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Friday, January 26, 2018

Luz Desconfortável



Em tempos de suposta-plena-feliz-positividade-Instagram, está escassa a coragem para assumir que somos frágeis e carecemos.

Hoje trago à memória que o Cristianismo não é recomendado para quem busca uma religião em que se sinta confortável, feliz. Uma garrafa de vinho pode fazer isso!

Qual criança (ou adulto) não teve medo do escuro? É possível perdoar quem tenha medo do que não vê. Tragédia da vida mesmo é ter medo da Luz.

Crédito para C.S. Lewis e Aristocles Plato, filho de Ariston.

Tuesday, February 02, 2016

"Raízes: o livro de minhas vida" Margareth Rafael

"Então, a árvore começou a se erguer em minha mente, começando a mostrar suas flores, terminando todo o arranjo com uma variedade incrível de frutos. Aqui está o meu fruto, a minha contribuição para essa história familiar..."

 Autobiografia de Margareth Rafael.

“A criança que existia em mim ainda brincava, à tardinha, com muitos amigos. Sentávamos na calçada que havia em frente a minha casa, muitos meninos e meninas. Brincávamos de roda, de passar anel, de "Anjo bom e Anjo mau", de "Pêra, uva ou maçã", de piques, pular corda, amarelinha etc. (...) Minha vida era assim àquela época: estudar, estudar e também já estava sendo treinada para aprender a arrumar, lavar, cozinhar, passar, olhar meus irmãos mais novos. (...) Eu era bem magrinha, braços finos, pele morena clara, olhos castanhos claros, cabelos pretos grandes. Agradeço a Deus pela minha vida, tudo que ele fez em mim e por mim.

As brincadeiras que eu aprendi foram as mais lindas e criativas que eu conheci até hoje. Quando observo as brincadeiras das crianças e pré-adolescentes de hoje, percebo que valeu a pena eu ter sido criança aqui em Itambacuri. Os jogos infantis eram lindos e variadas na escola. Em nossa casa, quase todas as noites, quando juntavam todas as crianças da vizinhança para brincarem, o lugar preferido era a calçada em frente a nossa casa. Casos reais como o que relatei, brincadeiras preferidas como essas já não existem nos dias de hoje. Eram brincadeiras em que não havia maldades. Tudo que se brincava, participava e fazia era sadio.

Ser criança é poder brincar com liberdade, com alegria, sentir a brincadeira em nosso ser, ter o sabor da liberdade no coração e na alma, sentir a inocência de brincar...”


Para o leitor, próximo ou distante, amigo, familiar, ou desconhecido, que as lembranças tricotadas neste livro, como em uma toalha na mesa de uma família mineira, se convertam em escolhas transformadoras da mente e condutoras de ações humanas, antes que tenhamos que nos flagelar a dizer: "Por que não agi enquanto havia tempo?"; "Por que tomei a decisão errada?"; "Por que...?" e antes que o resultado de nossos anelos mais íntimos não passe apenas de intenções presas no passado.

Antes de mais nada, recorde e seja grato!


Minha Resenha:

RAÍZES, Margareth Rafael 
RESENHA por Messias Junior

Reconheço que esboçar minha avaliação sobre "Raízes" é, ao mesmo tempo, um desafio, pois trata-se de um trabalho muito delicado e um aprazimento, pois eu fui o primeiro leitor deste trabalho que me apresentou fragmentos desconhecidos da história de meus familiares e de seus amigos.

O título do livro é desvendado quando a autora adentra suas lembranças da infância, como uma valiosa bagagem de vivência enraizada em sua mente por anos. As recordações na obra se reduzem ao ponto de vista de uma única folha que reconhece o valor de duradouras raízes, no papel de mantê-la saudável e unida às demais folhas da copa da árvore, entrelaçadas em galhos que desabrocham de um tronco majestoso. As raízes de uma árvore são responsáveis por ancorá-la ao solo, mantê-la ereta e estável, além de absorver água e nutrientes vitais para sua sobrevivência, crescimento, desenvolvimento e restauração de mazelas causadas aos membros expostos a intempéries.

A arte de capa apresenta fundo em tons gélidos de azul claro acinzentado que remetem a cenários nostálgicos, contrapostos com os tons de castanha bronzeado, reminiscente da terra original, dessa imagem de uma árvore imponente, cujas folhas estão dispostas em órbitas em torno de um tronco sobre raízes graciosas.

Ao fundo, nota-se a imagem de um semblante masculino, o tronco de identidade altaneira, avô da autora. Clemente Moreira de Assis foi sua inspiração para ordenar lembranças e iniciar este trabalho. A contracapa propõe um mosaico de fotos do acervo da autora que ilustram sua infância, juventude e vida adulta.

Esta é a primeira edição desta obra dedicada a parentes queridos que já faleceram e outros que, hoje, tem a oportunidade de se adentrar no universo das memórias da "Poetisa da alma branca". Não faltaram os agradecimentos àqueles que contribuíram com dados riquíssimos sobre o cotidiano de cada uma das pessoas citadas na obra, em cidades interioranas mineiras como Medina, Itambacuri, Teófilo Otoni e vizinhança.

Com a leitura minuciosa e agradável desta autobiografia em 47 capítulos, nota-se, sem qualquer sombra de dúvidas, como o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 4 anos foi regado com muita dedicação e amor, muito respeito, atenção, carinho, saudade, nostalgia, lágrimas, sorrisos, risadas, entre outros sentimentos.

É interessante perceber como a árvore da família foi descrita já nas primeiras páginas do livro. São informações relevantes que sustentam as narrações dos capítulos por vir. Histórias nostálgicas de parentes de ambas as famílias, descrições muito bem detalhadas dos cenários que foram pano de fundo de cada evento. Apesar do tom grave de alguns acontecimentos, tudo contribui para se compreender a simplicidade com que as famílias do interior viviam, entre elementos bucólicos e trabalhos típicos das grandes casas e fazendas mineiras de outrora, cheias de pessoas vívidas, peculiares em seus modos. A cada mudança de curso, novas experiências passam a fazer parte desse percurso traçado.

O autor de "O príncipe e o mendigo", Mark Twain, destacou que atos e palavras de alguém são apenas parte de sua vida, pois sua verdadeira história se dá em seu pensamento - Ninguém conhece essa história, de fato, senão ela mesma. Ele acredita que biografias relatam (superficialmente) fatos da vida de um ser humano, mas o verdadeiro livro da vida de alguém não pode ser escrito.

"Raízes" é um esforço honesto por parte da autora de expor seus pensamentos e narrar a história de alguém que, em meio a altos e baixos, se reencontrou no caminho e continua a esboçar novas páginas deste livro.

Saturday, March 28, 2015

Nós Cegos




Cético, apenas seu jeito de ser
você age como um incrédulo
toca as cicatrizes e limpa as manchas

Resiste e foge
e se convence de não acreditar
em seja qual for a paz que não consiga ver

Você evoca palavras cegas
mundos cegos sucumbirão

Agindo pela lógica, não consegue encontrar
razão alguma para acreditar no amor
Você está cego

Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Blind (Jars of Clay)


Por mais metáforas presentes na letra acima, a história de Dídimus está bem clara na letra, não há apenas conceitos alegóricos, ou reflexão da vida moderna. No entanto, é fácil para qualquer um identificar-se nos versos, seja por familiaridade com o contexto cristão, ou por referência secular de experiência de vida. A letra segue, de bofetões em bofetões, à última estrofe, que me chamou a atenção.


Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Há uma sequência de palavras que não estão claras para/sobre quem estão sendo listadas. "Crucifique e negue ... culpe alguém e incendeie a igreja, até que restem apenas cinzas e então lave as suas mãos". Em outras palavras "cometa o erro e fique calado, alguém será culpado em seu lugar".



Em muitas áreas do mundo, missão era lugar de residência de muitas Igrejas Católicas Romanas, onde os padres se viam conversando sobre pagãos no Cristianismo. Por vezes, as missões eram protegidas por soldados ou homens que serviam a um poder autoritário elevado, como a família real, ou o papado.

Por vezes, elas não eram benvindas, principalmente pelos pobres famintos, que viam os missionários e padres comerem bem e viverem sob um bom teto. Isso passou a ser ainda pior, quando a hipocrisia se tornou aparente, entre aquilo que a igreja pregava e o que ela de fato fazia. "Incendiar as igrejas, ou missões" era uma forma de revolta por parte dessas pessoas, congeladas e famintas, inspiradas pelo socialismo, cansadas da mentira da igreja.

Aparentemente, a letra pesa sobre:


  • a igreja hipócrita com sua agendas fanáticas (fanatismo é "redobrar o esforço quando o objetivo foi esquecido", Santayana, 1863-1952) que age entre paredes fechadas de seus subclubinhos sociais, apontando dedos, em vez de discutir questões sociais de sua responsabilidade (pobreza e fome, para listar dois);
  • incrédulos questionadores/ cristãos revoltados destruindo igrejas (grupos sociais) sem, contudo, solucionar questões relevantes com sua revolta;


Ambos agem, acima de tudo, não refletindo o amor/ paz. Ambos mundos cegos sucumbindo, mediante argumentos cegos.

Boa Páscoa!
.

Tuesday, March 18, 2014

Livro "Manancial Poético" - Margareth Rafael



Na última sexta-feira (14), aconteceu na Casa da Cultura de Itambacuri, o pré-lançamento do livro "Manancial Poético", da escritora Margareth das Dores Rafael Moreira Costa.



O Secretário da Cultura fez a abertura do evento, falando da importância deste para a história de Itambacuri e lembrando do lançamento dos livros do grande escritor Sr. Serafim Silva Pereira (in memoriam).



Compor é expor a alma. Seus sentimentos, amores, amizades, sombras, risos. É apontar a época. É transformar os sonhos, os anseios, a beleza em versos. É transmitir a outros a sensibilidade.



A poetisa Margareth Rafael, com seu talento inquestionável, vem compondo poesias que todos deveríamos ter a satisfação de ler e passar aos filhos e amigos. Ela conta os momentos da vida, anuncia o belo, as quedas e lutas, as vitórias, o amor, a ciranda, o colar, a cotovia, a música, entre outros.



"Manancial Poético" é um livro em que a poetisa descreve o que é "estar em meio à multidão", "o encanto do pôr do sol", "o pé de manga", "mais uma história de amor", "quando a mulher se sente só", além de outros leves e lindos poemas.



Durante a programação, a também poetisa Fátima Kalil fez uma homenagem à autora, lendo a poesia "Minha Alma Autista".



Minha Alma Autista
Sinto o mundo girar a minha volta
Sinto o renascer da natureza
O frescor da brisa que me acaricia
O cheiro do mar que me contagia
O balançar das folhas nas árvores
Que cantam a primavera
As flores silvestres que saúdam o amanhecer
No bosque.... na quimera da vida
Vejo o brilhar das estrelas
Que resplandecem no céu noturno.
Vejo de longe os anéis de saturno
Ouço o bater das asas dos pássaros em retirada
Ouço a sinfonia dos cantores que louvam
Em sintonia
Num coral de anjos artistas
Vejo o reflexo da minha triste alma
Que se encontra no momento... Autista.



Além disso, a eterna professora Da. Bezinha prestou uma homenagem a nossa autora, com uma brilhante explanação sobre o que é escrever, o que é ser poeta, o momento de inspiração de quem escreve. Foi emocionante!



Margareth falou da emoção de lançar seu terceiro livro. Os dois primeiros são "Folhas de Outono" e "Poesias com sabor de mar". Ela agradeceu a presença de todos e ao final serviu um coquetel.



Parabéns Margareth por colocar a vida em versos e nos presentear com tantas belas composições.



Fonte: Blog "Itambacuri em Foco"



Tuesday, January 21, 2014

Perdoe me



"Perdoe me"




Tentei entender todos os mistérios do amor

fiz confissões sob pura ameaça

Pensei que nada tivesse sentido



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras certas

esperando que tudo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Para cada cidade há alguém que clama

como em cada encenação há um ladrão

e quando penso nos erros que eu cometi

{vejo} todas as minhas transgressões como n'um desfile



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras

esperando que algo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras certas para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Pois encontrei as palavras certas para dizer

tenho pensado nelas durante dias

e agora eu imploro que fique


"Esta música veio no final do processo de escrever para este cd e quando comecei a escrevê-la, ela se tratava de outra pessoa. De repente, ela começou a ser sobre mim mesmo. Ao longo do processo deste cd (sobre relacionamentos) comecei a pensar, "Com certeza, eu poderia aprender a pedir perdão de uma forma melhor e sempre fico surpreso quando o perdão é oferecido." Dan Haseltine


Eu estava com dúvidas sobre o que o Dan havia escrito em alguns versos da letra e perguntei à Jenny se ela entendia sobre corais. Eu não entendia o que um "ladrão" tinha a ver com um "coral".

Li um pouco sobre o "ladrão bom" crucificado com Cristo (um insurgente contra o governo romano). Ele reconheceu suas transgressões e elas foram perdoadas ali mesmo, pendurado em uma cruz num monte. (Lucas 23:32-43).

Li ainda que, nas encenações (modelo ocidental) da Paixão de Cristo, o papel dos ladrões é sempre muito difícil, pois ficam expostos e pendurados numa cruz cênica, por um bom tempo. Por menor que seja a participação do ladrão perdoado, não tem como tirar o personagem da encenação, pois ele tem um valor ilustrativo de perdão (e aceitação) muito forte. Ele mal havia se relacionado com Cristo, mas os momentos ao lado dele foram o bastante para que ele se arrependesse de seus erros e estivesse pronto, contrito, rendido, para ser perdoado.

Na letra, o Dan refletiu sobre uma maneira melhor de se pedir perdão e disse que fica surpreso sempre que o perdão é oferecido. O ato de perdoar sempre se sobrepõe ao pedido de perdão, não importa a maneira como você se retrata por algo que tenha feito, que tenha ferido alguém. Somos surpreendidos sempre.