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Wednesday, March 21, 2012

Ko _cof_ ny2012




O Invisible Children foi pioneiro em muitas das melhores formas de se usar a mídia social, para trazer esclarecimento a questões que precisavam ser meditadas e engajadas pela comunidade mundial.


É difícil falar com voz crítica em meio a um movimento 'positivo', com um propósito bem intencionado, mas se a repercussão de um movimento assim for errada, isso poderia gerar efeitos duradouros na forma como engajamos a ação social, por muitas décadas. Isso significa que vidas de verdade estão em jogo.


Se este movimento ferir mais que ajudar, ele pode mudar o clima de ceticismo, com relação a causas e histórias humanitárias. Será mais uma barreira a se derrubar, para que seja possível se importar e agir a favor.


Se os EUA removerem Joseph Kony, o que vai acontecer? Há complexidades nesta pergunta, que não se deixam escapar facilmente. Se você falar com o povo Ugando sobre o KONY2012, as complexidades se tornam ainda mais claras.


O problema fundamental no movimento é a dignidade. O caminho para se atingir um objetivo em qualquer ação social que foque em esclarecer e corrigir uma circunstância injusta é tal que você você VAI TER que considerar as pessoas a quem deseja servir.


Às vezes, uma boa ideia pode sabotar completamente a infusão de dignidade em um dado quadro. Fotos bem intencionadas de crianças com moscas em seus rostos, que foram tiradas como forma de se contar a história da fome, na verdade podem ferir mais do que fazer o bem.


Podemos estabelecer posturas que tornam fácil o fato de nos sentirmos como se fôssemos o salva-vidas e as pessoas vítimas da pobreza em um país crítico fossem apenas uni-dimensionais. A boa sensação de sermos heróis pode implicar na incapacidade das pessoas se salvarem a si mesmas, sem nossa ajuda.


O chamado para agir por parte do movimento é para uma ação que poderia se passar por um ato de desobediência civil. As pessoas são chamadas a cobrirem casas, escolas, cidades, ruas, prédios, com cartazes e adesivos (IC instruiu os apoiadores a pregarem apenas em estabelecimentos próprios, ou alheios com permissão - eu hein...).


E a dignidade? Onde ela está no ativismo? Os donos desses estabelecimento teriam o direito de se sentir desrespeitados, violados, por terem que ficar o dia inteiro retirando os cartazes de seus estabelecimentos? Cartazes pregados por pessoas engajadas em um protesto de desobediência civil? Tal movimento não convidou pessoas a se importarem, ou alavancarem suas próprias vozes e recursos, em nome de uma campanha. O resultado imediato seria uma total alienação do tamanho de uma sociedade. Não precisamos de pessoas alienadas. É preciso se importar com sua própria comunidade, para se sustentar um movimento.


Na própria Uganda, o problema seria pior. Do ponto de vista dos Ugandos, este movimento fala em alto e bom tom, que o exército Ugando não fez nada. O chamado à ação fala de um pleito com o objetivo de elicitar uma resposta das forças armadas americanas, para agir e remover um líder estrangeiro, Joseph Kony. Automaticamente, estamos falando “Os Ugandos não conseguem fazer isso por conta própria”, apesar de o exército Ugando ter se responsabilizado por remover Kony e o LRA da Uganda.


Tal movimento, ao não comunicar nada sobre o processo de como agir com justiça sobre Joseph Kony, é negligente em contar às pessoas que facções militares foram informadas a atirarem em Kony, assim que o virem. Joseph Kony terá que ser executado. É isso que “fazer justiça” significa no caso de Kony. Para os que são refletidamente contra a pena de morte, eis aí um dilema.


O movimento de conscientização, em sua simplicidade, não esclarece o dilema, portanto nos faz acreditar que um simples ato de afastamento de um tirano seja a solução. O movimento é negligente quanto a informar a história de TODAS as demais organizações e indivíduos e cidadãos que têm trabalhado duro para servir aqueles afetados pela guerra na Uganda e aqueles que deram suas vidas tentando acabar com os horrores causados por Joseph Kony.


Isso claramente não honra as lutas de uma vida inteira e as pessoas que morreram sob o poder de Kony. Assim como não honra a vida de um alcoólatra, dizer a ele que você sabe melhor que ele, a melhor maneira para se parar de beber, sem sequer ter pedido a ele para lhe contar sua história.


É preciso investir tempo para se conhecer alguém, conhecer sua história. Compreender seu coração e paixões. Conhecer seus sonhos e objetivos. Assim veremos nossa própria história, enredada em sua história e nos veremos implicados no trabalho de ajudar em questões que eles querem mudar em si e em suas comunidades e famílias. Isso leva tempo e geralmente é um tipo de trabalho que é feito sem o glamour de movimentos ligados a ele. No entanto, essa é a única maneira de manter a indignidade intacta.


Algumas pessoas não querem se sentir como se estivessem sendo resgatadas. O que fazer com um movimento que não trabalha em função da dignidade de um povo? Aplaudimos o movimento pelo marketing genial que fizeram? Acreditamos nele e apoiamos a causa, mesmo se no fim você tiver sido enganado, ou mal informado, só para não sermos estraga-prazeres?


A ideia pode ser uma boa ideia de marketing, no entanto não é uma forma de ação muito dignificante. Eu não acredito que temos o dever de apoiar uma campanha que não valorize a integridade de um povo.


O retrocesso e engajamento crítico inútil que pessoas tiveram que apoiar, poderia fazer com que pessoas com boas ideias, desistam. Seria péssimo se outras pessoas concluíssem que fazer uma boa ação é muito arriscado ou que fazer uma boa ação representa muitas chances de se falhar.


O número de pesquisas em torno de desenvolvimento comunitário é imenso e a IC deveria nos mostrar que uma boa ideia de marketing é importante, mas que não é a peça principal do quebra-cabeça.


No link abaixo, podemos ler a opinião de Ugandos que viram o vídeo exibido em seu país. Se a maioria pensa como os que viram a exibição, será que a campanha deveria ser dissolvida? Algumas pessoas comentam que os Ugandos não entenderiam o vídeo feito pela IC, pois ele não foi feito com Ugandos em mente e sim para fazer com que os americanos tomem uma postura sobre o assunto. Bom, o link desbanca conceitos errados sobre o quanto os Ugandos são inteligente e engajados/conectados entre si.


“Ao final do vídeo, o clima passou a ser mais de indignação contra o que muitos viram como um relato estrangeiro inexato, que apenas diminuiu e comercializou seu sofrimento, pois o filme promove braceletes Kony e outros itens de merchandise, com o objetivo de tornar Kony infame.”


http://boingboing.net/2012/03/14/uganda-screening-of-kony-201.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter



Texto adaptado do blog: Dan Haseltine

Thursday, April 01, 2010

Páscoa & 40 Dias de Água


Hoje é dia 1 de Abril, faltam mais dois dias para o final dos 40 dias de Água.

Algumas pessoas passaram esses dias aprendendo sobre os seus próprios limites, dando um pouco de si mesmas, por uma causa prática, em favor de pessoas que não vão beber água nessa páscoa, mas com as doações que serão feitas ao Blood:Water Mission, parte dessas pessoas terão a oportunidade de um horizonte mais claro, menos árido, menos amargo.

Ao término dos 40 dias, você pode ter aprendido muito em vários aspectos. Eu confesso que mesmo não tendo deixado de beber sucos, leite, café e bebidas afins, aprendi com a experiência de pessoas que na prática, abriram mão dessas bebidas, tomando apenas água, por 40 dias! E eu sei que é difícil, pois eu fiz em 2009.

Este é o meu desafio - estou doando o valor referente àquilo que em média, eu consumi em bebidas nesse período, se você ler este blog e desejar doar qualquer quantia, fique a vontade para me informar.


Boa Páscoa a todos - a minha será mais uma vez, sem Ovo de Chocolate, como é costume no Brasil, mas tudo bem, há pessoas que passaram anos inteiros, sem o luxo de um chocolate quente, um suco fresquinho, ou sequer um copinho de água limpa.

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