Saturday, March 28, 2015

Nós Cegos




Cético, apenas seu jeito de ser
você age como um incrédulo
toca as cicatrizes e limpa as manchas

Resiste e foge
e se convence de não acreditar
em seja qual for a paz que não consiga ver

Você evoca palavras cegas
mundos cegos sucumbirão

Agindo pela lógica, não consegue encontrar
razão alguma para acreditar no amor
Você está cego

Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Blind (Jars of Clay)


Por mais metáforas presentes na letra acima, a história de Dídimus está bem clara na letra, não há apenas conceitos alegóricos, ou reflexão da vida moderna. No entanto, é fácil para qualquer um identificar-se nos versos, seja por familiaridade com o contexto cristão, ou por referência secular de experiência de vida. A letra segue, de bofetões em bofetões, à última estrofe, que me chamou a atenção.


Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Há uma sequência de palavras que não estão claras para/sobre quem estão sendo listadas. "Crucifique e negue ... culpe alguém e incendeie a igreja, até que restem apenas cinzas e então lave as suas mãos". Em outras palavras "cometa o erro e fique calado, alguém será culpado em seu lugar".



Em muitas áreas do mundo, missão era lugar de residência de muitas Igrejas Católicas Romanas, onde os padres se viam conversando sobre pagãos no Cristianismo. Por vezes, as missões eram protegidas por soldados ou homens que serviam a um poder autoritário elevado, como a família real, ou o papado.

Por vezes, elas não eram benvindas, principalmente pelos pobres famintos, que viam os missionários e padres comerem bem e viverem sob um bom teto. Isso passou a ser ainda pior, quando a hipocrisia se tornou aparente, entre aquilo que a igreja pregava e o que ela de fato fazia. "Incendiar as igrejas, ou missões" era uma forma de revolta por parte dessas pessoas, congeladas e famintas, inspiradas pelo socialismo, cansadas da mentira da igreja.

Aparentemente, a letra pesa sobre:


  • a igreja hipócrita com sua agendas fanáticas (fanatismo é "redobrar o esforço quando o objetivo foi esquecido", Santayana, 1863-1952) que age entre paredes fechadas de seus subclubinhos sociais, apontando dedos, em vez de discutir questões sociais de sua responsabilidade (pobreza e fome, para listar dois);
  • incrédulos questionadores/ cristãos revoltados destruindo igrejas (grupos sociais) sem, contudo, solucionar questões relevantes com sua revolta;


Ambos agem, acima de tudo, não refletindo o amor/ paz. Ambos mundos cegos sucumbindo, mediante argumentos cegos.

Boa Páscoa!
.

Friday, January 30, 2015

Importar Objeto de Sua Banda Favorita

:)

"Haverá mentirosos e ladrões que roubam de você" - Boys, Jars of Clay, Long Fall Back to Earth (2008).


Eu amo o Brasil, mas não sou patriota. Posso afirmar que fui influenciado por poucos elementos do país que definem seu povo. Eu amo esta terra, mas não amo o governo sobre ela. Eu amo a comida (menos os pratos com carne), mas não amo os hábitos brasileiros, no geral. Não amo o dia-a-dia de um brasileiro e menos ainda parte das leis brasileiras que, de vez em quando, atingem um cidadão comum. Amo ser brasileiro, mas não sei se estou orgulhoso disso.


Se já está chato ler até aqui, a partir de agora vai piorar. Para quem não compartilha do que eu penso, se você já está achando isso aqui uma buzanfa e prefere não ler, recomendo que não leia mesmo.
Virei um chato, um chato insuportável. Sou chato mesmo. Sou reclamão, sou ranzinza, sou chorão, crítico, nervoso e impaciente e criei uma legião de pessoas antipatizadas comigo por ser assim. Não sou rico, não ambiciono ser, não esbanjo o que não tenho, não encho a boca para falar de posses e atributos que não me definem. Sou geralmente aquilo com o que você se depararia e não pretendo parecer ser nada mais que isso. Portanto, posers me irritam, wannabes me irritam e dinheiro também me irrita. O dinheiro que eu não tenho me irrita, o que eu tenho me mata, mas o que roubam do que eu tenho, ou até do que eu não tenho, isso me irrita mais ainda.


Falo palavrão no banco, no restaurante, no trânsito, nos passeios, em casa, em estabelecimentos comerciais, menos em lugares onde ninguém estranharia ouvir um palavrão, pois nem lá eu vou e se fosse, não saberia me comportar - estádio de futebol, por exemplo. Quer saber, pelo menos nisso eu não estou sendo roubado, pois me afasto totalmente de futebol (eu disse que não sou um típico brasileiro).


Eu estou precisando mesmo é soltar um palavrão. No dia 12 de novembro de 2014, fiz uma compra pela internet no site do Jars of Clay (banda). Valor: $79.90 (aproximadamente R$200,00). Até hoje não havia visto a cara do produto. A loja dividiu o produto em 3 partes:


A) (1) Camisa (1) CD (4) Pins
B) (2) Discos de vinil (1) CD
C) (1) Poster dentro de um canudo
A primeira parte chegou hoje (acima). Total: $24.00. Para ter um produto que me custou R$60,00, eu tive que pagar:


Para a Receita Federal:
- R$12,00 pelo despacho.
- R$37,61 de importo de importação.


Para a Receita Estadual:
- R$24,64 (não sei dizer o que foi pago aqui).


Total: R$74,25.


Ou seja, 124% do valor da compra. Novamente, os objetos são: 1 camisa, 4 pins e 1 cd, itens que não estão disponíveis no mercado nacional, não são produzidos por nenhuma empresa nacional, logo não prejudiquei a economia do país, gastando sessenta míseras unidades de real. PUTA MERDA. O que são R$60,00 para a economia? Nada. Para mim é o preço que estou disposto a pagar por itens de uma banda que aprecio. Os R$74,25 foram arrancados de mim à força pelas receitas federal e estadual, afinal de contas, minha mão já estava até tremendo de ansiedade na hora em que vi o pacote com itens comprados há mais de 2 meses, mas que devido à morosidade e burocracia dos processos neste país, pareciam nunca chegar. Quando você se depara com essa situação, a vontade é de ser marginal, matar alguém com toda a sua raiva, como forma de protesto, mas somos bundões e não fazemos isso, somos fracos demais para ir contra o governo.


Insatisfeito com a tributação que minha compra sofreu, fui informado que tenho até o direito de contestar, mas eles deixam claro que, entre hoje e o dia 18 de fevereiro, se a disputa não for resolvida, eu começo a pagar juros. Ou seja, mais de 2 meses para receber 1 camisa, 1 cd, 4 pins, mas apenas 18 dias para resolver minha insatisfação, cuja solução dependerá SOMENTE DELES. Final da história, estou R$74,25 mais pobre e mais magoado. Além disso, já estou tenso só de pensar o quanto eles vão me roubar [atualizado no final deste texto] para liberar os dois discos de vinil e o pôster (um pedaço de papel que só tem valor para os fãs).


Apenas para dar uma utilidade a este texto, veja esclarecimentos dados pelo site da Receita:

Isenções:


"Remessas no valor total de até  US$ 50.00 (cinqüenta dólares americanos)  estão isentas dos impostos ,  desde que sejam transportadas pelo serviço postal, e que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas ".
 


O jeito é passar a perna no governo Braseeeel:

1) Se você tem um amiguinho no exterior, envie sua comprinha de menos de USD50.00 para a casa dele. Os EUA são tão generosos que muitas lojas te dão o frete de graça, talvez você nem pague pelo frete.


2) Depois disso, seja um cara-de-pau e peça ao amiguinho para enviar sua comprinha baratinha de menos de USD50.00 via postal (USPS nos EUA). Se for possível, ele pode escrever uma cartinha afetuosa, informando que aquilo é um presente, para nenhum fiscal filho da puta criar caso com seu objeto. Resultado: você pagará o valor devido da compra e apenas o frete internacional (USPS First Class Mail Intl).


3) Você só terá que ser paciente, pois vai demorar mais de 2 meses, a menos que você pague mais caro (USPS Priority Mail Intl).


Eu sempre soube disso tudo, mas normalmente não recorro a esse mecanismo, pois não quero incomodar os amiguinhos que tenho nos EUA e nem pagar de espertão. Mas quem não paga de espertão TOMA NO C...oração. Fica mal, arrasado, chateado e só consegue curtir os novos itens da coleção algumas horas depois de levar a facada, com isso desejar que as autoridades do país morram e desejos de paz afins.


Veja o gráfico da situação:



Atualização: Alguns dias depois, eu paguei R$189,00 para retirar a caixa com o vinil. No dia 6 de fevereiro tive que retornar à agência dos correios, cujo gerente é ridículo, para retirar o pôster, que veio em um tubo de papelão. Novamente, a Receita estava me cobrando + R$189.00, pois o pôster continha uma etiqueta dizendo que ele era o "kit" e que havia custado USD70.00. Erro da loja do Jars, mas falta de bom senso do fiscal da Receita. Bastava ele ver que aquilo era apenas um pôster e não um kit inteiro. Além do mais, eu já havia feito o pagamento de R$189,00 em tributos, relativos àquele kit que inclui o pôster. Final da história, naquele dia, eu me recusei a retirar o pôster e fiz um pedido de reexame do material, pois o valor cobrado é indevido.

Depois de mais de um mês brigando por email, com o Fiscal da Receita em Curitiba, que fingia que não entendia o que eu estava falando, sempre pedindo a mesma coisa já enviada mais de mil vezes, depois de muitos protestos e muita súplica, ele deferiu meu pedido de reexame e eu consegui retirar o meu poster, sem pagar a taxa de novo.

...

Tuesday, March 18, 2014

Livro "Manancial Poético" - Margareth Rafael



Na última sexta-feira (14), aconteceu na Casa da Cultura de Itambacuri, o pré-lançamento do livro "Manancial Poético", da escritora Margareth das Dores Rafael Moreira Costa.



O Secretário da Cultura fez a abertura do evento, falando da importância deste para a história de Itambacuri e lembrando do lançamento dos livros do grande escritor Sr. Serafim Silva Pereira (in memoriam).



Compor é expor a alma. Seus sentimentos, amores, amizades, sombras, risos. É apontar a época. É transformar os sonhos, os anseios, a beleza em versos. É transmitir a outros a sensibilidade.



A poetisa Margareth Rafael, com seu talento inquestionável, vem compondo poesias que todos deveríamos ter a satisfação de ler e passar aos filhos e amigos. Ela conta os momentos da vida, anuncia o belo, as quedas e lutas, as vitórias, o amor, a ciranda, o colar, a cotovia, a música, entre outros.



"Manancial Poético" é um livro em que a poetisa descreve o que é "estar em meio à multidão", "o encanto do pôr do sol", "o pé de manga", "mais uma história de amor", "quando a mulher se sente só", além de outros leves e lindos poemas.



Durante a programação, a também poetisa Fátima Kalil fez uma homenagem à autora, lendo a poesia "Minha Alma Autista".



Minha Alma Autista
Sinto o mundo girar a minha volta
Sinto o renascer da natureza
O frescor da brisa que me acaricia
O cheiro do mar que me contagia
O balançar das folhas nas árvores
Que cantam a primavera
As flores silvestres que saúdam o amanhecer
No bosque.... na quimera da vida
Vejo o brilhar das estrelas
Que resplandecem no céu noturno.
Vejo de longe os anéis de saturno
Ouço o bater das asas dos pássaros em retirada
Ouço a sinfonia dos cantores que louvam
Em sintonia
Num coral de anjos artistas
Vejo o reflexo da minha triste alma
Que se encontra no momento... Autista.



Além disso, a eterna professora Da. Bezinha prestou uma homenagem a nossa autora, com uma brilhante explanação sobre o que é escrever, o que é ser poeta, o momento de inspiração de quem escreve. Foi emocionante!



Margareth falou da emoção de lançar seu terceiro livro. Os dois primeiros são "Folhas de Outono" e "Poesias com sabor de mar". Ela agradeceu a presença de todos e ao final serviu um coquetel.



Parabéns Margareth por colocar a vida em versos e nos presentear com tantas belas composições.



Fonte: Blog "Itambacuri em Foco"



Tuesday, January 21, 2014

Perdoe me



"Perdoe me"




Tentei entender todos os mistérios do amor

fiz confissões sob pura ameaça

Pensei que nada tivesse sentido



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras certas

esperando que tudo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Para cada cidade há alguém que clama

como em cada encenação há um ladrão

e quando penso nos erros que eu cometi

{vejo} todas as minhas transgressões como n'um desfile



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras

esperando que algo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras certas para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Pois encontrei as palavras certas para dizer

tenho pensado nelas durante dias

e agora eu imploro que fique


"Esta música veio no final do processo de escrever para este cd e quando comecei a escrevê-la, ela se tratava de outra pessoa. De repente, ela começou a ser sobre mim mesmo. Ao longo do processo deste cd (sobre relacionamentos) comecei a pensar, "Com certeza, eu poderia aprender a pedir perdão de uma forma melhor e sempre fico surpreso quando o perdão é oferecido." Dan Haseltine


Eu estava com dúvidas sobre o que o Dan havia escrito em alguns versos da letra e perguntei à Jenny se ela entendia sobre corais. Eu não entendia o que um "ladrão" tinha a ver com um "coral".

Li um pouco sobre o "ladrão bom" crucificado com Cristo (um insurgente contra o governo romano). Ele reconheceu suas transgressões e elas foram perdoadas ali mesmo, pendurado em uma cruz num monte. (Lucas 23:32-43).

Li ainda que, nas encenações (modelo ocidental) da Paixão de Cristo, o papel dos ladrões é sempre muito difícil, pois ficam expostos e pendurados numa cruz cênica, por um bom tempo. Por menor que seja a participação do ladrão perdoado, não tem como tirar o personagem da encenação, pois ele tem um valor ilustrativo de perdão (e aceitação) muito forte. Ele mal havia se relacionado com Cristo, mas os momentos ao lado dele foram o bastante para que ele se arrependesse de seus erros e estivesse pronto, contrito, rendido, para ser perdoado.

Na letra, o Dan refletiu sobre uma maneira melhor de se pedir perdão e disse que fica surpreso sempre que o perdão é oferecido. O ato de perdoar sempre se sobrepõe ao pedido de perdão, não importa a maneira como você se retrata por algo que tenha feito, que tenha ferido alguém. Somos surpreendidos sempre.