Friday, January 26, 2018

Luz Desconfortável



Em tempos de suposta-plena-feliz-positividade-Instagram, está escassa a coragem para assumir que somos frágeis e carecemos.

Hoje trago à memória que o Cristianismo não é recomendado para quem busca uma religião em que se sinta confortável, feliz. Uma garrafa de vinho pode fazer isso!

Qual criança (ou adulto) não teve medo do escuro? É possível perdoar quem tenha medo do que não vê. Tragédia da vida mesmo é ter medo da Luz.

Crédito para C.S. Lewis e Aristocles Plato, filho de Ariston.

Tuesday, May 09, 2017

Eu nasci para me irritar com clichés



Neste vídeo (link) o Hanson, uma de minhas bandas preferidas, toca a faixa nova "I was born", sua mais nova produção comercial de positividade, uma carona n'uma onda talvez filosófica do pre-determinismo, implicando que tudo que fazemos é fruto de sermos agentes autônomos de nossos destinos.

Porta-vozes do resto do mundo, ou não, fica difícil se posicionar com relação a uma letra toda cantada na 1ª pessoa do singular, mas intencionada para responder por uma legião de seguidores, principalmente quando todo mundo se apropriou facilmente da mensagem, que respinga alto-astral em quase 4 minutos de música, deixando pouca margem para a propensão humana ao erro e, com frequência, a nos decepcionarmos e fracassarmos, comumente adotando princípios otimistas até demais (estímulos Polianistas), como os que dominam redes sociais, posts, statuses, stories, snaps etc, em forma de fotos, vídeos, checkins e tudo mais fugaz, raso e vazio de verdades humanas.


Musicalmente, a faixa cumpre o que deve ter sido o objetivo de uma música nada pungente, algo como uma trilha encontrada em qualquer editorial de programas cristãos de acampamento juvenil nos EUA. Ou um comercial do Tomorrow Land, se fosse na terra da música pop. Ou qualquer música deste mix. E o problema está justamente nisso, Hanson não deveria se enquadrar na categoria de "qualquer música", afinal são 20 anos de carreira, ainda que na sombra do esquecimento, já há mais de uma década e meia.

Posso afirmar isso, pois conheço o trabalho da banda a fundo e eles frequentemente acertam, a despeito da indústria e tendências anti-originalidade.

Na sequência, eles tocam MMMBop, o pontapé da carreira, da trajetória de sucesso que começou 20 anos atrás. Não consigo entender como "I was born" conecta o novo momento do Hanson com a banda que estreou com MMMBop. É a tentativa mais insossa de remontar ao começo de uma carreira admirável. Principalmente, quando, no mesmo vídeo, o Zac explica como "é possível ir mais profundo no psique da letra de MMMBop que, na verdade, trata-se do psique de crianças passando por rejeição, mas tendo a chance de ver seus sonhos se tornarem uma realidade, convivendo com as consequência de ambos, ao mesmo tempo." Além de ter sido chamada de "sombria e inebriante". Ou seja, nenhuma mensagem exacerbada de puro positivismo, como as que encontramos em canecas decoradas na Imaginarium e duty-frees pelo mundo, pode se comparar com essa noção profunda da letra de MMMBop, que na verdade, segundo o Isaac, faz mais sentido se cantada no ritmo dramático original.

A próxima faixa é "Thinking 'bout somethin'", ótima faixa, explicada aqui. Este post por si só já deixa claro como a banda é relevante para a música americana e mundial. O host da Billboard consegue ser superficial o bastante com o comentário "Que incrível!" - quando na verdade, não importa, a música é boa mesmo, ainda que esta versão ao vivo tenha sido pobre e deprimente, para sua realidade de riqueza instrumental.

Veja o clipe com a letra de "I was born":


Veja o clipe oficial, lançado em 26 de maio.




Bom, foi um desabafo enquanto espero os shows da turnê no Brasil, este ano.

23 de agosto - Rio de Janeiro
24 de agosto - Belo Horizonte
25 de agosto - São Paulo

Monday, September 19, 2016

Flores pelo asfalto



Não se preocupe, vamos sobreviver
sorrisos forçados, sob a luz frágil e fria
não há conforto nos lugares familiares, não desta vez
Você o mantém no mais profundo interior
Nem sinal de inundação, mas as águas continuam a subir
Flores pelo asfalto, diamantes nas bolsas de seus olhos
vire o rosto e o esconda

Eu vi uma mulher, com fitas no cabelo
idosa e solitária, tão bonita que tive que parar e fitá-la
A fonte não secará
Se acordar no meio da noite
as paredes cairão, deixando entrar a luz
não é preciso se preocupar
Até os anjos choram

Even Angels Cry | Jars of Clay


Esses versos me transmitem o conforto nas palavras de alguém muito querido, tentando lembrar que apesar de todo o sofrimento, não é preciso se preocupar, ainda que estejamos em um quarto escuro, a luz invadirá e suplantará a escuridão.

Quando sentimos que não há mais esperança, ficamos sem visão e com medo. Nada disso nos torna únicos em nosso sofrimento. Todos sofremos, pecamos, erramos, precisamos de ajuda, pessoas, amor, milagre, conforto. Essa semelhança universal é que nos aproxima.

Não tenha receio de expressar sua humanidade. Choramos, somos falhos e fracos e quando não mais suportarmos a dor, lamentamos. Isso é um traço humano.

Há uma mensagem bastante humana nestes temas: sofrimento, desespero na sobrevivência, o cenário de destruição, portas fechadas, cansaço, desgaste, solidão, pessoas queridas, familiares, todos esquecidos, abandonados, sem identidades. O campo de guerra, onde todos se tornam em seu próximo, todos viram companheiros numa luta por sobrevivência.

Em situações assim, você deseja ouvir algo que alimente sua esperança. Talvez nem mesmo sua própria casa seja um lugar seguro e confortável e passa a ser alvo de destruição também, como tudo em volta. As palavras de conforto virão, mas e o cumprimento delas? Não é certo.

Tuesday, September 06, 2016

Bolhas ao Vento

"Nossos corações são como o sonho de quem faz bolhas de sabão, levados por todo tipo de ventos" Weighed Down, Jars of Clay

Podemos banalizar o amor?

Compara-se os corações ao sonho de alguém que sopra bolhas de sabão, imediatamente levadas por qualquer vento, impelidas por ele como a pragana. Talvez o sonho de quem as cria seja que as bolhas permaneçam ali, mesmo que por um tempo de vida tão curto, mas o vento as leva.


Nossos corações são levados pelos ventos e se chocam com alguma parede ou galho de árvore e se ferem.

O 'sonho' ilustra o abatimento, como candeias enfraquecidas. Quando se fica 'abadito' sonhando, quem sonha espera que algo ou alguém mude, para então se sentir liberto desse abatimento/ depressão.

Almeja-se a leveza de emoções positivas.

Tuesday, February 02, 2016

"Raízes: o livro de minhas vida" Margareth Rafael

"Então, a árvore começou a se erguer em minha mente, começando a mostrar suas flores, terminando todo o arranjo com uma variedade incrível de frutos. Aqui está o meu fruto, a minha contribuição para essa história familiar..."

 Autobiografia de Margareth Rafael.

“A criança que existia em mim ainda brincava, à tardinha, com muitos amigos. Sentávamos na calçada que havia em frente a minha casa, muitos meninos e meninas. Brincávamos de roda, de passar anel, de "Anjo bom e Anjo mau", de "Pêra, uva ou maçã", de piques, pular corda, amarelinha etc. (...) Minha vida era assim àquela época: estudar, estudar e também já estava sendo treinada para aprender a arrumar, lavar, cozinhar, passar, olhar meus irmãos mais novos. (...) Eu era bem magrinha, braços finos, pele morena clara, olhos castanhos claros, cabelos pretos grandes. Agradeço a Deus pela minha vida, tudo que ele fez em mim e por mim.

As brincadeiras que eu aprendi foram as mais lindas e criativas que eu conheci até hoje. Quando observo as brincadeiras das crianças e pré-adolescentes de hoje, percebo que valeu a pena eu ter sido criança aqui em Itambacuri. Os jogos infantis eram lindos e variadas na escola. Em nossa casa, quase todas as noites, quando juntavam todas as crianças da vizinhança para brincarem, o lugar preferido era a calçada em frente a nossa casa. Casos reais como o que relatei, brincadeiras preferidas como essas já não existem nos dias de hoje. Eram brincadeiras em que não havia maldades. Tudo que se brincava, participava e fazia era sadio.

Ser criança é poder brincar com liberdade, com alegria, sentir a brincadeira em nosso ser, ter o sabor da liberdade no coração e na alma, sentir a inocência de brincar...”


Para o leitor, próximo ou distante, amigo, familiar, ou desconhecido, que as lembranças tricotadas neste livro, como em uma toalha na mesa de uma família mineira, se convertam em escolhas transformadoras da mente e condutoras de ações humanas, antes que tenhamos que nos flagelar a dizer: "Por que não agi enquanto havia tempo?"; "Por que tomei a decisão errada?"; "Por que...?" e antes que o resultado de nossos anelos mais íntimos não passe apenas de intenções presas no passado.

Antes de mais nada, recorde e seja grato!


Minha Resenha:

RAÍZES, Margareth Rafael 
RESENHA por Messias Junior

Reconheço que esboçar minha avaliação sobre "Raízes" é, ao mesmo tempo, um desafio, pois trata-se de um trabalho muito delicado e um aprazimento, pois eu fui o primeiro leitor deste trabalho que me apresentou fragmentos desconhecidos da história de meus familiares e de seus amigos.

O título do livro é desvendado quando a autora adentra suas lembranças da infância, como uma valiosa bagagem de vivência enraizada em sua mente por anos. As recordações na obra se reduzem ao ponto de vista de uma única folha que reconhece o valor de duradouras raízes, no papel de mantê-la saudável e unida às demais folhas da copa da árvore, entrelaçadas em galhos que desabrocham de um tronco majestoso. As raízes de uma árvore são responsáveis por ancorá-la ao solo, mantê-la ereta e estável, além de absorver água e nutrientes vitais para sua sobrevivência, crescimento, desenvolvimento e restauração de mazelas causadas aos membros expostos a intempéries.

A arte de capa apresenta fundo em tons gélidos de azul claro acinzentado que remetem a cenários nostálgicos, contrapostos com os tons de castanha bronzeado, reminiscente da terra original, dessa imagem de uma árvore imponente, cujas folhas estão dispostas em órbitas em torno de um tronco sobre raízes graciosas.

Ao fundo, nota-se a imagem de um semblante masculino, o tronco de identidade altaneira, avô da autora. Clemente Moreira de Assis foi sua inspiração para ordenar lembranças e iniciar este trabalho. A contracapa propõe um mosaico de fotos do acervo da autora que ilustram sua infância, juventude e vida adulta.

Esta é a primeira edição desta obra dedicada a parentes queridos que já faleceram e outros que, hoje, tem a oportunidade de se adentrar no universo das memórias da "Poetisa da alma branca". Não faltaram os agradecimentos àqueles que contribuíram com dados riquíssimos sobre o cotidiano de cada uma das pessoas citadas na obra, em cidades interioranas mineiras como Medina, Itambacuri, Teófilo Otoni e vizinhança.

Com a leitura minuciosa e agradável desta autobiografia em 47 capítulos, nota-se, sem qualquer sombra de dúvidas, como o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 4 anos foi regado com muita dedicação e amor, muito respeito, atenção, carinho, saudade, nostalgia, lágrimas, sorrisos, risadas, entre outros sentimentos.

É interessante perceber como a árvore da família foi descrita já nas primeiras páginas do livro. São informações relevantes que sustentam as narrações dos capítulos por vir. Histórias nostálgicas de parentes de ambas as famílias, descrições muito bem detalhadas dos cenários que foram pano de fundo de cada evento. Apesar do tom grave de alguns acontecimentos, tudo contribui para se compreender a simplicidade com que as famílias do interior viviam, entre elementos bucólicos e trabalhos típicos das grandes casas e fazendas mineiras de outrora, cheias de pessoas vívidas, peculiares em seus modos. A cada mudança de curso, novas experiências passam a fazer parte desse percurso traçado.

O autor de "O príncipe e o mendigo", Mark Twain, destacou que atos e palavras de alguém são apenas parte de sua vida, pois sua verdadeira história se dá em seu pensamento - Ninguém conhece essa história, de fato, senão ela mesma. Ele acredita que biografias relatam (superficialmente) fatos da vida de um ser humano, mas o verdadeiro livro da vida de alguém não pode ser escrito.

"Raízes" é um esforço honesto por parte da autora de expor seus pensamentos e narrar a história de alguém que, em meio a altos e baixos, se reencontrou no caminho e continua a esboçar novas páginas deste livro.

Saturday, March 28, 2015

Nós Cegos




Cético, apenas seu jeito de ser
você age como um incrédulo
toca as cicatrizes e limpa as manchas

Resiste e foge
e se convence de não acreditar
em seja qual for a paz que não consiga ver

Você evoca palavras cegas
mundos cegos sucumbirão

Agindo pela lógica, não consegue encontrar
razão alguma para acreditar no amor
Você está cego

Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Blind (Jars of Clay)


Por mais metáforas presentes na letra acima, a história de Dídimus está bem clara na letra, não há apenas conceitos alegóricos, ou reflexão da vida moderna. No entanto, é fácil para qualquer um identificar-se nos versos, seja por familiaridade com o contexto cristão, ou por referência secular de experiência de vida. A letra segue, de bofetões em bofetões, à última estrofe, que me chamou a atenção.


Crucifique e negue, passe adiante a culpa, incendeie a igreja
até que restem cinzas, lave suas mãos

Há uma sequência de palavras que não estão claras para/sobre quem estão sendo listadas. "Crucifique e negue ... culpe alguém e incendeie a igreja, até que restem apenas cinzas e então lave as suas mãos". Em outras palavras "cometa o erro e fique calado, alguém será culpado em seu lugar".



Em muitas áreas do mundo, missão era lugar de residência de muitas Igrejas Católicas Romanas, onde os padres se viam conversando sobre pagãos no Cristianismo. Por vezes, as missões eram protegidas por soldados ou homens que serviam a um poder autoritário elevado, como a família real, ou o papado.

Por vezes, elas não eram benvindas, principalmente pelos pobres famintos, que viam os missionários e padres comerem bem e viverem sob um bom teto. Isso passou a ser ainda pior, quando a hipocrisia se tornou aparente, entre aquilo que a igreja pregava e o que ela de fato fazia. "Incendiar as igrejas, ou missões" era uma forma de revolta por parte dessas pessoas, congeladas e famintas, inspiradas pelo socialismo, cansadas da mentira da igreja.

Aparentemente, a letra pesa sobre:


  • a igreja hipócrita com sua agendas fanáticas (fanatismo é "redobrar o esforço quando o objetivo foi esquecido", Santayana, 1863-1952) que age entre paredes fechadas de seus subclubinhos sociais, apontando dedos, em vez de discutir questões sociais de sua responsabilidade (pobreza e fome, para listar dois);
  • incrédulos questionadores/ cristãos revoltados destruindo igrejas (grupos sociais) sem, contudo, solucionar questões relevantes com sua revolta;


Ambos agem, acima de tudo, não refletindo o amor/ paz. Ambos mundos cegos sucumbindo, mediante argumentos cegos.

Boa Páscoa!
.

Friday, January 30, 2015

Importar Objeto de Sua Banda Favorita

:)

"Haverá mentirosos e ladrões que roubam de você" - Boys, Jars of Clay, Long Fall Back to Earth (2008).


Eu amo o Brasil, mas não sou patriota. Posso afirmar que fui influenciado por poucos elementos do país que definem seu povo. Eu amo esta terra, mas não amo o governo sobre ela. Eu amo a comida (menos os pratos com carne), mas não amo os hábitos brasileiros, no geral. Não amo o dia-a-dia de um brasileiro e menos ainda parte das leis brasileiras que, de vez em quando, atingem um cidadão comum. Amo ser brasileiro, mas não sei se estou orgulhoso disso.


Se já está chato ler até aqui, a partir de agora vai piorar. Para quem não compartilha do que eu penso, se você já está achando isso aqui uma buzanfa e prefere não ler, recomendo que não leia mesmo.
Virei um chato, um chato insuportável. Sou chato mesmo. Sou reclamão, sou ranzinza, sou chorão, crítico, nervoso e impaciente e criei uma legião de pessoas antipatizadas comigo por ser assim. Não sou rico, não ambiciono ser, não esbanjo o que não tenho, não encho a boca para falar de posses e atributos que não me definem. Sou geralmente aquilo com o que você se depararia e não pretendo parecer ser nada mais que isso. Portanto, posers me irritam, wannabes me irritam e dinheiro também me irrita. O dinheiro que eu não tenho me irrita, o que eu tenho me mata, mas o que roubam do que eu tenho, ou até do que eu não tenho, isso me irrita mais ainda.


Falo palavrão no banco, no restaurante, no trânsito, nos passeios, em casa, em estabelecimentos comerciais, menos em lugares onde ninguém estranharia ouvir um palavrão, pois nem lá eu vou e se fosse, não saberia me comportar - estádio de futebol, por exemplo. Quer saber, pelo menos nisso eu não estou sendo roubado, pois me afasto totalmente de futebol (eu disse que não sou um típico brasileiro).


Eu estou precisando mesmo é soltar um palavrão. No dia 12 de novembro de 2014, fiz uma compra pela internet no site do Jars of Clay (banda). Valor: $79.90 (aproximadamente R$200,00). Até hoje não havia visto a cara do produto. A loja dividiu o produto em 3 partes:


A) (1) Camisa (1) CD (4) Pins
B) (2) Discos de vinil (1) CD
C) (1) Poster dentro de um canudo
A primeira parte chegou hoje (acima). Total: $24.00. Para ter um produto que me custou R$60,00, eu tive que pagar:


Para a Receita Federal:
- R$12,00 pelo despacho.
- R$37,61 de importo de importação.


Para a Receita Estadual:
- R$24,64 (não sei dizer o que foi pago aqui).


Total: R$74,25.


Ou seja, 124% do valor da compra. Novamente, os objetos são: 1 camisa, 4 pins e 1 cd, itens que não estão disponíveis no mercado nacional, não são produzidos por nenhuma empresa nacional, logo não prejudiquei a economia do país, gastando sessenta míseras unidades de real. PUTA MERDA. O que são R$60,00 para a economia? Nada. Para mim é o preço que estou disposto a pagar por itens de uma banda que aprecio. Os R$74,25 foram arrancados de mim à força pelas receitas federal e estadual, afinal de contas, minha mão já estava até tremendo de ansiedade na hora em que vi o pacote com itens comprados há mais de 2 meses, mas que devido à morosidade e burocracia dos processos neste país, pareciam nunca chegar. Quando você se depara com essa situação, a vontade é de ser marginal, matar alguém com toda a sua raiva, como forma de protesto, mas somos bundões e não fazemos isso, somos fracos demais para ir contra o governo.


Insatisfeito com a tributação que minha compra sofreu, fui informado que tenho até o direito de contestar, mas eles deixam claro que, entre hoje e o dia 18 de fevereiro, se a disputa não for resolvida, eu começo a pagar juros. Ou seja, mais de 2 meses para receber 1 camisa, 1 cd, 4 pins, mas apenas 18 dias para resolver minha insatisfação, cuja solução dependerá SOMENTE DELES. Final da história, estou R$74,25 mais pobre e mais magoado. Além disso, já estou tenso só de pensar o quanto eles vão me roubar [atualizado no final deste texto] para liberar os dois discos de vinil e o pôster (um pedaço de papel que só tem valor para os fãs).


Apenas para dar uma utilidade a este texto, veja esclarecimentos dados pelo site da Receita:

Isenções:


"Remessas no valor total de até  US$ 50.00 (cinqüenta dólares americanos)  estão isentas dos impostos ,  desde que sejam transportadas pelo serviço postal, e que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas ".
 


O jeito é passar a perna no governo Braseeeel:

1) Se você tem um amiguinho no exterior, envie sua comprinha de menos de USD50.00 para a casa dele. Os EUA são tão generosos que muitas lojas te dão o frete de graça, talvez você nem pague pelo frete.


2) Depois disso, seja um cara-de-pau e peça ao amiguinho para enviar sua comprinha baratinha de menos de USD50.00 via postal (USPS nos EUA). Se for possível, ele pode escrever uma cartinha afetuosa, informando que aquilo é um presente, para nenhum fiscal filho da puta criar caso com seu objeto. Resultado: você pagará o valor devido da compra e apenas o frete internacional (USPS First Class Mail Intl).


3) Você só terá que ser paciente, pois vai demorar mais de 2 meses, a menos que você pague mais caro (USPS Priority Mail Intl).


Eu sempre soube disso tudo, mas normalmente não recorro a esse mecanismo, pois não quero incomodar os amiguinhos que tenho nos EUA e nem pagar de espertão. Mas quem não paga de espertão TOMA NO C...oração. Fica mal, arrasado, chateado e só consegue curtir os novos itens da coleção algumas horas depois de levar a facada, com isso desejar que as autoridades do país morram e desejos de paz afins.


Veja o gráfico da situação:



Atualização: Alguns dias depois, eu paguei R$189,00 para retirar a caixa com o vinil. No dia 6 de fevereiro tive que retornar à agência dos correios, cujo gerente é ridículo, para retirar o pôster, que veio em um tubo de papelão. Novamente, a Receita estava me cobrando + R$189.00, pois o pôster continha uma etiqueta dizendo que ele era o "kit" e que havia custado USD70.00. Erro da loja do Jars, mas falta de bom senso do fiscal da Receita. Bastava ele ver que aquilo era apenas um pôster e não um kit inteiro. Além do mais, eu já havia feito o pagamento de R$189,00 em tributos, relativos àquele kit que inclui o pôster. Final da história, naquele dia, eu me recusei a retirar o pôster e fiz um pedido de reexame do material, pois o valor cobrado é indevido.

Depois de mais de um mês brigando por email, com o Fiscal da Receita em Curitiba, que fingia que não entendia o que eu estava falando, sempre pedindo a mesma coisa já enviada mais de mil vezes, depois de muitos protestos e muita súplica, ele deferiu meu pedido de reexame e eu consegui retirar o meu poster, sem pagar a taxa de novo.

...

Tuesday, March 18, 2014

Livro "Manancial Poético" - Margareth Rafael



Na última sexta-feira (14), aconteceu na Casa da Cultura de Itambacuri, o pré-lançamento do livro "Manancial Poético", da escritora Margareth das Dores Rafael Moreira Costa.



O Secretário da Cultura fez a abertura do evento, falando da importância deste para a história de Itambacuri e lembrando do lançamento dos livros do grande escritor Sr. Serafim Silva Pereira (in memoriam).



Compor é expor a alma. Seus sentimentos, amores, amizades, sombras, risos. É apontar a época. É transformar os sonhos, os anseios, a beleza em versos. É transmitir a outros a sensibilidade.



A poetisa Margareth Rafael, com seu talento inquestionável, vem compondo poesias que todos deveríamos ter a satisfação de ler e passar aos filhos e amigos. Ela conta os momentos da vida, anuncia o belo, as quedas e lutas, as vitórias, o amor, a ciranda, o colar, a cotovia, a música, entre outros.



"Manancial Poético" é um livro em que a poetisa descreve o que é "estar em meio à multidão", "o encanto do pôr do sol", "o pé de manga", "mais uma história de amor", "quando a mulher se sente só", além de outros leves e lindos poemas.



Durante a programação, a também poetisa Fátima Kalil fez uma homenagem à autora, lendo a poesia "Minha Alma Autista".



Minha Alma Autista
Sinto o mundo girar a minha volta
Sinto o renascer da natureza
O frescor da brisa que me acaricia
O cheiro do mar que me contagia
O balançar das folhas nas árvores
Que cantam a primavera
As flores silvestres que saúdam o amanhecer
No bosque.... na quimera da vida
Vejo o brilhar das estrelas
Que resplandecem no céu noturno.
Vejo de longe os anéis de saturno
Ouço o bater das asas dos pássaros em retirada
Ouço a sinfonia dos cantores que louvam
Em sintonia
Num coral de anjos artistas
Vejo o reflexo da minha triste alma
Que se encontra no momento... Autista.



Além disso, a eterna professora Da. Bezinha prestou uma homenagem a nossa autora, com uma brilhante explanação sobre o que é escrever, o que é ser poeta, o momento de inspiração de quem escreve. Foi emocionante!



Margareth falou da emoção de lançar seu terceiro livro. Os dois primeiros são "Folhas de Outono" e "Poesias com sabor de mar". Ela agradeceu a presença de todos e ao final serviu um coquetel.



Parabéns Margareth por colocar a vida em versos e nos presentear com tantas belas composições.



Fonte: Blog "Itambacuri em Foco"