então entreguei a ele dois Greatest Hits e um Closer EP e a pasta que eu levei com os cds, ele assinou esses, mas eu não quiz tirar mais coisas da mochila, ou ia acabar perdendo. Eu disse a ele que o livro que estava na mão, era o livro do Dan, para que ele assinasse para mim. Ao lado do Matt estava o Charlie, que continuava dizendo que estava muito feliz em me ver, (oO e eu muito burro, não sabia o que responder), ele também assinou os cds e a pasta e Steve assinou, repetindo as palavras do Charlie.

Nesta hora eles continuaram falando e disseram que já tentaram ir ao Brasil, que eles querem muito ir, vão continuar tentando, eu confirmei que eles têm muitos fãs no Brasil e que todos estão ansiosos pela ida deles e um pouco bravos, por não terem ido este ano. Repeti a história toda e eles lamentaram o que houve, que os impediu de ir. Eu disse que esperava estar no Brasil, quando fizessem um show lá. Eles perguntaram se eu me mudei para cá, eu disse que volto ao Brasil em Dezembro, mas voltava para cá pouco tempo depois, eles zoaram "huh vai ficar indo e vindo neh...". então, o Gabe, super simpático, falava sem parar e assinou os cds também, Dan foi o último, entreguei a ele o livro e pedi para assinar, ele sorriu quando viu, pegou com cuidado e assinou “You are Magnificent - DH”, perguntei a ele “Dan, vocês terão tempo para uma foto de todos juntos comigo”, ele disse que na verdade, só ele teria que voltar para o backstage em breve, mas se eu conseguisse alguém para tirar a foto, eles parariam de assinar e tirariam a foto comigo, tentei fazer isso, mas não deu certo, pedi ao cara que estava vendendo os Eps, ele disse que não poderia parar, mas me perguntou de onde eu era, respondi e ele disse que só por que eu era brasileiro, faria aquilo por mim. Ele é de São Paulo e trabalha com o Third Day. Porém, ele tirou a foto numa pressa, que mal pegou o Dan e o Matt. Steve estava olhando para outro lado, somente o Gabe olhou para o cara na hora da foto. Urhhhggg!!!! Voltei ao Matt e pedi a ele para assinar meus 2 Live Monsters Eps, todos assinaram. Dan tirou várias fotos com várias crianças e adultos, aproveitei e tirei a minha também.

Voltei para a fila, pedi ao Matt para assinar mais um Closer EP (Capa, disco e Poster/encarte) e disse a ele que seria para arrecadar fundos para a B:WM e para um concurso na comunidade Earthen Vessels que eu tenho no Orkut. Disse a ele “oi, eu de novo, desculpe-me por te dar tanto trabalho...” e ele disse “que nada... você merece...” e Charlie perguntou a ele o que estava acontecendo, ele disse e Charlie completou “Nada disso... você veio de muito longe ... merece” e mais uma vez virou pra mim e disse que estavam felizes que eu estava lá ... Gabe confirmou e assinou também, Steve e Dan assinaram também. Todos o tempo todo muito amigáveis, muito simpáticos, humildes, sempre tentando falar mais coisas, mas eu estava muito empolgado para acrescentar algo interessante. Nisso, veio um cara e levou o Dan para o backstage ... perguntei ao Gabe se a Disappointed By Candy estava vendendo os cds lá, ele disse que infelizmente não, mas que eu poderia comprar pela net. Fiquei lá os últimos 10 minutos, vendo-os assinando papéis, braços, mãos, camisas, ingressos, tirando fotos e já estava escuro no teatro, acho que neste momento, Robert Randolph já estava no palco. Era hora de eles irem, então me lembrei que eu estava com a palheta do Matt ... pedi a ele para assinar, ele assinou. Eles se foram, segui o grupo até a porta (pensando comigo mesmo, sobre como o Charlie é baixinho), aproveitei para ver como faria pra voltar para o hotel e comer algo.

A fila para comprar materiais estava enorme, Switchfoot foi anunciado, queria ver o show deles também, assisti o show inteiro, eles foram incríveis. Jon estava muito legal, cantou várias de minhas músicas preferidas, mas o momento mais especial foi quando tocaram “This is home”, quando bilhões de luzinhas azuis, brancas, rosas, roxas etc se acenderam no fundo do palco inteiro ... luzes vindas do alto criavam texturas na fumaça ... enquanto isso, solo de piano rolava no fundo ... qualquer pessoa na hora se apaixonaria pela banda, com sua paixão pela música e chamado, ele narrou sobre como escreveu a música, que não escreveu especificamente por que era para o filme, ele escreveu sobre o Lewis. Entre as músicas ele trazia mensagens ligadas aos temas, mas o povo pirou mesmo, quando ele desceu do palco e foi andando no meio da galera, foi até o fundo do teatro, entrou no meio dos bancos, e terminou “Fire” ali mesmo ... o show todo foi muito perfeito.

Voltei ao stand e consegui comprar minha camisa do Jars, mais tarde o Third Day veio e fez um show marcante também. No começo eu não havia prestado muita atenção, então quando cantaram “God of wonders”, decidi voltar pra frente e ficar em meu lugar, para curtir o show. Antes de voltar, eu estava isolado, de onde eu ainda poderia ver o palco, pensando em todos os momentos legais que havia tido com o Jars, depois de tanta espera e de ter passado por tanta coisa para chegar no teatro, neste momento, percebi que eu não havia sido bom o bastante, não tive a oportunidade de falar com eles tudo que eu queria falar e o quanto os amo, pelo que são. Então fiquei pensando, por que não chorei quando os vi? Muitas perguntas, muitos pensamentos vinham à minha cabeca, mas eles mudam completamente todo conceito que você tem sobre eles, o que já era ótimo, muda totalmente. Não se conhece estes caras de verdade, até o momento em que você consegue falar com eles. Então comecei a entender que eles são tão humanos, tão amigáveis e legais, pessoas tão humildes, eles conseguem fazer com que você se sinta especial e amado, que tudo que você fizer por eles, vale “muitas penas”. Ao mesmo tempo, você entende que eles são tão espontâneos e percebe o quanto é legal da parte deles, sairem e darem autógrafos, falar com as pessoas, senhoras, pais de família, jovens, crianças, todos elogiando a música, o trabalho e eles andando no meio de todo mundo, como qualquer outra pessoa, sorrindo numa humildade tão grande ... e os seguranças os tratando como se fossem o Barak Obama.

Mac powell estava super legal também, sorria o tempo todo e disse que o show de Kansas City era muito especial, pois era o penúltimo show da turnê, que para eles, era algo bom e ao mesmo tempo, ruim. Ele tocou em temas como família, que para eles, retornar para suas casas seria algo bom, mas que o tempo que passou na turnê, com as pessoas, com as outras bandas, fazia com que não quisessem que acabasse. Este show foi o último show da turnê num Sábado, por isso consideraram um dos melhores shows. Foi legal quando ele resolveu mudar o setlist e chamou uma fã para cantar no palco com ele. Ela cantava super bem, mas ele confirmou que eles nunca se viram antes. Foi fabuloso quando ele falou sobre seu amor por Jesus ao longo da carreira da banda e seu compromisso em falar sobre o que cantam e vivem. Comentou que já havia ouvido pessoas comentarem que nossa fé em Jesus não passa de muletas, por não sermos fortes o bastante para prosseguirmos em nossas vidas, ele disse que inicialmente ele pensou: “muletas?”, mas depois percebeu que estas pessoas estavam certas e que não somente precisamos de muletas, mas de um hospital inteiro, quando se trata de fé e viver para Cristo. Então ele orou pelas pessoas ali. O Grand Finale estava chegando, os caras do Jars já estavam esperando pela hora que o Mac os chamaria ao palco de novo, primeiro Robert Randolph foi convidado para tocar mais uma música, depois o Mac chamou o Jars, as pessoas vibraram, Mac perguntou se a gente não havia entendido direito e tornou dizer “Jarssss of Claaaaaaaaaayyy”, a galerou enlouqueceu, os caras do Jars voltaram com roupas comuns desta vez. Dan tomou conta e estava super comunicativo, o público interagiu cantando como um coro, junto com as duas bandas e Robert Randolph no piano, Dan e Mac revezavam na letra de “I’ll Fly Away”. Para a última música, Mac chamou os caras do Switchfoot, que entraram no palco enlouquecidos, com patinetes, pulando nas caixas, na bateria, zoando tudo ... Mac disse que a última música era um cover do U2 “When love comes to town”. Foi sem explicação. Momento maravilhoso vendo todos juntos. Eles agradeceram e deixaram o palco. Switchfoot e o Third Day tiveram encontros com os membros dos fan clubs apenas, não saíram para dar autógrafos.