Friday, July 13, 2018
Amar é uma pessoa
Friday, January 30, 2015
Importar Objeto de Sua Banda Favorita
Eu amo o Brasil, mas não sou patriota. Posso afirmar que fui influenciado por poucos elementos do país que definem seu povo. Eu amo esta terra, mas não amo o governo sobre ela. Eu amo a comida (menos os pratos com carne), mas não amo os hábitos brasileiros, no geral. Não amo o dia-a-dia de um brasileiro e menos ainda parte das leis brasileiras que, de vez em quando, atingem um cidadão comum. Amo ser brasileiro, mas não sei se estou orgulhoso disso.
Se já está chato ler até aqui, a partir de agora vai piorar. Para quem não compartilha do que eu penso, se você já está achando isso aqui uma buzanfa e prefere não ler, recomendo que não leia mesmo.
Eu estou precisando mesmo é soltar um palavrão. No dia 12 de novembro de 2014, fiz uma compra pela internet no site do Jars of Clay (banda). Valor: $79.90 (aproximadamente R$200,00). Até hoje não havia visto a cara do produto. A loja dividiu o produto em 3 partes:
Para a Receita Estadual:
Total: R$74,25.
Ou seja, 124% do valor da compra. Novamente, os objetos são: 1 camisa, 4 pins e 1 cd, itens que não estão disponíveis no mercado nacional, não são produzidos por nenhuma empresa nacional, logo não prejudiquei a economia do país, gastando sessenta míseras unidades de real. PUTA MERDA. O que são R$60,00 para a economia? Nada. Para mim é o preço que estou disposto a pagar por itens de uma banda que aprecio. Os R$74,25 foram arrancados de mim à força pelas receitas federal e estadual, afinal de contas, minha mão já estava até tremendo de ansiedade na hora em que vi o pacote com itens comprados há mais de 2 meses, mas que devido à morosidade e burocracia dos processos neste país, pareciam nunca chegar. Quando você se depara com essa situação, a vontade é de ser marginal, matar alguém com toda a sua raiva, como forma de protesto, mas somos bundões e não fazemos isso, somos fracos demais para ir contra o governo.
Apenas para dar uma utilidade a este texto, veja esclarecimentos dados pelo site da Receita:
Isenções:
"Remessas no valor total de até US$ 50.00 (cinqüenta dólares americanos) estão isentas dos impostos , desde que sejam transportadas pelo serviço postal, e que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas ".
O jeito é passar a perna no governo Braseeeel:
1) Se você tem um amiguinho no exterior, envie sua comprinha de menos de USD50.00 para a casa dele. Os EUA são tão generosos que muitas lojas te dão o frete de graça, talvez você nem pague pelo frete.
2) Depois disso, seja um cara-de-pau e peça ao amiguinho para enviar sua comprinha baratinha de menos de USD50.00 via postal (USPS nos EUA). Se for possível, ele pode escrever uma cartinha afetuosa, informando que aquilo é um presente, para nenhum fiscal filho da puta criar caso com seu objeto. Resultado: você pagará o valor devido da compra e apenas o frete internacional (USPS First Class Mail Intl).
3) Você só terá que ser paciente, pois vai demorar mais de 2 meses, a menos que você pague mais caro (USPS Priority Mail Intl).
Eu sempre soube disso tudo, mas normalmente não recorro a esse mecanismo, pois não quero incomodar os amiguinhos que tenho nos EUA e nem pagar de espertão. Mas quem não paga de espertão TOMA NO C...oração. Fica mal, arrasado, chateado e só consegue curtir os novos itens da coleção algumas horas depois de levar a facada, com isso desejar que as autoridades do país morram e desejos de paz afins.
Tuesday, November 29, 2011
“Frail” (revisited)
Opa! De volta com mais explicações do Dan. Ele já havia postado sobre “Frail”, desde Outubro! Onde eu estava que não li sobre essa postagem? Essa música me dá vontade de xingar um palavrão! Eu poderia ter usado várias imagens para ilustrar fragilidade, mas resolvi usar uma rosa, já que a música usa a imagem de rosa. Sem falar que eu mesmo bati essa foto, numa época em que muitas coisas eram representativas para mim, acho que muitas já morreram como a rosa. De acordo com o texto, acho que estou mais forte, talvez mais amargo, sem dúvida mais sensível, um pouco receoso. Temos mais análises dessa música, compartilhadas entre nós, amigos fãs da banda. Acredito que é uma das letras que mais debatemos ao longo dos anos. Ela é inesgotável.
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Desde a primeira vez que ouvi essa música, eu quis que o Jars fizesse algo com ela.
O violão com arranjos hipnóticos veio de uma fita cassette do Steve. Ele nem acreditava tanto nela assim. Acredito que ele estava apenas sendo humilde. Ele já tinha usado essa faixa como parte de uma apresentação de música que fez para conseguir uma bolsa na Faculdade Greenville College.
Mesmo não tendo acreditado tanto nela, ela tinha seu valor acadêmico de $300, que foi a recompensa que ganhou, como bolsa para a faculdade. Visto que ele passou os últimos anos daquela época, sob a névoa de artistas como Enigma, Deep Forest, Future Sound of London, a disposição dos arranjos evocava um grande senso de atmosfera e melancolia que precisava ser explorado mais adiante.
Então perguntei ao Steve se podíamos usar sua ideia e construir algo com ela. Ele concordou.
Então nos trancamos no estúdio do terceiro piso da faculdade, eu havia acabado de comprar um novo modelo de sintetizador, para incrementar nosso arsenal coletivo de teclados que no começo eram um Roland W-30, um Korg M1, um Korg 01W, que incluiria ainda um Kurzweil K2000S. (Apenas citei os teclados, pois eles foram parte vital da experimentação do Jars no início dos anos 90.)
Frail não teria entrado para nenhum cd, se não fosse pelo arranjo obscuro que descobrimos no sintetizador K2000S. Entrou por causa daquele arranjo e um trecho de bateria que o Depeche Mode havia deixado nítido e livre para ser usado em seu cd “Songs of Faith & Devotion”.
Acredito que a gravação de "Frail" que está na demo original ainda é um de meus momentos preferidos daquele projeto. Mas por mais legal que fosse a gravação, eu sabia que ainda não havíamos terminado aquela faixa.
Mesmo não tendo gravado uma versão de "Frail" para o ST, o humor e espaço daquela música foram um gancho importante para todos os cds que fizemos. Continuaríamos escrevendo em cada cd, em busca de uma música que capturasse aquele humor. Nenhum cd parecia estar completo, sem o nosso momento “frail”.
O primeiro cd já tinha esse momento, com “Worlds Apart” e “Blind.”
Começamos a escrever para o cd “Much Afraid” em uma casa alugada por nosso gerente de desenvolvimento artístico. Foi uma das primeiras coisas que eu quis tentar resolver para o próximo cd. Era sem dúvidas uma tarefa preocupante. Eu não havia percebido quanto peso eu havia dado àquela música até o momento que tentei escrever a letra dela. Eu estava dolorosamente ciente de que a letra errada poderia arruinar aquele trabalho musical maravilhoso.
Eu não tive muitos momentos como aquele em minha vida. Nunca tive um momento igual, desde aquele. Eu sonhei com a letra de "Frail". Era quase uma ideia completa em minha mente. Acordei e escrevi em uma página em branco no final de um livro que eu estava lendo. Rasguei a página e a levei no dia seguinte, quando estávamos escrevendo.
Algumas pessoas olham para a vida e têm prazer em envelhecer. Outras pessoas fazem de tudo que podem para reverter qualquer efeito da idade. Sempre tive uma inclinação para o lado pesaroso de se envelhecer.
Isso nasceu de uma compreensão aguda tanto a partir da observação das demais pessoas próximas a mim, como de minha própria história de inocência interrompida. É a realidade de que a história humana está destinada a ter capítulos que nos fazem passar por sofrimento.
Vamos testemunhar e experimentar da vida, de formas que nos fazem crescer e nos fazem mais fortes, ou mais amargos, mais sensíveis, ou receosos. Vamos passar por isso e pelo momento que precede nossa entrada em lugares como esses, como descer uma rodovia, olhando adiante, onde uma tempestade cobre o caminho, então suspiramos.
Não podemos evitar a idade. Nem sequer sabemos o quão ingênuos fomos até que nossos olhos são abertos. Adentramos o sofrimento porque está em nosso DNA e é algo trançado tão cuidadosamente que não podemos evitá-lo. Negar que envelhecemos pode significar negar quem somos.
Ainda sinto aquele senso de pesar quando vejo crianças entrando na jornada, em sua maioria alheias às tempestades que se formam adiante. Sinto falta disso, mesmo quando me sinto grato por estar onde estou. Em tensão.
Este é o lugar onde “Frail” existe.
Há poucas músicas que eu sempre amei tocar noite após noite. Passei a amar os arranjos de cordas feitos por Ron Huff, produzidos por Stephen Lipson. Eu me lembro de não ter gostado tanto a princípio, pois pareceu grandioso demais. Eu queria algo simples. Mas passei a gostar deles, assim como passei a gostar de todo o cd Much Afraid.
Inclusive, enquanto escrevo isso, a música continua a crescer, neste momento em que a exploramos ainda mais, para nossa próxima turnê. Fique ligado. Texto original aqui.
Thursday, November 17, 2011
Work (by Juca)

Já que o Dan está demorando a explicar a próxima música, resolvi postar meus pensamentos sobre Work. Alguns já conhecem este texto, mas para outros será novo e espero que sirva de análise e reflexão.
“Good Monsters” foi um divisor de águas e estremeceu as expectativas dos fãs, da melhor forma possível. Não só os fãs, mas o mundo da música. Muitos vão se lembrar que o cd já estava sendo premiado como melhor do ano, mesmo antes de 2006 terminar!
O cd praticamente explorou o yin e o yang da experiência humana, com profunda investigação musical e emocional. Seu rock melódico tanto gerou excitação, quanto acalmou.
Tudo indicava que a banda estava tomando uma nova direção (novamente, mas especialmente após o período acústico de “Furthermore”, “WWAI” e “Redemption Songs” - citações do Steve muito relevantes aqui). O prazer da banda em experimentar além dos campos familiares se tornou contagioso, derramando honestidade e liberdade a cada elemento de seu autêntico rock alternativo.
Emocionalmente falando, as faixas representam um conjunto despido, com material não moralista, instigador em seus temas, de expressão esotérica (tradução = profunda). Somos confrontados com um sentimento em tempo real por todo o cd, um lamento sobre o embotamento de espírito que epitoma o nosso dilema. As letras não retrocedem quanto às dúvidas honestas e medo da noite, mas denotam como até o questionar é um ato de entrega. Nossa luta não é removida da vida de fé, ela é um elemento inerente da verdade que de uma forma ou de outra, temos que procurar conduzir.
"Conectar-se com pessoas que estão dando o duro, abrindo mão de suas vidas pelo próximo, evitando a isolação, permitiu-me ver que há tanto um mal imensurável e um bem insondável, coabitando sob minha própria pele e é a Graça, misericórdia e a liberdade que me permitem ser não apenas um monstro, mas um bom monstro". Dan.
Work tem tudo a ver com a experiência que o Dan compartilhou em sua entrevista, para a Christianity Today, que eu traduzi para publicar no DotGospel;
Os temas passam por isolação, afastamento e como essa fuga nos priva de sermos honestos em nossos relacionamentos, quanto a nossas fraquezas.
“Now all the demons look like prophets and I'm living out”
(agora todos os demônios se parecem com profetas e estou lançando fora)
Esse trecho mostra como alguém lida com momentos de isolação e as tentações que lhe sobrevêm. Usar a figura 'demônios' que se parecem com 'profetas' teria sido para ilustrar o que o Dan disse na entrevista. Esse afastamento da comunidade, da comunhão com as pessoas, faz com que você tente resolver seus problemas, medos, tentações e fraquezas, sozinho, como se pudéssemos lidar com essas questões numa relação vertical homem x Deus.
Na verdade, você se isolou, ouvindo unicamente a sua própria voz, da forma mais conveniente possível. Conveniência é justificar o seu erro, tomar o que é mau, por bom, errado, por certo ... mas o 'estou lançando fora tudo que proferem' seria uma reação às vozes citadas em "não posso confiar nestas vozes".
Por fim, elas são sua própria voz, seu próprio ego, tentando se resolver, sem qualquer resultado efetivo. Logo, a letra não fez nenhuma referência a seres espirituais e igrejas falidas. Ela é sobre relacionamentos, como base para tudo na vida.
Em Good Monsters, eles se viram neste momento que não ditava que eles tinham a obrigação de explicar o que cada linha de cada música queria dizer (na verdade, sempre foi assim). Quando davam algum insight sobre alguma música, é que consideravam que deveriam fazê-lo, o que não significa aquilo de que se abstiveram de comentar, não fosse tão importante quanto. (Dan sempre diz que prefere deixar as letras abertas à compreensão pessoal de cada ouvinte)
Para a banda, a mensagem de Work é um dos temas mais importantes que eles já tentaram comunicar em uma música, no que diz respeito a rechaçar os efeitos da isolação e a forma como tentamos entender como viver a vida sozinhos e tudo que fazemos da forma como as pessoas nos dizem, que pensamos que vai nos fazer sentir como se estivéssemos vivendo mais intensamente e experimentando mais da vida, experimentando mais amor do que queremos e devemos dar nesta vida, quando descobrimos que essas coisas não serão encontradas, ao fazermos o que as pessoas dizem nos domingos, ou tentando manter nossa reputação limpa, mas são encontradas quando compartilhamos nossas vidas uns com os outros e contamos nossa história e caminhamos juntos, desenvolvendo o que nós gostamos de chamar de 'comunhão'.
A música é um clamor pessoal de cada um e como banda, querem conhecer as pessoas e se darem a conhecer àqueles ao seu redor, tornando a vida mais significante e impactante, como resultado de quão bem sabem que são amados.
A frase "não quero ficar sozinho" está muito clara para quem leu a entrevista do Dan, para a Christianity Today.
Uma das frases mais ousadas do cd é "I'm not afraid of drowning ...", por ser tão direta quanto à morte. Penso que Paulo conseguiu chegar a esse ponto também, ao dizer que para ele “o viver era Cristo e o morrer era lucro”. “Respirar” (viver) realmente dá muito trabalho, afogar (morrer) não é mais algo assustador, diante da realidade de vida. "Respirar é que está me dando todo esse trabalho" é uma forma de dizer que expor-se, abrir-se, subir à superfície e se mostrar às pessoas é tão difícil para qualquer um de nós, que preferimos nos manter submersos, não nos damos a conhecer e afundamos em isolação.
Wednesday, July 27, 2011
River Constantine (revisited)
Se ignorarem o texto (quase impossível), pelo menos essas fotos vocês têm que amar oO Não existe explicação para a música River Constantine, só mesmo o Dan tem o direito de falar algo:
Acho que não importa os motivos, a casa era nossa e em vez de viajar para algum lugar exótico, com ilhas tropicais ou arquitetura histórica, agüentamos firme o inverno do meio-oeste, em uma típica casinha, à margem do campus do Luther College.
Talvez tenha sido o consentimento coletivo de que gostaríamos de expandir a nossa criatividade, ou porque estávamos muito inspirados com as opiniões da gravadora, tentando entrar em nosso processo criativo.
Sair do universo negocial da música e tentar ficar parado por tempo o bastante para se escrever algo com que valesse a pena se comprometer, para o novo cd, era nossa maior motivação.
Na verdade não tinha muito coisa em Decorah, IA, exceto o colégio. Sabíamos que não iríamos fazer muito além daquilo que deveríamos fazer. Depois de fazermos rastros de um trenó na neve e no gelo no jardim em frente à casa e comprar gorros de inverno, tipo de caça, com peles e de comer no único restaurante chinês da cidade, finalmente encontramos nosso espaço criativo.
Há um tipo de música que sempre procuro, quando começamos um cd novo. Uma música do tipo que eu anelo, busco e tento escrever de forma bela, bem no início do processo. No primeiro cd, essa música foi “Blind”. No segundo cd foi “Frail”.
Apesar de termos tentado escrever de uma perspectiva um pouco mais caprichosa, ou ironicamente imparcial, em nosso terceiro cd, era importante para mim, que o gancho do projeto ainda tivesse aquela alma introspectiva atrelada a ele.
Escrevemos algumas músicas naquela casa. “Headstrong”, “Goodbye, Goodnight”, “Famous Last Words” e “River Constantine”.
A música parecia captar o que eu pensei ser apenas uma fome por algo que não mudava. Não que a vida de um músico e artista que viaja muito não seja animada e divertida, mas nada mais era como costumava ser. Não havia constantes, havia uma voz que parecia me encontrar em lugares mais silenciosos, em momentos em que eu era capaz de ouví-la. Ela estava sempre lá.
Mesmo quando eu me debatia com a ideia de fé e tinha um pouco de desgosto por tudo que era carismático, parecia que eu não conseguia negar a presença do Espírito Santo. Meu contexto para o Espírito Santo havia se tornado em uma presa das muitas circunstâncias em que eu observava as pessoas manipulando e forjando a Sua presença.
Eu não queria atribuir nada a tal espírito, porque eu não queria me colocar na companhia de pessoas que aprendi a repugnar.
Mesmo assim, eu não podia negar a presença do Espírito Santo. Parecia mais o tipo de voz que professa os mais ilógicos encorajamentos contra a corrente do momento e contra as evidências físicas que poderiam me deixar paralisado ou me fazer fugir de medo, ou aversão.
Valeu muito a pena escrever sobre isso, o que acabou se tornando em River Constantine.
A ilustração não era nova. Não havia nenhuma conexão real com Constantine, apesar de ter sido ele quem legalizou o Cristianismo em Roma, durante uma época em que a maioria dos fiéis eram brinquedos e eventualmente, comida para leões.
Foi uma forma poética de dizer 'constante'. Chamá-la do que eu sabia que ela era. Eu ainda estava feliz (não-apologeticamente) por escrever músicas, usando metáforas de água. Aquele se tornou um dos poucos momentos em “If I Left the Zoo”, em que não usei um tom severo ou sarcástico, quanto a conceitos religiosos e fé institucional.
Sou grato ao Dennis Herring pelos riscos que assumiu na produção dessa música. Continuo apaixonado pela bateria do Ben Mize.
Uma das performances dessa música com os demais, da qual me lembro com maior afeição, foi em um show improvisado, em um pequeno café, ligado ao campus. Aquela foi uma noite muito legal.
Saturday, July 23, 2011
Oh My God (revisited)
A foto acima te lembra algum lugar super legal no Brasil? Ou em algum outro país fantástico que você tenha visitado? Eu sei, ela me lembra isso também, mas essa foto é de Ruanda. Como muitos, sou ignorante sobre muitas coisas e eu só conseguia associar Ruanda a fotos de gente morta e caveiras e memoriais ... mais nada. Ruanda também tem felicidade e esperança em sua história. O texto abaixo é uma postagem feita pelo Dan, em seu blog, sobre a música "Oh My God". No texto ele fala da experiência que viveu, quando visitou Ruanda e como isso fez parte do processo de composição da música.
Havia algo especial no processo de criação, quando as ideias para “Good Monsters” começaram a se formar. Havíamos viajado bastante em turnê dos cds “Who We Are Instead” e “Redemption Songs”, como um simples quarteto. Deixamos a parte rítmica para trás e viajamos sozinhos e fizemos os shows com apenas os quatro tocando.
As razões porque fizemos isso eram muitas, mas finalmente concluímos que na verdade, estávamos nos sentindo insatisfeitos com nossos shows ao vivo. Era fácil conectar uma séria de músicas e então tocar rock 'n roll. Costumávamos a viajar pelo universo Jars of Clay com a filosofia de que uma boa música pode ser reduzida a um violão e um vocal e mesmo assim, ser desafiadora. Queríamos saber se nossas músicas ainda sobreviveriam a tal tipo de prova.
Então decidimos deixar de lado todos os eletrônicos e por dois anos, subimos nos palcos apenas com nossas vozes e violões.
Foi uma forma fantástica de nos lembrarmos da arte de ser sutil. Mesmo quando tocávamos em grandes festivais de música, subíamos no palco tentando ganhar o público com boas composições e performances carismáticas. Era assustador subir após o P.O.D., ou o Switchfoot, com toda a sua majestade própria de uma arena de rock, para tentar manter a energia em alta, com um Wurlitzer, dois violões, quatro vocais e ocasionalmente, um pandeiro, ou uma maraca. Tocamos até no Live8 com essa configuração, em frente de 1 milhão de pessoas nas ruas da Filadélfia. Tanto o Redemption Songs, como o Who We Are Instead foram cds que funcionaram muito bem nesse formato.
Durante aquela turnê, encontramos algo mais, quando abrimos mãos de toda a produção. Quando nossos shows se tornaram menos complicados, o mesmo aconteceu com as nossas vidas. Toda a correria do dia se foi e começamos a perceber que não nos conhecíamos muito bem. Os maiores recursos que tínhamos como banda, aquilo que tinha mais valor líquido em si, ela puramente a quantidade de tempo que já havíamos passado juntos. Quando olhamos para os longos dias e experiências malucas dos 12 anos, descobrimos que em algum dado momento, nós paramos de conversar uns com os outros. Então nos vimos carentes de comunhão, pois não havia comunhão.
Passei um bom tempo daqueles anos, envolvido com a Blood:Water Mission, viajando para a África, ficando sem fôlego por causa do tipo de fatos terríveis, com os quais eu não conseguia ficar em paz. Eu vi a profundidade da depravação em Ruanda. Estive ao lado da cama de homens que estavam à beira da morte. Vi crianças nos hospitais, deitadas em papelão, enquanto aguardavam pela morte de alguém. Talvez seriam as próximas na fila, à espera de uma cama, onde poderiam simplesmente morrer também.
Também percebi que eu fugia de tudo, por quase toda a minha vida. À moda Forrest Gump, eu parei. Decidi que eu não queria mais fugir e, quando parei, tudo mais me confrontou. As escolhas que fiz, as formas como tentei viver, como se Deus não fosse real, pessoas que machuquei e tinha vergonha de confrontar, tudo aquilo veio à tona. Era o reconhecimento com o mundo que eu havia criado e sobre o qual eu não tinha qualquer controle. Encontrei-me com o sofrimento e a solidão, Graça e Amor, de forma impressionante.
Não sei quantas vezes eu disse isso em entrevistas, há algo bom no questionar. Eu havia deixado de questionar por um tempo e naquele momento, os questionamentos super abundaram.
Gary Haugen do “International Justice Mission” me levou em uma viagem para as profundezas do Genocídio em Ruanda. Vi centenas de sapatinhos amontoados e ouvi as piores histórias, sobre o que acontece quando Deus retira sua mão de sobre a humanidade. Quando Deus nos permite ser aquilo que seríamos em nossa depravação, medo, ódio e violência se tornam em motivadores mortais. O que acontece quando impedimentos culturais são levantados? 800 mil pessoas golpeada até a morte, em menos de 100 dias.
Matt Odmark descreveu como se recuperou da experiência de caminhar sobre bancadas, pois o chão estava coberto de crânios e ossos humanos, deixados ali como um memorial para de alguma forma honrar os mortos.
Ele pensou nas orações de pessoas que não têm com que se defenderem. Qual tipo de oração fazem as pessoas que entendem que a mão de seu agressor não cessará? A oração é simples ”Oh Meu Deus, ressuscite aqueles que morreram”. Só isso importa. “Deus Amado, seja quem você disse que é”.
Naquela mesma época, nossos amigos Steve Garber e Oz Guinness estavam nos ajudando com diálogos sobre “O que temos que fazer”? Como transitamos por uma comunidade cristã que não recompensa artistas, ou os ajuda a serem inovadores? O que fazemos como artistas, quando 'descrever o mundo e a presença de Deus nele, não é tão importante para os manda-chuvas da indústria e da rádio?' Nossas culturas estavam mudando, nossas ideias estavam se formando. Mais questionamentos. Decidimos não adentrar nem mais um pouco na questão da adoração naquele momento. Decidimos que valia a pena arriscar a descrever o mundo onde havíamos estado nos últimos anos.
“Good Monsters” é um cd sobre a dualidade do coração. Eu me lembro de quando observava fotos em Ruanda, com a consciência pela primeira vez de que eu era capaz de fazer o que parecia ser humanamente impossível. Podia ter sido eu. Eu poderia matar. Eu poderia ser o agressor. Foi devastador perceber que eu carregava a mesma doença crônica, daqueles que frequentemente escolhemos julgar.
Isso também representou um passo à frente, rumo à liberdade e vida em abundância. Nós nos escondemos das pessoas. Não desfrutamos totalmente de nós mesmos. Achamos que somos repugnantes e nos esforçamos ao máximo para apresentar versões de nós mesmos que são tão incompletas, que somos quase estranhos.
Achamos que se as pessoas não virem a nossa escuridão, não teremos que admiti-las. Isso requer muito trabalho. Desperdiçamos o que somos nos escondendo e nos resta muito pouco de nós mesmos, para amarmos.
Todas essas ideias giravam em minha cabeça e na cabeça de meus amigos da banda. Entramos em um quarto e colocamos cadeiras umas de frente às outras e começamos a escrever. As músicas que ali nasceram eram surpreendentes, assustadoras e vulneráveis. Aquele tipo de música só pode nascer dos questionamentos que importam, em tempos de despertar. Alguns questionamentos, quando encontrados, nunca nos deixarão. São como cascas que cobrem feridas profundas, quando as tiramos da pele, elas sangram vagarosamente, por toda a vida, mas nos lembram que estamos vivos, que sentimos e pensamos, abraçamos, inalamos e exalamos.
“Oh My God” foi um ponto de convergência. As profundezas da depravação de meu coração, a dor por que passei neste mundo e a dor que observei por meio de histórias, imagens e lugares que vi na África, se encontram nessa música.
Esta é uma música em 3 partes.
Parte 1, apenas para preparar o clima.
...
Oh, my God, look around this place
Your fingers reach around the bone,
You set the break and set the tone,
For flights of grace and future falls,
In present pain, all fools say, “Oh My God.”
Oh my God, why are we so afraid
We make it worse when we don’t bleed
There is no cure for our disease
Turn a phrase and rise again, or fake your death and only tell your closest friends
Esses versos descrevem a condição humana: somos pessoas fatalmente feridas, tingidas pelo pecado, assoladas por uma fé rala, que às vezes não nos sustenta, em nossa busca por respostas claras, para o questionamento sobre a morte de Jesus e sua ressurreição. Duvidar da existência de Deus é parte de nossa história, como humanos.
Parte 2 da música:
Foi aqui na verdade, que a música começou. Matt trouxe um questionamento à banda, “Porque tantas pessoas assim usam a frase Oh My God?” E então começamos a pensar nas mais diversas pessoas que usam essa frase e a nos perguntar se podíamos falar disso em uma música.
É incrível como uma pessoa consegue usar a mesma frase, como um xingamento, ou como uma afirmação. Essas três palavras podem ser usadas em parte de nosso contentamento e desejos mais profundos.
Portanto, meretrizes e anjos e todos na letra a usam. Pessoas que acreditam mesmo em Deus e pessoas que não, ainda se pegam usando essa frase.
Parte 3:
Essa é a parte extravagante.
É por isso que eu, naquela época, falei aquelas palavras. Não escolhi a letra de propósito. A música só havia sido tocada uma vez no estúdio. A letra foi escrita em questão de segundos cantando. Esse é um agrupamento de palavras do nível mais intrínseco e foi a forma que encontramos de ampliar todos os questionamentos que eu havia armazenado e me esquecido, lembrando-me e combatendo-os. Finalmente, ela termina com um questionamento, assim como começou.
Tocamos essa música duas vezes. Não a editamos para o cd, ou acrescentamos muito. Ela continua sendo uma de minhas músicas favoritas nos shows.
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