Tuesday, January 21, 2014

Perdoe me



"Perdoe me"




Tentei entender todos os mistérios do amor

fiz confissões sob pura ameaça

Pensei que nada tivesse sentido



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras certas

esperando que tudo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Para cada cidade há alguém que clama

como em cada encenação há um ladrão

e quando penso nos erros que eu cometi

{vejo} todas as minhas transgressões como n'um desfile



Tão distante quanto os olhos poderiam ver

tão profundo quanto o coração poderia ser

tamanha é a impossibilidade de que você me perdoaria

me perdoaria



Desperdicei mais um ano, esperando pelas palavras

esperando que algo ficasse mais claro

e agora receio tanto, se eu encontrasse as palavras certas para dizer

Afinal de contas, eu te perdi?



Pois encontrei as palavras certas para dizer

tenho pensado nelas durante dias

e agora eu imploro que fique


"Esta música veio no final do processo de escrever para este cd e quando comecei a escrevê-la, ela se tratava de outra pessoa. De repente, ela começou a ser sobre mim mesmo. Ao longo do processo deste cd (sobre relacionamentos) comecei a pensar, "Com certeza, eu poderia aprender a pedir perdão de uma forma melhor e sempre fico surpreso quando o perdão é oferecido." Dan Haseltine


Eu estava com dúvidas sobre o que o Dan havia escrito em alguns versos da letra e perguntei à Jenny se ela entendia sobre corais. Eu não entendia o que um "ladrão" tinha a ver com um "coral".

Li um pouco sobre o "ladrão bom" crucificado com Cristo (um insurgente contra o governo romano). Ele reconheceu suas transgressões e elas foram perdoadas ali mesmo, pendurado em uma cruz num monte. (Lucas 23:32-43).

Li ainda que, nas encenações (modelo ocidental) da Paixão de Cristo, o papel dos ladrões é sempre muito difícil, pois ficam expostos e pendurados numa cruz cênica, por um bom tempo. Por menor que seja a participação do ladrão perdoado, não tem como tirar o personagem da encenação, pois ele tem um valor ilustrativo de perdão (e aceitação) muito forte. Ele mal havia se relacionado com Cristo, mas os momentos ao lado dele foram o bastante para que ele se arrependesse de seus erros e estivesse pronto, contrito, rendido, para ser perdoado.

Na letra, o Dan refletiu sobre uma maneira melhor de se pedir perdão e disse que fica surpreso sempre que o perdão é oferecido. O ato de perdoar sempre se sobrepõe ao pedido de perdão, não importa a maneira como você se retrata por algo que tenha feito, que tenha ferido alguém. Somos surpreendidos sempre.
 

Wednesday, August 07, 2013

"Poesias com sabor de mar", de Margareth Rafael



 
"Poesias com sabor de mar", o segundo livro de Margareth Rafael, já está disponível para compra no site da Biblioteca 24 Horas.

Sinopse
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Tudo que é belo inspira o poeta a escrever em versos e prosa. Até mesmo a emoção em forma de sofrimento e tristeza faz com que o poeta lave sua alma por meio de poemas e poesias. É um suave caminho, talvez o mais veloz e antigo que se pode encontrar para derramar alegrias e tristezas oriundas de dentro do ser.


Escrevo poesias para transmitir aos leitores sensações leves com sabor de mar. Inspiro-me em toda a natureza, desde o cantar do pássaro até o murmurar das águas do mar. Enlaço-me em meus versos, como se eles fossem reais. Tão reais que leitores já me disseram a respeito de meus sentimentos repassados em meus escritos.

A poesia me completa como ser humano didático, filosófico e como ser pensante que sou. E assim a vida segue o curso, como um rio que vai deixando o perfume das flores em seu leito caudaloso, assim são as minhas poesias, com que espero deixar aromas e sabores do mar na vida de cada um. Transmito o amor e sentimentos que flui em minha alma versátil.


A autora
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Margareth das dores Rafael Moreira Costa é brasileira, nascida em Itinga-Mg, em março de 1958. Desenvolveu o gosto pela leitura e escrita desde criança.    

Leu obras de vários escritores e poetas brasileiros e estrangeiros. Formou-se primeiramente no curso de Contabilidade e Magistério na cidade de Itambacuri-Mg.    

Anos depois concluiu o curso de pedagogia na FENORD, em Teófilo Otoni-Mg, além de sua pós-graduação em Gestão Escolar e psico-pedagogia em Itambacuri-Mg. Sempre exerceu a função de professora.     

Atualmente trabalha em projetos educacionais para crianças em fase de Erradicação no "Programa Peti Curumim", da Prefeitura Municipal de Itambacuri-MG. Escreveu várias poesias, contos, crônicas e fábulas no site "Depressão e Poesia" e também publica seus trabalhos no site "Recanto das Letras".     
 
Ama escrever sobre o amor, a natureza e crianças em estilo simples, claro e objetivo. Ama a vida em versos e cores. É uma apaixonada pela literatura em geral.

Contato pelo Facebook

Wednesday, March 21, 2012

Ko _cof_ ny2012




O Invisible Children foi pioneiro em muitas das melhores formas de se usar a mídia social, para trazer esclarecimento a questões que precisavam ser meditadas e engajadas pela comunidade mundial.


É difícil falar com voz crítica em meio a um movimento 'positivo', com um propósito bem intencionado, mas se a repercussão de um movimento assim for errada, isso poderia gerar efeitos duradouros na forma como engajamos a ação social, por muitas décadas. Isso significa que vidas de verdade estão em jogo.


Se este movimento ferir mais que ajudar, ele pode mudar o clima de ceticismo, com relação a causas e histórias humanitárias. Será mais uma barreira a se derrubar, para que seja possível se importar e agir a favor.


Se os EUA removerem Joseph Kony, o que vai acontecer? Há complexidades nesta pergunta, que não se deixam escapar facilmente. Se você falar com o povo Ugando sobre o KONY2012, as complexidades se tornam ainda mais claras.


O problema fundamental no movimento é a dignidade. O caminho para se atingir um objetivo em qualquer ação social que foque em esclarecer e corrigir uma circunstância injusta é tal que você você VAI TER que considerar as pessoas a quem deseja servir.


Às vezes, uma boa ideia pode sabotar completamente a infusão de dignidade em um dado quadro. Fotos bem intencionadas de crianças com moscas em seus rostos, que foram tiradas como forma de se contar a história da fome, na verdade podem ferir mais do que fazer o bem.


Podemos estabelecer posturas que tornam fácil o fato de nos sentirmos como se fôssemos o salva-vidas e as pessoas vítimas da pobreza em um país crítico fossem apenas uni-dimensionais. A boa sensação de sermos heróis pode implicar na incapacidade das pessoas se salvarem a si mesmas, sem nossa ajuda.


O chamado para agir por parte do movimento é para uma ação que poderia se passar por um ato de desobediência civil. As pessoas são chamadas a cobrirem casas, escolas, cidades, ruas, prédios, com cartazes e adesivos (IC instruiu os apoiadores a pregarem apenas em estabelecimentos próprios, ou alheios com permissão - eu hein...).


E a dignidade? Onde ela está no ativismo? Os donos desses estabelecimento teriam o direito de se sentir desrespeitados, violados, por terem que ficar o dia inteiro retirando os cartazes de seus estabelecimentos? Cartazes pregados por pessoas engajadas em um protesto de desobediência civil? Tal movimento não convidou pessoas a se importarem, ou alavancarem suas próprias vozes e recursos, em nome de uma campanha. O resultado imediato seria uma total alienação do tamanho de uma sociedade. Não precisamos de pessoas alienadas. É preciso se importar com sua própria comunidade, para se sustentar um movimento.


Na própria Uganda, o problema seria pior. Do ponto de vista dos Ugandos, este movimento fala em alto e bom tom, que o exército Ugando não fez nada. O chamado à ação fala de um pleito com o objetivo de elicitar uma resposta das forças armadas americanas, para agir e remover um líder estrangeiro, Joseph Kony. Automaticamente, estamos falando “Os Ugandos não conseguem fazer isso por conta própria”, apesar de o exército Ugando ter se responsabilizado por remover Kony e o LRA da Uganda.


Tal movimento, ao não comunicar nada sobre o processo de como agir com justiça sobre Joseph Kony, é negligente em contar às pessoas que facções militares foram informadas a atirarem em Kony, assim que o virem. Joseph Kony terá que ser executado. É isso que “fazer justiça” significa no caso de Kony. Para os que são refletidamente contra a pena de morte, eis aí um dilema.


O movimento de conscientização, em sua simplicidade, não esclarece o dilema, portanto nos faz acreditar que um simples ato de afastamento de um tirano seja a solução. O movimento é negligente quanto a informar a história de TODAS as demais organizações e indivíduos e cidadãos que têm trabalhado duro para servir aqueles afetados pela guerra na Uganda e aqueles que deram suas vidas tentando acabar com os horrores causados por Joseph Kony.


Isso claramente não honra as lutas de uma vida inteira e as pessoas que morreram sob o poder de Kony. Assim como não honra a vida de um alcoólatra, dizer a ele que você sabe melhor que ele, a melhor maneira para se parar de beber, sem sequer ter pedido a ele para lhe contar sua história.


É preciso investir tempo para se conhecer alguém, conhecer sua história. Compreender seu coração e paixões. Conhecer seus sonhos e objetivos. Assim veremos nossa própria história, enredada em sua história e nos veremos implicados no trabalho de ajudar em questões que eles querem mudar em si e em suas comunidades e famílias. Isso leva tempo e geralmente é um tipo de trabalho que é feito sem o glamour de movimentos ligados a ele. No entanto, essa é a única maneira de manter a indignidade intacta.


Algumas pessoas não querem se sentir como se estivessem sendo resgatadas. O que fazer com um movimento que não trabalha em função da dignidade de um povo? Aplaudimos o movimento pelo marketing genial que fizeram? Acreditamos nele e apoiamos a causa, mesmo se no fim você tiver sido enganado, ou mal informado, só para não sermos estraga-prazeres?


A ideia pode ser uma boa ideia de marketing, no entanto não é uma forma de ação muito dignificante. Eu não acredito que temos o dever de apoiar uma campanha que não valorize a integridade de um povo.


O retrocesso e engajamento crítico inútil que pessoas tiveram que apoiar, poderia fazer com que pessoas com boas ideias, desistam. Seria péssimo se outras pessoas concluíssem que fazer uma boa ação é muito arriscado ou que fazer uma boa ação representa muitas chances de se falhar.


O número de pesquisas em torno de desenvolvimento comunitário é imenso e a IC deveria nos mostrar que uma boa ideia de marketing é importante, mas que não é a peça principal do quebra-cabeça.


No link abaixo, podemos ler a opinião de Ugandos que viram o vídeo exibido em seu país. Se a maioria pensa como os que viram a exibição, será que a campanha deveria ser dissolvida? Algumas pessoas comentam que os Ugandos não entenderiam o vídeo feito pela IC, pois ele não foi feito com Ugandos em mente e sim para fazer com que os americanos tomem uma postura sobre o assunto. Bom, o link desbanca conceitos errados sobre o quanto os Ugandos são inteligente e engajados/conectados entre si.


“Ao final do vídeo, o clima passou a ser mais de indignação contra o que muitos viram como um relato estrangeiro inexato, que apenas diminuiu e comercializou seu sofrimento, pois o filme promove braceletes Kony e outros itens de merchandise, com o objetivo de tornar Kony infame.”


http://boingboing.net/2012/03/14/uganda-screening-of-kony-201.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter



Texto adaptado do blog: Dan Haseltine

Tuesday, November 29, 2011

“Frail” (revisited)



Opa! De volta com mais explicações do Dan. Ele já havia postado sobre “Frail”, desde Outubro! Onde eu estava que não li sobre essa postagem? Essa música me dá vontade de xingar um palavrão! Eu poderia ter usado várias imagens para ilustrar fragilidade, mas resolvi usar uma rosa, já que a música usa a imagem de rosa. Sem falar que eu mesmo bati essa foto, numa época em que muitas coisas eram representativas para mim, acho que muitas já morreram como a rosa. De acordo com o texto, acho que estou mais forte, talvez mais amargo, sem dúvida mais sensível, um pouco receoso. Temos mais análises dessa música, compartilhadas entre nós, amigos fãs da banda. Acredito que é uma das letras que mais debatemos ao longo dos anos. Ela é inesgotável.

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Desde a primeira vez que ouvi essa música, eu quis que o Jars fizesse algo com ela.


O violão com arranjos hipnóticos veio de uma fita cassette do Steve. Ele nem acreditava tanto nela assim. Acredito que ele estava apenas sendo humilde. Ele já tinha usado essa faixa como parte de uma apresentação de música que fez para conseguir uma bolsa na Faculdade Greenville College.


Mesmo não tendo acreditado tanto nela, ela tinha seu valor acadêmico de $300, que foi a recompensa que ganhou, como bolsa para a faculdade. Visto que ele passou os últimos anos daquela época, sob a névoa de artistas como Enigma, Deep Forest, Future Sound of London, a disposição dos arranjos evocava um grande senso de atmosfera e melancolia que precisava ser explorado mais adiante.


Então perguntei ao Steve se podíamos usar sua ideia e construir algo com ela. Ele concordou.


Então nos trancamos no estúdio do terceiro piso da faculdade, eu havia acabado de comprar um novo modelo de sintetizador, para incrementar nosso arsenal coletivo de teclados que no começo eram um Roland W-30, um Korg M1, um Korg 01W, que incluiria ainda um Kurzweil K2000S. (Apenas citei os teclados, pois eles foram parte vital da experimentação do Jars no início dos anos 90.)


Frail não teria entrado para nenhum cd, se não fosse pelo arranjo obscuro que descobrimos no sintetizador K2000S. Entrou por causa daquele arranjo e um trecho de bateria que o Depeche Mode havia deixado nítido e livre para ser usado em seu cd “Songs of Faith & Devotion”.


Acredito que a gravação de "Frail" que está na demo original ainda é um de meus momentos preferidos daquele projeto. Mas por mais legal que fosse a gravação, eu sabia que ainda não havíamos terminado aquela faixa.


Mesmo não tendo gravado uma versão de "Frail" para o ST, o humor e espaço daquela música foram um gancho importante para todos os cds que fizemos. Continuaríamos escrevendo em cada cd, em busca de uma música que capturasse aquele humor. Nenhum cd parecia estar completo, sem o nosso momento “frail”.


O primeiro cd já tinha esse momento, com “Worlds Apart” e “Blind.”


Começamos a escrever para o cd “Much Afraid” em uma casa alugada por nosso gerente de desenvolvimento artístico. Foi uma das primeiras coisas que eu quis tentar resolver para o próximo cd. Era sem dúvidas uma tarefa preocupante. Eu não havia percebido quanto peso eu havia dado àquela música até o momento que tentei escrever a letra dela. Eu estava dolorosamente ciente de que a letra errada poderia arruinar aquele trabalho musical maravilhoso.


Eu não tive muitos momentos como aquele em minha vida. Nunca tive um momento igual, desde aquele. Eu sonhei com a letra de "Frail". Era quase uma ideia completa em minha mente. Acordei e escrevi em uma página em branco no final de um livro que eu estava lendo. Rasguei a página e a levei no dia seguinte, quando estávamos escrevendo.


Algumas pessoas olham para a vida e têm prazer em envelhecer. Outras pessoas fazem de tudo que podem para reverter qualquer efeito da idade. Sempre tive uma inclinação para o lado pesaroso de se envelhecer.


Isso nasceu de uma compreensão aguda tanto a partir da observação das demais pessoas próximas a mim, como de minha própria história de inocência interrompida. É a realidade de que a história humana está destinada a ter capítulos que nos fazem passar por sofrimento.


Vamos testemunhar e experimentar da vida, de formas que nos fazem crescer e nos fazem mais fortes, ou mais amargos, mais sensíveis, ou receosos. Vamos passar por isso e pelo momento que precede nossa entrada em lugares como esses, como descer uma rodovia, olhando adiante, onde uma tempestade cobre o caminho, então suspiramos.


Não podemos evitar a idade. Nem sequer sabemos o quão ingênuos fomos até que nossos olhos são abertos. Adentramos o sofrimento porque está em nosso DNA e é algo trançado tão cuidadosamente que não podemos evitá-lo. Negar que envelhecemos pode significar negar quem somos.


Ainda sinto aquele senso de pesar quando vejo crianças entrando na jornada, em sua maioria alheias às tempestades que se formam adiante. Sinto falta disso, mesmo quando me sinto grato por estar onde estou. Em tensão.


Este é o lugar onde “Frail” existe.


Há poucas músicas que eu sempre amei tocar noite após noite. Passei a amar os arranjos de cordas feitos por Ron Huff, produzidos por Stephen Lipson. Eu me lembro de não ter gostado tanto a princípio, pois pareceu grandioso demais. Eu queria algo simples. Mas passei a gostar deles, assim como passei a gostar de todo o cd Much Afraid.


Inclusive, enquanto escrevo isso, a música continua a crescer, neste momento em que a exploramos ainda mais, para nossa próxima turnê. Fique ligado. Texto original aqui.

Thursday, November 17, 2011

Work (by Juca)


Já que o Dan está demorando a explicar a próxima música, resolvi postar meus pensamentos sobre Work. Alguns já conhecem este texto, mas para outros será novo e espero que sirva de análise e reflexão.


Good Monsters” foi um divisor de águas e estremeceu as expectativas dos fãs, da melhor forma possível. Não só os fãs, mas o mundo da música. Muitos vão se lembrar que o cd já estava sendo premiado como melhor do ano, mesmo antes de 2006 terminar!


O cd praticamente explorou o yin e o yang da experiência humana, com profunda investigação musical e emocional. Seu rock melódico tanto gerou excitação, quanto acalmou.


Tudo indicava que a banda estava tomando uma nova direção (novamente, mas especialmente após o período acústico de “Furthermore”, “WWAI” e “Redemption Songs” - citações do Steve muito relevantes aqui). O prazer da banda em experimentar além dos campos familiares se tornou contagioso, derramando honestidade e liberdade a cada elemento de seu autêntico rock alternativo.


Emocionalmente falando, as faixas representam um conjunto despido, com material não moralista, instigador em seus temas, de expressão esotérica (tradução = profunda). Somos confrontados com um sentimento em tempo real por todo o cd, um lamento sobre o embotamento de espírito que epitoma o nosso dilema. As letras não retrocedem quanto às dúvidas honestas e medo da noite, mas denotam como até o questionar é um ato de entrega. Nossa luta não é removida da vida de fé, ela é um elemento inerente da verdade que de uma forma ou de outra, temos que procurar conduzir.


"Conectar-se com pessoas que estão dando o duro, abrindo mão de suas vidas pelo próximo, evitando a isolação, permitiu-me ver que há tanto um mal imensurável e um bem insondável, coabitando sob minha própria pele e é a Graça, misericórdia e a liberdade que me permitem ser não apenas um monstro, mas um bom monstro". Dan.



Work tem tudo a ver com a experiência que o Dan compartilhou em sua entrevista, para a Christianity Today, que eu traduzi para publicar no DotGospel;


Os temas passam por isolação, afastamento e como essa fuga nos priva de sermos honestos em nossos relacionamentos, quanto a nossas fraquezas.


Now all the demons look like prophets and I'm living out”

(agora todos os demônios se parecem com profetas e estou lançando fora)


Esse trecho mostra como alguém lida com momentos de isolação e as tentações que lhe sobrevêm. Usar a figura 'demônios' que se parecem com 'profetas' teria sido para ilustrar o que o Dan disse na entrevista. Esse afastamento da comunidade, da comunhão com as pessoas, faz com que você tente resolver seus problemas, medos, tentações e fraquezas, sozinho, como se pudéssemos lidar com essas questões numa relação vertical homem x Deus.


Na verdade, você se isolou, ouvindo unicamente a sua própria voz, da forma mais conveniente possível. Conveniência é justificar o seu erro, tomar o que é mau, por bom, errado, por certo ... mas o 'estou lançando fora tudo que proferem' seria uma reação às vozes citadas em "não posso confiar nestas vozes".


Por fim, elas são sua própria voz, seu próprio ego, tentando se resolver, sem qualquer resultado efetivo. Logo, a letra não fez nenhuma referência a seres espirituais e igrejas falidas. Ela é sobre relacionamentos, como base para tudo na vida.


Em Good Monsters, eles se viram neste momento que não ditava que eles tinham a obrigação de explicar o que cada linha de cada música queria dizer (na verdade, sempre foi assim). Quando davam algum insight sobre alguma música, é que consideravam que deveriam fazê-lo, o que não significa aquilo de que se abstiveram de comentar, não fosse tão importante quanto. (Dan sempre diz que prefere deixar as letras abertas à compreensão pessoal de cada ouvinte)


Para a banda, a mensagem de Work é um dos temas mais importantes que eles já tentaram comunicar em uma música, no que diz respeito a rechaçar os efeitos da isolação e a forma como tentamos entender como viver a vida sozinhos e tudo que fazemos da forma como as pessoas nos dizem, que pensamos que vai nos fazer sentir como se estivéssemos vivendo mais intensamente e experimentando mais da vida, experimentando mais amor do que queremos e devemos dar nesta vida, quando descobrimos que essas coisas não serão encontradas, ao fazermos o que as pessoas dizem nos domingos, ou tentando manter nossa reputação limpa, mas são encontradas quando compartilhamos nossas vidas uns com os outros e contamos nossa história e caminhamos juntos, desenvolvendo o que nós gostamos de chamar de 'comunhão'.


A música é um clamor pessoal de cada um e como banda, querem conhecer as pessoas e se darem a conhecer àqueles ao seu redor, tornando a vida mais significante e impactante, como resultado de quão bem sabem que são amados.


A frase "não quero ficar sozinho" está muito clara para quem leu a entrevista do Dan, para a Christianity Today.


Uma das frases mais ousadas do cd é "I'm not afraid of drowning ...", por ser tão direta quanto à morte. Penso que Paulo conseguiu chegar a esse ponto também, ao dizer que para ele “o viver era Cristo e o morrer era lucro”. “Respirar” (viver) realmente dá muito trabalho, afogar (morrer) não é mais algo assustador, diante da realidade de vida. "Respirar é que está me dando todo esse trabalho" é uma forma de dizer que expor-se, abrir-se, subir à superfície e se mostrar às pessoas é tão difícil para qualquer um de nós, que preferimos nos manter submersos, não nos damos a conhecer e afundamos em isolação.


Clipe oficial aqui

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Wednesday, July 27, 2011

River Constantine (revisited)


Se ignorarem o texto (quase impossível), pelo menos essas fotos vocês têm que amar oO Não existe explicação para a música River Constantine, só mesmo o Dan tem o direito de falar algo:


Acho que não importa os motivos, a casa era nossa e em vez de viajar para algum lugar exótico, com ilhas tropicais ou arquitetura histórica, agüentamos firme o inverno do meio-oeste, em uma típica casinha, à margem do campus do Luther College.


Talvez tenha sido o consentimento coletivo de que gostaríamos de expandir a nossa criatividade, ou porque estávamos muito inspirados com as opiniões da gravadora, tentando entrar em nosso processo criativo.


Sair do universo negocial da música e tentar ficar parado por tempo o bastante para se escrever algo com que valesse a pena se comprometer, para o novo cd, era nossa maior motivação.


Na verdade não tinha muito coisa em Decorah, IA, exceto o colégio. Sabíamos que não iríamos fazer muito além daquilo que deveríamos fazer. Depois de fazermos rastros de um trenó na neve e no gelo no jardim em frente à casa e comprar gorros de inverno, tipo de caça, com peles e de comer no único restaurante chinês da cidade, finalmente encontramos nosso espaço criativo.


Há um tipo de música que sempre procuro, quando começamos um cd novo. Uma música do tipo que eu anelo, busco e tento escrever de forma bela, bem no início do processo. No primeiro cd, essa música foi “Blind”. No segundo cd foi “Frail”.


Apesar de termos tentado escrever de uma perspectiva um pouco mais caprichosa, ou ironicamente imparcial, em nosso terceiro cd, era importante para mim, que o gancho do projeto ainda tivesse aquela alma introspectiva atrelada a ele.



Escrevemos algumas músicas naquela casa. “Headstrong”, “Goodbye, Goodnight”, “Famous Last Words” e River Constantine”.


A música parecia captar o que eu pensei ser apenas uma fome por algo que não mudava. Não que a vida de um músico e artista que viaja muito não seja animada e divertida, mas nada mais era como costumava ser. Não havia constantes, havia uma voz que parecia me encontrar em lugares mais silenciosos, em momentos em que eu era capaz de ouví-la. Ela estava sempre lá.


Mesmo quando eu me debatia com a ideia de fé e tinha um pouco de desgosto por tudo que era carismático, parecia que eu não conseguia negar a presença do Espírito Santo. Meu contexto para o Espírito Santo havia se tornado em uma presa das muitas circunstâncias em que eu observava as pessoas manipulando e forjando a Sua presença.


Eu não queria atribuir nada a tal espírito, porque eu não queria me colocar na companhia de pessoas que aprendi a repugnar.


Mesmo assim, eu não podia negar a presença do Espírito Santo. Parecia mais o tipo de voz que professa os mais ilógicos encorajamentos contra a corrente do momento e contra as evidências físicas que poderiam me deixar paralisado ou me fazer fugir de medo, ou aversão.




Valeu muito a pena escrever sobre isso, o que acabou se tornando em River Constantine.


A ilustração não era nova. Não havia nenhuma conexão real com Constantine, apesar de ter sido ele quem legalizou o Cristianismo em Roma, durante uma época em que a maioria dos fiéis eram brinquedos e eventualmente, comida para leões.


Foi uma forma poética de dizer 'constante'. Chamá-la do que eu sabia que ela era. Eu ainda estava feliz (não-apologeticamente) por escrever músicas, usando metáforas de água. Aquele se tornou um dos poucos momentos em “If I Left the Zoo”, em que não usei um tom severo ou sarcástico, quanto a conceitos religiosos e fé institucional.


Sou grato ao Dennis Herring pelos riscos que assumiu na produção dessa música. Continuo apaixonado pela bateria do Ben Mize.


Uma das performances dessa música com os demais, da qual me lembro com maior afeição, foi em um show improvisado, em um pequeno café, ligado ao campus. Aquela foi uma noite muito legal.