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Wednesday, March 21, 2012

Ko _cof_ ny2012




O Invisible Children foi pioneiro em muitas das melhores formas de se usar a mídia social, para trazer esclarecimento a questões que precisavam ser meditadas e engajadas pela comunidade mundial.


É difícil falar com voz crítica em meio a um movimento 'positivo', com um propósito bem intencionado, mas se a repercussão de um movimento assim for errada, isso poderia gerar efeitos duradouros na forma como engajamos a ação social, por muitas décadas. Isso significa que vidas de verdade estão em jogo.


Se este movimento ferir mais que ajudar, ele pode mudar o clima de ceticismo, com relação a causas e histórias humanitárias. Será mais uma barreira a se derrubar, para que seja possível se importar e agir a favor.


Se os EUA removerem Joseph Kony, o que vai acontecer? Há complexidades nesta pergunta, que não se deixam escapar facilmente. Se você falar com o povo Ugando sobre o KONY2012, as complexidades se tornam ainda mais claras.


O problema fundamental no movimento é a dignidade. O caminho para se atingir um objetivo em qualquer ação social que foque em esclarecer e corrigir uma circunstância injusta é tal que você você VAI TER que considerar as pessoas a quem deseja servir.


Às vezes, uma boa ideia pode sabotar completamente a infusão de dignidade em um dado quadro. Fotos bem intencionadas de crianças com moscas em seus rostos, que foram tiradas como forma de se contar a história da fome, na verdade podem ferir mais do que fazer o bem.


Podemos estabelecer posturas que tornam fácil o fato de nos sentirmos como se fôssemos o salva-vidas e as pessoas vítimas da pobreza em um país crítico fossem apenas uni-dimensionais. A boa sensação de sermos heróis pode implicar na incapacidade das pessoas se salvarem a si mesmas, sem nossa ajuda.


O chamado para agir por parte do movimento é para uma ação que poderia se passar por um ato de desobediência civil. As pessoas são chamadas a cobrirem casas, escolas, cidades, ruas, prédios, com cartazes e adesivos (IC instruiu os apoiadores a pregarem apenas em estabelecimentos próprios, ou alheios com permissão - eu hein...).


E a dignidade? Onde ela está no ativismo? Os donos desses estabelecimento teriam o direito de se sentir desrespeitados, violados, por terem que ficar o dia inteiro retirando os cartazes de seus estabelecimentos? Cartazes pregados por pessoas engajadas em um protesto de desobediência civil? Tal movimento não convidou pessoas a se importarem, ou alavancarem suas próprias vozes e recursos, em nome de uma campanha. O resultado imediato seria uma total alienação do tamanho de uma sociedade. Não precisamos de pessoas alienadas. É preciso se importar com sua própria comunidade, para se sustentar um movimento.


Na própria Uganda, o problema seria pior. Do ponto de vista dos Ugandos, este movimento fala em alto e bom tom, que o exército Ugando não fez nada. O chamado à ação fala de um pleito com o objetivo de elicitar uma resposta das forças armadas americanas, para agir e remover um líder estrangeiro, Joseph Kony. Automaticamente, estamos falando “Os Ugandos não conseguem fazer isso por conta própria”, apesar de o exército Ugando ter se responsabilizado por remover Kony e o LRA da Uganda.


Tal movimento, ao não comunicar nada sobre o processo de como agir com justiça sobre Joseph Kony, é negligente em contar às pessoas que facções militares foram informadas a atirarem em Kony, assim que o virem. Joseph Kony terá que ser executado. É isso que “fazer justiça” significa no caso de Kony. Para os que são refletidamente contra a pena de morte, eis aí um dilema.


O movimento de conscientização, em sua simplicidade, não esclarece o dilema, portanto nos faz acreditar que um simples ato de afastamento de um tirano seja a solução. O movimento é negligente quanto a informar a história de TODAS as demais organizações e indivíduos e cidadãos que têm trabalhado duro para servir aqueles afetados pela guerra na Uganda e aqueles que deram suas vidas tentando acabar com os horrores causados por Joseph Kony.


Isso claramente não honra as lutas de uma vida inteira e as pessoas que morreram sob o poder de Kony. Assim como não honra a vida de um alcoólatra, dizer a ele que você sabe melhor que ele, a melhor maneira para se parar de beber, sem sequer ter pedido a ele para lhe contar sua história.


É preciso investir tempo para se conhecer alguém, conhecer sua história. Compreender seu coração e paixões. Conhecer seus sonhos e objetivos. Assim veremos nossa própria história, enredada em sua história e nos veremos implicados no trabalho de ajudar em questões que eles querem mudar em si e em suas comunidades e famílias. Isso leva tempo e geralmente é um tipo de trabalho que é feito sem o glamour de movimentos ligados a ele. No entanto, essa é a única maneira de manter a indignidade intacta.


Algumas pessoas não querem se sentir como se estivessem sendo resgatadas. O que fazer com um movimento que não trabalha em função da dignidade de um povo? Aplaudimos o movimento pelo marketing genial que fizeram? Acreditamos nele e apoiamos a causa, mesmo se no fim você tiver sido enganado, ou mal informado, só para não sermos estraga-prazeres?


A ideia pode ser uma boa ideia de marketing, no entanto não é uma forma de ação muito dignificante. Eu não acredito que temos o dever de apoiar uma campanha que não valorize a integridade de um povo.


O retrocesso e engajamento crítico inútil que pessoas tiveram que apoiar, poderia fazer com que pessoas com boas ideias, desistam. Seria péssimo se outras pessoas concluíssem que fazer uma boa ação é muito arriscado ou que fazer uma boa ação representa muitas chances de se falhar.


O número de pesquisas em torno de desenvolvimento comunitário é imenso e a IC deveria nos mostrar que uma boa ideia de marketing é importante, mas que não é a peça principal do quebra-cabeça.


No link abaixo, podemos ler a opinião de Ugandos que viram o vídeo exibido em seu país. Se a maioria pensa como os que viram a exibição, será que a campanha deveria ser dissolvida? Algumas pessoas comentam que os Ugandos não entenderiam o vídeo feito pela IC, pois ele não foi feito com Ugandos em mente e sim para fazer com que os americanos tomem uma postura sobre o assunto. Bom, o link desbanca conceitos errados sobre o quanto os Ugandos são inteligente e engajados/conectados entre si.


“Ao final do vídeo, o clima passou a ser mais de indignação contra o que muitos viram como um relato estrangeiro inexato, que apenas diminuiu e comercializou seu sofrimento, pois o filme promove braceletes Kony e outros itens de merchandise, com o objetivo de tornar Kony infame.”


http://boingboing.net/2012/03/14/uganda-screening-of-kony-201.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter



Texto adaptado do blog: Dan Haseltine

Tuesday, November 29, 2011

“Frail” (revisited)



Opa! De volta com mais explicações do Dan. Ele já havia postado sobre “Frail”, desde Outubro! Onde eu estava que não li sobre essa postagem? Essa música me dá vontade de xingar um palavrão! Eu poderia ter usado várias imagens para ilustrar fragilidade, mas resolvi usar uma rosa, já que a música usa a imagem de rosa. Sem falar que eu mesmo bati essa foto, numa época em que muitas coisas eram representativas para mim, acho que muitas já morreram como a rosa. De acordo com o texto, acho que estou mais forte, talvez mais amargo, sem dúvida mais sensível, um pouco receoso. Temos mais análises dessa música, compartilhadas entre nós, amigos fãs da banda. Acredito que é uma das letras que mais debatemos ao longo dos anos. Ela é inesgotável.

_______


Desde a primeira vez que ouvi essa música, eu quis que o Jars fizesse algo com ela.


O violão com arranjos hipnóticos veio de uma fita cassette do Steve. Ele nem acreditava tanto nela assim. Acredito que ele estava apenas sendo humilde. Ele já tinha usado essa faixa como parte de uma apresentação de música que fez para conseguir uma bolsa na Faculdade Greenville College.


Mesmo não tendo acreditado tanto nela, ela tinha seu valor acadêmico de $300, que foi a recompensa que ganhou, como bolsa para a faculdade. Visto que ele passou os últimos anos daquela época, sob a névoa de artistas como Enigma, Deep Forest, Future Sound of London, a disposição dos arranjos evocava um grande senso de atmosfera e melancolia que precisava ser explorado mais adiante.


Então perguntei ao Steve se podíamos usar sua ideia e construir algo com ela. Ele concordou.


Então nos trancamos no estúdio do terceiro piso da faculdade, eu havia acabado de comprar um novo modelo de sintetizador, para incrementar nosso arsenal coletivo de teclados que no começo eram um Roland W-30, um Korg M1, um Korg 01W, que incluiria ainda um Kurzweil K2000S. (Apenas citei os teclados, pois eles foram parte vital da experimentação do Jars no início dos anos 90.)


Frail não teria entrado para nenhum cd, se não fosse pelo arranjo obscuro que descobrimos no sintetizador K2000S. Entrou por causa daquele arranjo e um trecho de bateria que o Depeche Mode havia deixado nítido e livre para ser usado em seu cd “Songs of Faith & Devotion”.


Acredito que a gravação de "Frail" que está na demo original ainda é um de meus momentos preferidos daquele projeto. Mas por mais legal que fosse a gravação, eu sabia que ainda não havíamos terminado aquela faixa.


Mesmo não tendo gravado uma versão de "Frail" para o ST, o humor e espaço daquela música foram um gancho importante para todos os cds que fizemos. Continuaríamos escrevendo em cada cd, em busca de uma música que capturasse aquele humor. Nenhum cd parecia estar completo, sem o nosso momento “frail”.


O primeiro cd já tinha esse momento, com “Worlds Apart” e “Blind.”


Começamos a escrever para o cd “Much Afraid” em uma casa alugada por nosso gerente de desenvolvimento artístico. Foi uma das primeiras coisas que eu quis tentar resolver para o próximo cd. Era sem dúvidas uma tarefa preocupante. Eu não havia percebido quanto peso eu havia dado àquela música até o momento que tentei escrever a letra dela. Eu estava dolorosamente ciente de que a letra errada poderia arruinar aquele trabalho musical maravilhoso.


Eu não tive muitos momentos como aquele em minha vida. Nunca tive um momento igual, desde aquele. Eu sonhei com a letra de "Frail". Era quase uma ideia completa em minha mente. Acordei e escrevi em uma página em branco no final de um livro que eu estava lendo. Rasguei a página e a levei no dia seguinte, quando estávamos escrevendo.


Algumas pessoas olham para a vida e têm prazer em envelhecer. Outras pessoas fazem de tudo que podem para reverter qualquer efeito da idade. Sempre tive uma inclinação para o lado pesaroso de se envelhecer.


Isso nasceu de uma compreensão aguda tanto a partir da observação das demais pessoas próximas a mim, como de minha própria história de inocência interrompida. É a realidade de que a história humana está destinada a ter capítulos que nos fazem passar por sofrimento.


Vamos testemunhar e experimentar da vida, de formas que nos fazem crescer e nos fazem mais fortes, ou mais amargos, mais sensíveis, ou receosos. Vamos passar por isso e pelo momento que precede nossa entrada em lugares como esses, como descer uma rodovia, olhando adiante, onde uma tempestade cobre o caminho, então suspiramos.


Não podemos evitar a idade. Nem sequer sabemos o quão ingênuos fomos até que nossos olhos são abertos. Adentramos o sofrimento porque está em nosso DNA e é algo trançado tão cuidadosamente que não podemos evitá-lo. Negar que envelhecemos pode significar negar quem somos.


Ainda sinto aquele senso de pesar quando vejo crianças entrando na jornada, em sua maioria alheias às tempestades que se formam adiante. Sinto falta disso, mesmo quando me sinto grato por estar onde estou. Em tensão.


Este é o lugar onde “Frail” existe.


Há poucas músicas que eu sempre amei tocar noite após noite. Passei a amar os arranjos de cordas feitos por Ron Huff, produzidos por Stephen Lipson. Eu me lembro de não ter gostado tanto a princípio, pois pareceu grandioso demais. Eu queria algo simples. Mas passei a gostar deles, assim como passei a gostar de todo o cd Much Afraid.


Inclusive, enquanto escrevo isso, a música continua a crescer, neste momento em que a exploramos ainda mais, para nossa próxima turnê. Fique ligado. Texto original aqui.

Tuesday, June 28, 2011

Overjoyed (revisited)


Confesso que achei que seria uma boa idéia usar este painel com os nomes de Deus, por ter o meu nome ali embaixo "Messiah" e porque é bom saber os nomes de Deus também. Alguns são muito bonitos, outros bem bíblicos, outros que não entendo, mas todos revelam alguma característica dEle. "Messias" significa "Ungido/ Capacitado", é bom ser relembrado disso às vezes. "Juca" não sei o significado, mas é meu apelido ... talvez signifique que eu sou um vômito, mas isso é subjetivo também. Chega de minha abertura e vamos ler o texto sobre Overjoyed, que é MARAVILHOSO.



"Nomes são importantes. Não sei quando foi a primeira vez que li sobre isso, ou como se tornou um foco para o processo de composição dessa música. Eu acho que teve muito a ver com o estado em que eu me encontrava, durante a temporada em que escrevíamos as músicas do Much Afraid.


As pessoas passam toda uma vida enterradas sob o peso de seus nomes. Em várias tradições culturais, as pessoas são batizadas de acordo com aquilo a que deverão aspirar ser, ou daquele de quem serão um reflexo. Um grande homem poderia carregar seu nome por gerações e seus descendentes homônimos ficariam presos às expectativas que ele evocasse.


Há pessoas que podem falar muito a respeito de outras, apenas pela forma como elas assinam. Por exemplo, uma assinatura que mantém seu primeiro nome intacto e abrevia os sobrenomes, indicaria menos apego à família, ou que a identidade individual dessa pessoa é mais vital do que a comunidade em que vive.


Nomes contam muito. Deus deu nomes às pessoas que representavam características de Seu relacionamento com aquela pessoa. Fazendo uma pesquisa sobre nomes, obviamente a tendência foi procurar por meu próprio nome.


Daniel. Eu fiquei bastante intimidado pela ideia de que meu nome tinha um significado. Aprendi que o significado de meu nome era “Julgado por Deus”. Acredito que, fora do contexto, qualquer um se sentiria sufocado com esse significado, mas é a revelação que acompanha o nome que de fato se tornou o catalisador para “Overjoyed”.


Dependendo da visão de Deus que se tem, o nome Daniel seria problemático, ou incrivelmente vivificador.


Em uma conversa com um amigo, comecei a falar de nomes e significados. Ele disse que meu nome era um alívio. “Deve ser um alívio saber que você não nunca terá que passar pelo julgamento das pessoas. Sua identidade, valor e retidão vêm inteiramente de Deus. Ele te libertou e te lembra que somente ele pode lidar com suas falhas e desobediências”, disse ele.


Aquilo pareceu ser o bastante a respeito do que cantar. Naquela época de grande depressão, quando tudo que não é verdade sobre uma pessoa de alguma forma passa a parecer mais verdadeiro, ser lembrado de que somente Deus será meu juiz e que Ele somente vai lidar justamente com minhas ofensas, pode ter sido a diferença entre os fragmentos de luz e trevas aparentemente infinitas.


A outra parte que é difícil é o ato de acreditar que Deus é um juiz justo e um Deus de amor que age segundo caminhos que nem sequer podemos imaginar e que aquilo será melhor para nós. Essa parte é dura.


Há desespero na letra dessa música. Como já havia falado antes, às vezes cantamos sobre algo que é verdade porque acreditamos, outras vezes falamos do que é verdade de forma a sermos convencidos de que aquilo é verdade.


Essa foi a primeira música que as pessoas ouviram quando pegaram sua cópia de um cd batizado e atrelado ao peso de algo que aconteceu antes de seu lançamento. Jars of Clay tinha expectativas com ela. Essa foi a primeira música que as pessoas ouviram e a primeira a causar nelas uma reação, após ouvirem. Foi o momento que todos sabiam que o Jars não iria repetir o que fora gravado anteriormente.


Foram três anos entre a gravação do primeiro cd e "Much Afraid". Muitas coisas acontecem em três anos. Convidamos nossos amigos Mark Hudson, que trabalhou com Aerosmith e Bon Jovi. Convidamos Greg Wells, que estava à frente da banda K.D. Lang. Steve quis usar uma guitarra, por isso briguei com ele. Meu argumento foi que o som acústico de violões era a marca do "Jars of Clay". Colocar uma guitarra normalizaria o que fazíamos e faria com que soássemos como qualquer outra banda. Mesmo assim, o fato incontestável sobre o Jars é que somos o "Jars of Clay", não importa o instrumento que toquemos.


Jars é uma banda ímpar por muitos motivos. Apenas precisávamos encontrar essas razões. O produtor Stephen Lipson soube lidar bem com o conflito. Obviamente, isso foi resolvido.


A música foi bastante influenciada pelos Beatles e uma banda chamada Dodgy, que todos ouvimos muito em Londres, enquanto gravávamos o cd. Eles não continuaram, no entanto. O Oasis roubou a cena. Se conseguir encontrar, ouça a música "If You're Thinking Of Me". Uma brilhante melodia, ótima letra e uma grande influência para nós.


(...)

Turnê do Jars no Brasil, 2011, leia aqui.

Friday, June 10, 2011

FLOOD (revisited)

JUCA: Apesar de eu não ser fã de carteirinha de Flood, gostei da história por trás da música e dos fatos que precederam seu lançamento. São muitas influências em uma única música! Eu me sinto um asno musical, sabendo que a banda que eu mais ouço, conhece praticamente tudo que se lançou de música boa desde muito tempo. Boa leitura.


"Por esta, posso agradecer ao disco “Bloodletting”. Durante o meu segundo-grau e por mais um ano, trabalhei em uma loja de discos chamada Peaches.

Normalmente, eu descrevo aqueles anos como meu primeiro emprego na indústria musical. Há lojas que são (na maior parte do tempo) desabitadas por pessoas que você apelidaria de “mais indie que você”.


Muitas lojas encorajaram uma cultura de esnobismo musical. As pessoas ali são semelhantes aos protagonistas da história de Nick Hornby de 1995, “High Fidelity”.


Eu nunca entendi por completo como a hierarquia funcionava na cabeça de um vendedor de loja.


Parecia que a música se tratava de descobertas. O caminho para tal parecia ter começado em algum lugar qualquer e eu acreditava que qualquer pessoa que fosse um verdadeiro fã de música, teria o prazer de encorajar as pessoas a escavarem um pouco mais e procurar um pouco mais sobre outros artistas, além dos que você talvez tivesse ouvido na rádio.


Mesmo o cara mais esnobe-musical de todos teve que começar com uma introdução oriunda de algo bem mais comum e popular. No entanto, em vez de agir como encorajador, o ar de nojo e julgamento que vinha dos vendedores frequentemente intimidava as pessoas e fazia com saíssem dali e fossem para lojas como Walmart, Strawberry’s ou Peaches mais próximas.


Eu trabalhava em uma loja chamada Peaches. Não sei bem qual era a fascinação com frutas ou o que isso tinha a ver com música, mas havia lojas de música chamadas Strawberry’s e até Coconuts.


Aquele devia ser o emprego mais invejável que um aluno do segundo-grau poderia ter. Eu trabalhei em festas de lançamento de discos do U2, quando lançaram “Achtung Baby” e “Zooropa,” bem como os discos do Gun’s & Roses “Use Your Illusion I” e “II”.


Dei boas vindas ao Blur à cena musical americana, bem como ao Jesus Jones, EMF e KLF. Vivenciei os anos dourados do hip-hop e a controvérsia do Milli Vanilli e as mudança de cultura do Nirvana. Eu acabei ganhando um diploma em música.


A loja onde eu trabalhei não era uma pequena loja de música independente. Eu trabalhava com alguns esnobes musicais, mas eles foram forçados a se adaptar com um tipo diferente de cultura. A cultura de nossa loja tinha a ver com aprendizado.


Nós éramos aqueles a quem as pessoas se dirigiam e com quem elas falavam, se quisessem encontraram uma música.


A troca era mais ou menos assim: Cliente:Ouvi uma música no rádio, acho que era de uma cantora, mas podia ser um cara também com uma voz mais aguda… o refrão era algo sobre o amor e a música era rápida… mas não muito rápida. Eu acho que ela tinha um solo de guitarra… Você pode me ajudar a encontrar essa música?” Então ficávamos conhecidos por conhecer exatamente AQUELA música.


Consultávamos desde Djs de rádios a donos de clubes. Usávamos guias de catálogos da editora Penguins, ou 0800 dos distribuidores de discos. Aprendi muito sobre o cenário dos clubes e tive acesso a muitas músicas que ninguém nunca tinha ouvido antes.


O gerente da loja fazia um rodízio com seus funcionários de um gênero a outro, de forma que pudéssemos ter conhecimento de todos os gêneros musicais.


Sabíamos quais músicas tocavam mais, quais eram as lendas de cada gênero e quais eram os inovadores. Ouvimos muita música. Tínhamos para-casa. Foi durante a minha vez no gênero “Rock & Pop” que conheci Concrete Blonde.


Havia uma música que no começo chamou a minha atenção, por causa de sua letra audaciosa sobre o tempo de Deus na terra. O nome da música era “Tomorrow Wendy”. Era assombrosa. Eu a interpretei como sendo algo sobre AIDS. O disco se chamava “Bloodletting.” Era brilhante. Ouvi demais aquelas músicas durante o tempo que tive antes de para o Greenville College.


Avançando ...


É difícil prever quais músicas farão parte das influências do som do Jars of Clay. É um dos maravilhosos mistérios com que nos acostumamos. Normalmente, há épocas em que alguém na banda faz menção de alguma música obscura em torno da qual circulamos ou nos inspiramos em uma de suas sequências de acordes.


Stephen e eu estávamos assentados debaixo de uma árvore, evocando uma música sobre chuva e lama. Eu não sei qual foi a inspiração específica para a letra da música, visto que a motivação primeira para escrevê-la teve mais a ver com a dinâmica musical. Eu queria capturar parte da dinâmica crua do disco do Concrete Blonde, que eu amava. Na época em que éramos alunos, tivemos a oportunidade de tocar Flood pela primeira vez em um bar em St. Louis. O dono do bar já tinha ouvido a gente tocar antes e gentilmente nos ofereceu a oportunidade de abrirmos para uma banda bem desconhecida chamada Sixpence None the Richer. Eu me lembro que as pessoas amaram a música. Eu também me lembro que todos os arranjos que gravamos de amostra estavam altos demais durante a apresentação, mas sem dúvida era o trabalho mais rock 'n roll que já havíamos experimentado com o Jars.


Tentamos muitas texturas diferentes para essa música. Quando finalmente fomos para o estúdio para gravá-la, consideramos a ajuda do Adrian Belew. Ele e o engenheiro que ajudaram nessa música, Noah Evans, compuseram os violões tocados durante a ponte. Sempre amei o que eles criaram no meio da música. Em nossa ignorância de adolescentes, não deixamos o Adrian tocar violão no cd. Eventualmente, ele tocou guitarra. Não há muitas coisas no primeiro cd que eu gostaria de poder mudar. Porém, o fato de de eu ter cantado “drownding” em vez de “drowning” em um dos vocais e que isso nunca foi consertado, sempre me incomoda. Eu penso nisso sempre que tocamos Flood ao vivo.


Todos nós éramos fãs de música progressiva, portanto não era de se surpreender que a banda “YES” havia lançado uma música chamada “Lift Me Up”. Ela estava em um disco chamado Union. Aquele era um disco que a maioria dos fãs da banda diriam que foi o ponto baixo de sua carreira musical. No entanto, as harmonias naquela música em particular sugeriam a maneira como cantamos a nossa música.


Ainda tivemos inspiração rítmica de uma música do Indigo Girls: “Least Complicated”. Na verdade, invertemos uma parte de congas dessa música e a repetimos em algumas das versões demo originais da música.


Este é outro exemplo de músicas em que a letra final fora escrita enquanto estava sendo gravada. Às vezes, é bom antever o ato do chute, analisando uma letra apenas por cima.


Sempre achei que essa música era especial em sua maneira de reter tantas influências musicais dentro de seus acordes e texturas. Mesmo assim, ela encontrou meios de comunicar algo universal sobre desejo e necessidade.


Quando a gravadora escolheu essa música como o primeiro single a ser lançado para as rádios, ficamos revoltados, pois ela não era tão representativa do restante do disco. Pensamos ter sido uma escolha ruim. Essa foi a única vez que nos equivocamos em toda a nossa carreira.


Beleza… talvez tenhamos cometido alguns outros erros ;)"


Ler este texto em inglês no blog do Dan, bem como os demais textos já postados.

Thursday, April 14, 2011

Whatever She Wants

Seguindo as postagens do Dan, em seu blog, aqui está mais uma explicação maravilhosa e de interesse de todos os amantes dessa banda.


"Algumas músicas do Jars of Clay nasceram da frustração, raiva, dor etc. Sempre pensei que a marca de um artista que pensa além do hit que vai para as rádios é que ele pode vociferar.


Essa música bem que poderia ter se chamado “I Don't Know What The Hell I Am Supposed To Do” (Não sei que diabos eu devo fazer). Ou talvez seria mais correto chamá-la de “OW Relationships are Complicated.” (Uau, relacionamentos são complicados).


Tenho a tendência de escrever letras que são tecidas em direção ao que é auto-biográfico e fora disso, rumo ao fantástico, sem me preocupar muito com as placas de sinalização, ou indicações de cruzamentos à frente. Eu simplesmente teço o que estou passando, o que vejo com aquilo que assumo ser o que o mundo em geral também está vendo. Às vezes descrevo com exatidão, mas na maioria das vezes é algo vago e apenas uma grande suposição.




“Whatever She Wants”, como letra, fede a tempos difíceis.


Sei que a vida de um músico que viaja muito é uma vida de extremos. Em um dia, eu estava abrindo um show da Sheryl Crow e no outro dia, para que eu me trocasse antes de um show, eu estava tapando o vidro de uma porta do quarto de uma enfermaria de uma igreja qualquer, que cheirava a lenços de bebê e queijo forte, de um prato de delicatessen jogado ao acaso dentro do que, naquele momento, havia recebido o novo propósito de um camarim.


Além disso, é o extremo de tocar em grandes shows e viver uma vida terrivelmente livre das responsabilidades do dia-a-dia, cheia de interações desconcertantes, com pessoas que pensam que eu sou alguém muito especial e depois voltar para casa, para pessoas que pensam que sou alguém muito especial, por razões completamente diferentes.


Os extremos de uma vida imatura de rock 'n roll ralo e contemplado e a transição de volta a um mundo de relacionamentos significativos e responsabilidades como marido, pai, filho, vizinho, membro de uma comunidade etc, extremos que podem causar complicados deslizes emocionais e relacionais. Portanto, é aí que entra o artista em cheque, com a família em cheque.


Já vi disfunções de muitas ordens e foi com muito esforço que eu quis descrever questões como essas em uma música. Não porque as disfunções me decepcionavam (eu as perpetuei), mas principalmente porque eu precisava me expressar um pouco, do tipo de expressão que acontece no meio de um problema, que parece insolúvel. Eu não conseguia entender quem eu deveria ser, então eu descontava nas pessoas ao meu redor. Isso trazia uma distinção que eu PRECISO fazer.


Algumas de minhas letras são honestas e não reais. Elas são claramente a imagem do que eu estava sentindo no momento em que eu as escrevi, mas a letra não é real. Ela pode ser honestamente descritiva da forma como o mundo estava para mim, no entanto não são fatuais, de forma que a metáfora não funciona fora daquele momento em que a letra foi escrita, semelhantemente à maioria dos monólogos internos.


Quando a letra finalmente chega aos nossos próprios ouvidos, ouvimos como fomos tolos e quando outras pessoas ouvem a letra, eles confirmam que as fitas que estão tocando em nossas mentes, precisam ser desembaraçadas.


Portanto, em meio a minha imaturidade, precisando ser defensivo e justificado em um mundo que construí ao meu redor, nasceu uma música sobre dependência e sobre a pergunta, “O que mais eu devo oferecer?”.


“Whatever she wants” fala sobre a manipulação das lágrimas e uso suspeito de gentileza. Fala sobre expectativas e aspirações serem totalmente mal desempenhadas e sobre tornar as pessoas em vilões, para que o verdadeiro vilão não seja descoberto. Cortinas de fumaça.


Quanto ao aspecto musical, essa música tem um dos melhores solos de guitarra que o Stephen Mason já gravou na vida. Ela foi uma das músicas mais fortes do Jars of Clay e foi certamente influenciada pela música daquela época. Artistas como Semisonic, Filter, Vertical Horizon e Tonic. Ela está em um cd que levou um ano inteiro para ser concluído, o que é tempo demais em um estúdio, gravando um cd."

Wednesday, April 13, 2011

Love Song for a Savior


Texto postado no Blog do Dan, sobre Love Song for a Savior:


Esta foi a segunda música que escrevemos como uma banda. Ela foi escrita no sótão de nosso dormitório no campus do Greenville College. Stephen Mason tinha acabado de se mudar para o nosso andar, fugindo do quarto para onde foi sequestrado, como parte do processo de alocação por perfis.


A escola costumava colocar pessoas juntas, de acordo com as respostas a uma série de perguntas que faziam. Seu colega tinha um bastão de baseball, adornado com fragmentos pontiagudos de vidro, colados no bastão e ele ficava escondido no armário.


Nunca entendi quais foram suas respostas. Quando cheguei em Greenville pela primeira vez, fui alocado em um hall lotado de jogadores de baseball e futebol. Eu gostava dos caras de meu andar, mas era óbvio que o sistema de perfis não era perfeito.


O “Subsolo" onde morávamos tinha mais a ver com nós músicos. Eu me mudei durante meu segundo semestre do primeiro ano. Chamei o Steve para ficar com a gente, depois que vi o bastão no armário.


Steve trouxe o “The Bliss Album” para nosso andar. Instantaneamente, me tornei um fã de PM Dawn. Ouvi uma música que haviam gravado, usando um gancho da música “True”, do Spandau Ballet. Gostei da re- interpretação, mas não investiguei muito mais sobre sua música.


Eu queria escrever algo que usasse figuras poéticas da forma como eles usaram. Eu queria escrever uma música que falasse à inocência da vida, sobre acreditar em algo com profunda paixão, de todo o coração.


Como havíamos acabado de escrever e gravar uma música que apelidei de “The Cynics Anthem” (Hino dos Céticos), também conhecida como “Fade to Grey”, era hora de escrever algo que estava na outra extremidade do prisma.


Junto com PM Dawn, eu ouvia o cd de Sinead O’Conner’s “I Do Not Want What I Have Not Got”. Era um cd fantástico. Havia duas canções em especial.: “The Last Day of Our Acquaintance” e “I Am Stretched Out On Your Grave”, que eu costumava repetir por vezes.


Há sinais de ambas as músicas na versão antiga de Love Song. O verso


“She thanks her Jesus for the daisies and the roses... In NO simple language”


fora originalmente escrito assim “In simple language”, mas eu precisava de uma sílaba a mais. Ninguém pareceu se importar com o acréscimo, mas sem dúvida fez com que a frase tivesse um novo significado.


Todos levamos fitas com a música ainda inacabada para casa, para o feriado de Thanksgiving, ainda incertos quanto à simplicidade da letra e quanto ao refrão repetitivo.


Essa foi a primeira música que tocamos no campus, como a banda Jars of Clay.


Não sei porque eu escolhi usar uma garotinha na música. Acho que ela representava inocência, algo ainda não maculado por complexidade. Ela representava o momento em que encontramos a fé, antes de ser de fato testada.


Margaridas e rosas eram imagens contrapostas. Margaridas são o tipo de flor que uma pessoa pode se abaixar e colher em abundância. Elas crescem com facilidade, têm menos perfume e representam zero risco de ter espinhos, como as rodas têm.


Rosas são um tipo mais frágil de flor, são mais afetadas por aquilo que está ao seu redor e por causa de sua vulnerabilidade, elas também contêm defesas. Espinhos têm perfume e são perigosos. As rosas representam um amor mais profundo. A garotinha interpreta ambas as flores como iguais. Ela ainda não viveu uma vida que a permitiria entender a diferença. Além disso, há algo profundo em uma garotinha que consegue ver a vida fácil e corriqueira e a vida abundante e não segura e que consegue agradecer a Deus por ambas, em um só fôlego.


Em partes, essa é uma música sobre crescer. Essa imagem de inocência precisará ser violada pelo mundo. O pecado vai invadir essa história. Um dia ela vai precisar entender o desenrolar da história. Ela precisará se confrontar com os efeitos da Queda e terá que lutar contra as paredes que vai erigir e melancolias que ela jamais conseguirá totalmente expressar.


Essa música fala sobre a espera. Naquele momento ela pareceu ser mais honesta que qualquer outro refrão adorativo que havíamos ouvido. Escrevemos sobre a ideia de "querermos" nos apaixonar, em vez de escrevermos que estávamos apaixonados. Nossos corações não vão pertencer totalmente a Deus nesta vida. Constantemente vamos nos prostituir com outros amantes (esse é um pensamento usado em outra música).


O que desejamos é amar. Mesmo quando a vida revelar dor, confusão e complexidade, ainda assim quero amar. Mesmo quando estivermos feridos pela religião e desiludidos pela religiosidade e natureza humana, mesmo assim, desejo amar.


E a esperança de que essa espera um dia acabará é a esperança que nos permite cantar genuinamente uma música assim.

Sunday, March 06, 2011

Guerra x Fé

Hoje resolvi re-postar um texto escrito pelo Dan, da banda Jars of Clay, sobre uma música que tenho desejado ouvir desde 2006.

Finalmente ele nos deu a música de graça, mas o mais interessante é o que está na letra. Dan tem um coração gigantesco, além de ser muito inteligente, essa combinação é o que fascina a todos que acompanham o seu trabalho com o Jars, ou individualmente.

Confira o texto abaixo.

"Enquanto ouvia o meu iPod, uma música começou a tocar, da qual eu havia me esquecido. Então já que ela veio a tona, achei que seria legal se a ouvissem também.

Já faz alguns anos desde que a guerra no Iraque começou. Eu me lembro de ter pensado com meus botões quando eu estava no colegial, que a minha geração tinha sido a primeira que não havia tido uma guerra substancial. Isso acabou.

Eu não gosto de guerra. Não gosto de termos aprendido sobre uma hierarquia de maldades que nos permite justificar certos tipos de violência. Também não gosto da quantidade de frases retóricas vazias que preenchem nossas conversas sobre o porquê de irmos à guerra.

De modo nenhum estou fechado às razões pelas quais lutamos. De fato eu acho que há situações em que é necessário evitar o massacre do inocente. É interessante que nós historicamente tenhamos falhado em chegar a tempo de ajudarmos aqueles que sofreram a dor e o terror do genocídio. Por exemplo, Ruanda, Sudão e Zimbábue. Eu gosto de certos níveis de Patriotismo. Honro os soldados que sacrificaram tanto. Estou disposto a entrar nesse diálogo.

Em uma viagem à Nova Zelândia, encontrei um livro infantil chamado "O Inimigo". É uma estória sobre dois soldados em suas trincheiras. Cada qual contemplando os movimentos do outro. Cada um pensando sobre o caráter desumano do outro. Um assumia que o outro era apenas um selvagem sem qualquer medida moral. O outro acreditava que o outro estava apenas obcecado com a forma mais cruel de tortura e homicídio. Eventualmente, um passou desapercebido pelo outro e acabaram caindo nas trincheiras trocadas, de modo que perceberam que não eram tão diferentes assim e os argumentos em que estavam baseando seu ponto de vista agressivo, eram tão falsos quanto os do outro.

Não é difícil descobrirmos que, em uma cultura conduzida pelo marketing, somos continuamente confrontados com ideias motivadoras sobre como viver, o que comer, do que ter medo e quem nosso inimigo é.

A forma como a guerra reduz a humanidade a uma série de diferenças conflituosas sociais ou religiosas, ou mesmo a uma previsão econômica ou transação de razões para entrarem em uma guerra, jamais poderá decididamente vencer o argumento de justificação, quando são colocados à luz dos resultados da guerra e podemos ver claramente as consequências da violência.

Acredito que as pessoas que trabalharam na guerra destruíram parte do mundo. Estive em lugares em que o vil odor dos corpos ainda se mistura com o cheiro de fogo e combustível. Vi os buracos de bala nas paredes de salas de aula, que contam histórias das balas que não acertaram o alvo. Sei que muitas acertaram e ouvi histórias de crianças que sobreviveram aos massacres, quando descreveram como foi ver seus amigos morrerem. Eu me lembro de ter lido histórias de campos de concentração e visto imagens de refugiados após serem torturados.

Fiz parte de um trabalho em um campo onde pessoas desnorteadas se amontoavam para morrer de formas diferentes, que não fosse nas mãos de militares agressivos.

Elas se amontoavam em lugares onde a água é escassa e doenças e desesperança envolviam as tendas e as latrinas imundas. Aquelas não eram condições dignas de se viver. Portanto, fiquei incomodado quando eu soube do cocktail religioso e político que estava sendo preparado durante a presidência Bush. Lembro-me de ouvir os jornalistas traçando a imagem da ameaça da fé islâmica, contra a cultura cristã americana.

Lembro-me do grande escovão que foi usado para vagamente descrever as pessoas e ideais religiosos dos quais todos deveríamos temer. Era uma foça muito bem projetada. Era o suficiente para desejarmos ativamente a guerra.

Era como um episódio de Glee. Parece que sempre me pego em certos momentos do seriado, com a esperança de que um dos personagens faça a escolha errada moralmente. Leva um tempo para perceber a manipulação que está acontecendo ali.

Aquilo me fez perceber que o uso de valores cristãos era uma estratégia primordial no ato de convencer as pessoas de que precisávamos ir à guerra. Foi um plano claramente traçado. Se você fosse um conservador fiel, obviamente você seria pró-guerra. Como isso poderia ser verdade? Era palpável a ameaça na mídia e no discurso presidencial daquele momento, que muitos engoliram. Foi assim que a música foi criada. Nós nos sentimos incomodados com a ideia de guerra. Estávamos tentando entender como aquilo se encaixava com nossos pontos de vista cristãos. Também estávamos voltados para a África e sua necessidade de medicamentos, educação, alimentos e água. Estávamos tentando encontrar um sentido naquela bagunça. A pior parte no fim das contas, foi ver que a guerra estava sendo financiada e promovida como uma guerra religiosa. Foi uma manipulação do poder concedido aos líderes de nossa nação. Eles tomaram vantagem da igreja. Eles nos falaram que temer estava certo e que tínhamos o direito de reagir com base naquele medo.

Escrevemos uma música chamada “Hero43”, que foi um comentário sobre o mau uso da linguagem torcida pelo poder e fé, que ajudaram a incitar uma nação à guerra. Até aquele momento, aquela era a nossa letra mais política. Ela julgava de acordo com a forma que julgamos honesta e apropriada. Ela teria entrado para o cd, se tivéssemos concordado que não nos importávamos se ela obscureceria o restante do cd (Good Monsters). Todo o projeto foi sobre a dualidade do coração, uma investigação do conflito inerente entre o bem e o mal, dentro de nós. Queríamos que as pessoas ouvissem as músicas daquele cd. Queríamos que ouvissem todo o projeto e não queríamos que a mídia registrasse a história desse cd, com base apenas nessa canção. Então decidimos deixá-la de fora do projeto e assim ela foi deixada na prateleira, sob poeira e sua mensagem se tornou menos revelante, até que nós mesmos nos esquecemos dela.

No entanto, muitas pessoas perguntaram se poderiam ouvi-la, logo a resposta é sim. Não mixamos a música devidamente, mas aqui está ela, em sua glória nua e crua. Ela ficará no blog por 24h, considere isso como uma chance de voltar na história."


Texto do blog www.danhaseltine.com.

Sunday, July 08, 2007

"Toda verdade vem de Deus"



"Toda verdade vem de Deus.

O nosso mundo inclui disfunções em muitos aspectos. Sentimos que há épocas em que é bom escrever músicas sobre elas. Estas canções não se tornam em 'comerciais' do Cristianismo, do mesmo jeito que elas são apenas perspectivas sobre os relacionamentos.

Fico imaginando se Deus ri das algemas que nós colocamos em nós mesmos."

Dan falando sobre canções que para muitos, não abordam temas cristãos ou religiosos, ex. Whatever she wanted, Lonely people, Mirrors and Smoke e Water under the bridge, quando na verdade, tudo que é verdade é ligado ao Cristianismo e estas músicas falam sobre encorajamento, amor, perdão, suporte, compreensão, diálogo, honestidade e assuntos que caminham entre os momentos bons e ruins de um relacionamento.

Eu fico me perguntando a mesma coisa que o Dan. Quando vamos crescer?