Sunday, May 08, 2011

Heaven (revisited)


Continuando a série, hoje estou postando a explicação de "Heaven", do cd "Long Fall Back to Earth", feita pelo Dan Haseltine, vocalista da banda. Fico sem palavras com a forma como ele sabe falar a verdade. O trabalho do Jars of Clay não é mesmo algo a ser apreciado superficialmente. Você até poderia escolher assim, mas perderia 90% do que eles representam como artistas e pessoas. Essa banda nunca se tratou exclusivamente do musical para mim. Em toda a minha imperfeição, eles me movem, me comovem, me desafiam e me chocam como ninguém consegue.

Ouça a música aqui.


"Eu considero que “Heaven" foi um triunfo criativo. Não que ela seja melhor que outras canções que co-escrevi. É simplesmente por ser uma canção que lida com algo sobre o qual nunca havia escrito antes no Jars of Clay.


"The Long Fall Back to Earth" é um cd sobre relacionamentos. Ele foi escrito em uma época em que todos parecíamos atingir muralhas significantes em nossos casamentos e amizades. Descobrimos que na maioria dos dias, o amor não era bem o que pensamos ser. Era algo mais potente, devastador, curador e assustador.


Passei pela experiência de estar com alguns amigos que estavam trilhando com dificuldades seu caminho de volta à sanidade relacional e na maioria das vezes, nada estava funcionando. Os aconselhamentos e as mudanças na comunicação não representaram as balas de prata que precisavam para destruir o lobo presente, que estava devorando cada restinho de compaixão e empatia que podiam reunir.


As palavras que não paravam de vir a minha mente eram 'algumas pessoas são simplesmente tóxicas umas com as outras'. Como lutar por seu próprio casamento enquanto percebe que outros rapidamente estão perdendo essa luta?


Como encontrar a força que precisamos para caminhar adiante, rumo a pessoas que mais têm o potencial de te ferir? Os relacionamentos são complicados e ainda assim, há recompensas para aqueles que os consideram de forma séria e cuidadosa.


Acredito que podemos considerar que essas estações acontecem para todo mundo. O casamento é um crisol. Ele não nos permite viver em total diplomacia, sendo como somos. A maioria de nós está muito presa ao amor, para perceber isso em meio ao noivado e aconselhamento pré-marital. Temos uma visão muito romatizada dos votos do casamento e isso remove a nossa habilidade de prevermos o que acontecerá no futuro.


Quando eu disse as palavras “na doença e na saúde… na abundância ou na escassez… na pobreza ou na riqueza” eu não estava pensando na pior faceta da alma e do coração humanos. Eu pensava em trazer sopa e mais lençóis. Pensava que discutiríamos sobre qual filme queríamos ver. Não pensei que significaria ter que morrer totalmente para mim mesmo, ou que o casamento era o meio pelo qual Deus poderia pegar o pior em mim e o expor, de modo que eu tivesse que lidar com aquilo. Logo, com toda a complexidade relacional em volta de mim, sem falar na minha própria, decidimos escrever um cd que falasse abertamente sobre o nosso coração e interações humanas.


Há canções no cd que lidam com o relacionamento de pai para filho. Outras lidam com traição e a arte de criar pedidos genuínos de perdão. Outras lidam com a dualidade do coração e nossa inclinação para querer e negar a intimidade no relacionamento. Há canções românticas que falam aos anseios de nossos corações, na inocência do cortejo. Há ainda canções sobre como é difícil romper barreiras e se sentir perto de verdade de alguém.


Logo, como uma música sobre o céu poderia se encaixar em um cd como este? Não poderia. Tínhamos um objetivo específico para esse cd e de forma alguma arruinaríamos esse objetivo, colocando uma música pomposa sobre o céu no meio da combinação. Também me desafiei a escrever letras que eram totalmente orgânicas e humanas. Não usaria nenhuma linguagem grandiosamente espiritual.


No meio de tantas guerras diárias que estavam ocorrendo na vida de meus amigos e sob meu próprio teto, seria nada mais que um insulto usar uma linguagem vaga e descartável, própria de uma religião desincorporado e cultura adorativa, para falar de amor e ódio, divórcio e frustração, da forma como eu queria.


Portanto, se “Heaven” não fala sobre o céu, do que ela fala? Sem dúvida é uma música sobre intimidade, mas seria mais seguro dizer que ela é uma música sobre sexo.


Não somos a primeira banda cristã a escrever sobre sexo, mas talvez sejamos a primeira que teve sua música sobre o tema, escolhida pelas rádios cristãs como single. Nunca tivemos a intenção de enganar ninguém. No entanto, foi incrível Closer”, do mesmo cd, não ter sido escolhida como single, por usar a palavra “pele” na letra. Fiquei surpreso ao ver que essa palavra significaria tanto risco e que seria considerada ir longe demais. Fiquei frustrado por nossa cultura cristã ainda ter a necessidade de sufocar qualquer senso de verdadeira humanidade de nossa arte e expressões musicais. Fiquei surpreso por uma música como “Forgive Me” não ter sido usada como single nos EUA, por ser muito forte e sombria. No entanto, a música que a rádio estava disposta a tocar, fora exatamente sobre o assunto que é MAIS tabu na cultura cristã. Toda vez que ela tocava no rádio eu ria.


Debatemos quanto à letra de “Heaven” por um bom tempo. Ela fala do dom de conhecer alguém completamente. É uma canção que fala sobre quão difícil é remover todas as distrações do mundo, todas as vozes e intrusões que penetram em um diálogo tão importante. Ela não usou nenhuma linguagem sexual. Na verdade, quando estávamos gravando “Heaven”, eu me lembrava do Duran Duran, mas eram músicas como “Wild Boys”, “Rio” e “New Moon On Monday”, a que fizemos referência. Essas nem eram as músicas mais carregadas de conteúdo sexual. Falar de sexualidade como uma experiência que mais se aproxima do tipo de intimidade que conheceríamos com nosso Deus é arriscado e intoxicante.


Novamente prefiro não detalhar verso por verso, mas posso dizer que você certamente vai ouvir algo diferente da próxima vez que ouvir essa canção.


Sexo não é algo sem custo. Não é descartável. Não é errado. Nem contra as regras. Não é vergonhoso. Logo, visto que alguns vão ler isso e usá-lo como desculpa para tirar o cd das lojas (espero já estarmos muito além da cultura que reagiu tão mal à música “Love Cocoon” do Vigilants of Love’s), espero que essa música sirva como um convite a expandir os limites daquilo que os cristãos podem e deveriam escrever a respeito e expressar em nossa música, tanto dentro como fora da igreja. Eu me pergunto quantas rádios cristãs que tocaram “Heaven” e gostaram dela, teriam escolhido não fazer isso, se soubessem o que ela falava de fato."

...

Vejam a letra:

Heaven (Céu)

Go undercover, we drop from the screens (Vamos para o esconderijo, caímos das telas)
We're hunters and lions, we are submarines (Somos caçadores e leões, somos como submarinos)
Under the surface, slip through the wires (abaixo da superfície, deslizamos pelos fios)
Decipher the code words, disable the liars (deciframos os códigos, desabilitamos os mentirosos)

Refrão:

And find, glowing on the inside (E o encontre a brilhar por dentro)
What's growing on the inside (ele que se expande por dentro)
Heaven's not that far (o céu não está tão longe assim)
glowing on the inside (está brilhando por dentro)
Showing on the inside (exposto por dentro)
It's growing where we are (crescendo neste lugar em que estamos)

We shatter devices, exit the stage (Destruímos objetos, saímos do palco)
We stop masquerading, to rattle the cage (paramos de finjir, para fazer uma algazarra na prisão)
We face every searchlight at places we hide (encaramos os holofotes nos lugares onde nos escondemos)
We dress up for Eden, the gates open wide (nos preparamos para o Éden, os portões estão escancarados

(Refrão)

(We are, we are, we are) (Nós somos, nós somos, nós somos)
We're hunters and lions (Somos caçadores e leões)
We go undercover, we cover, we cover (Vamos para os esconderijos, damos cobertura, damos cobertura)

Tuesday, May 03, 2011

Tea and Sympathy (revisited)


Eu estava dando uma volta em Nova Iorque, próximo do SoHo, em busca de lojas de discos secretas, onde eu pudesse encontrar gravações amadoras de shows ou cds raros de alguns de meus artistas favoritos. Quando virei em uma rua lateral, eu me vi parado em frente a um pequeno café chamado “Tea & Sympathy”.


Eu ainda não tinha vivido uma vida inteiramente abrigada até aquele momento. Certamente, nos poucos anos anteriores, eu já havia visto e passado por muita coisa, mas não entendia que “Tea & Sympathy” era uma referência a um filme.

Simplesmente pensei ser uma organização fantástica de palavras. Algo a respeito do amargor do chá e doçura da simpatia me fez guardar bem aquela frase, para usá-la caso eu escrevesse outra música em minha vida.


Algumas histórias em torno do Jars of Clay são um mito. Algumas cresceram mais que a banda.


Na verdade, nós não fizemos uma turnê completa com o Sting. Fizemos três shows no Texas na Turnê “Mercury Falling World”. E pra falar a verdade, o dia em que tocamos em Austin, TX, ao meu ver, foi um dos destaques da carreira do Jars of Clay.


Eu me lembro de ter visto o Sting a nos observar do lado do palco, ao mesmo tempo que eu estava embasbacado com as 20.000 pessoas nos aclamando de pé. Não era o que eu esperava de uma multidão de conhecedores de música como aquela.


Aqueles três shows sem dúvida pavimentaram o caminho para mais uma grande experiência. O gerente do Sting, Miles Copeland, tinha um castelo na região de Bordeaux, France. Todos os anos, eles costumava convidar compositores do mundo inteiro, para se reunirem e investirem tempo em composições para vários projetos musicais e comerciais. Aos 23 anos, eu me senti intimidado.


Stephen Mason e eu viajamos para a França e passamos uma longa semana de encontros com alguns dos melhores compositores do mundo: Carol King, Paul Carrack, Mark Hudson, Greg Wells, Pat McDonald, Gary Burr e Maia Sharp estavam entre os ilustres convidados.


Isso foi, no mínimo, inspirador. Durante nossa estadia, bebi mais vinho e cerveja do que eu já havia bebido em toda a minha vida até aquele momento. Foi mais para provar que eu não era um frangote. Eu confessei a um compositor rústico irlandês, Paul Brady, que eu havia experimentado uma bebida “shandy” na viagem de trem para lá. Imediatamente ele me chamou de “frangote de merda.”


Pelo visto aquela bebida são o equivalente à Shirley Temple nos EUA. Logo, beber muito era o plano. Dê-me um desconto, eu me impressionava e nem tinha chegado aos meus vinte e poucos. Além do mais, o vinho era Francês e maravilhoso.


Na maior parte do tempo, eles me separaram do Stephen Mason, mas houve um momento em que ficamos juntos. Mark Hudson, que é famoso por seu trabalho com Aerosmith, Bon Jovi e Ringo Starr, se juntou a nós e as palavras começaram a fluir.


Talvez tenha sido o vinho, ou a atmosfera, ou o encontro tarde da noite, ouvindo compositores sussurrar suas melhores canções tristes sobre amores perdidos. Foi o bastante para inspirar a letra do que se tornaria Tea & Sympathy.


A música é uma de minhas preferidas em termos de letra, pelos trocadilhos de palavras e por quão arriscado era entrar em novo território, da perspectiva de composição.


É uma música sobre relacionamento. Ter ficado muito próximos do principal compositor e intérprete de “Tempted” provavelmente influenciou a direção que seguiríamos.


Na verdade, não quero ficar falando muito mais sobre verso por verso da música, pois apenas sabendo que se trata de uma relação, provavelmente já é o bastante para pegar o contexto e entender as outras metáforas.


O refrão fala sobre escolhas. “Não me deixe por causa de seu rancor”. “Não fique se for por pena de mim”.


Sempre achei que sustentar um relacionamento dói mais no coração do que fisicamente. Às vezes pode ser ambos. Esta música é como um peça. O cenário é um pequeno café, os atores são duas pessoas n'um encontro, para discutir o futuro de seu tênue relacionamento. A terceira pessoa é a garçonete, ou a outra garota.


Eu ouvia muito Crowded House naquela época e conheci Del Amitri, portanto o sentimento na música sem dúvida foi influenciado por essas bandas. Minha voz havia sofrido graves danos de alguns anos de canto em excesso e muitas injeções de esteroides e mau uso de minhas cordas vocais… portanto Neil Finn (do Crowded House) era uma boa combinação para mim.


Tea & Sympathy” foi a primeira de muitas músicas escritas durante aquela época na França. “Crazy Times”, que também acabou entrando para o “Much Afraid” e uma música chamada “Crossing Lines”, que acabou sendo gravada por Art Garfunkel e “Hymn”, que foi escrita no trem saindo de Paris.

Monday, April 18, 2011

Portrait of an Apology (revisited)

Photo: Credit to this blog.

Text: Credit to Dan's Blog.

Eu tinha um Jeep Grand Wagoneer de 1981. Ele tinha as laterais em madeira e carpetes em lã envelhecidos e bancos de vinil envelhecidos. Provavelmente, aquele será sempre o meu carro favorito. Uma bela tarde, os meus freios não funcionaram. Consegui entrar em um estacionamento e parar o carro.

Quando o mecânico deu uma olhada em meu Jeep, com uma lanterna bem forte, ele o iluminou por baixo e me mostrou os vários lugares em que a estrutura estava prestes a se enferrujar completamente.

Uma parte do chassi já estava corroída e já estava chegando ao sistema de freios, o que fez com que não funcionassem. Ele sorriu e me disse que faltou muito pouco para o Jeep se desfazer completamente, de cima a baixo. Eu estava com sorte aquele dia.

Infelizmente, ninguém havia me dito que eu estava passando por uma situação parecida em minha própria vida. Meu senso de valor próprio estava tão debilmente estiado no sempre corrosível critério da relevância musical. Então, em novembro de 1996, ele se corroeu completamente.

Acredito que eu não tinha noção do custo que isso teria. Não tenho certeza se teria feito algo diferente. Acho que eu não saberia como sobreviver aos dois primeiros anos da jornada musical do Jars of Clay de outra forma. Na maior parte do tempo, eu reagi. Tanto era possível que uma oportunidade deslanchasse nossa carreira, se disséssemos 'SIM', como a qualquer oportunidade, poderíamos destruir nossa carreia, se disséssemos 'NÃO'.

Para um adolescente que não passou muito tempo tentando entender quem era, a vida de rock 'n roll era tóxica. Não no sentido que você deve estar pensando. Sem dúvidas, havia oportunidades para sexo e álcool e, às vezes, drogas também, mas essas coisas não pareciam ser um problema para mim.

Desde o momento em que eu comecei a tocar melodias pops em um teclado Casio de 2-oitavas, à bateria, comecei a condicionar o meu valor ao meu desempenho escolar. “Transtorno por Déficit de Atenção” ainda não havia sido diagnosticado claramente como algo que devia ser tratado na infância, portanto, eu era frequentemente caracterizado como uma criança que não se concentrava. Eu era bastante inteligente, mas mal terminava o dever de casa. Eu não conseguia me concentrar, nem para salvar minha vida, ou sequer o meu boletim.

Música era a única área em que me sobressaí. Logo, fiz uso dela, para entrar nos círculos sociais. Fiz amigos, por saber tocar as músicas mais legais no piano. Eu tinha namoradas só porque eu sabia tocar “Honestly” (Stryper) e todas as músicas do Richard Marx e Axle F, além de “Somebody”, do Depeche Mode.

A ideia de que o talento musical não representava um barômetro saudável de autovalorização nunca me desafiou. Meu talento me levou às festas, garantiu empregos e me fez popular. Eu me lembro de quando eu andava pelos corredores da escola, como calouro, e a “Miss Teen USA” me parou no corredor e disse que gostava da forma como eu tocava. Não houve qualquer argumento contrário àquela ideia. Por causa de meu talento, eu passei pelo segundo grau e entrei na faculdade, mas não parou por aí.

Após dois anos de turnê, mais de 300 shows por ano, voltei para Nashville e comecei a produzir um cd de uma nova banda chamada Plumb. Eu adquiri alguns maus hábitos na turnê, por exemplo dormir mal e só beber café e comer praticamente só biscoitos Oreos. Um dia, quando eu estava no estúdio, meu coração começou a acelerar. Comecei a ter ataques de pânico. Fui ao chão. Sem perceber, eu estava no meio de uma depressão tão severa que eu me escondia em meu apartamento, contemplando a ideia de me suicidar. Eu tinha medo do telefone tocar. Eu estava em péssima forma. O processo de me arrastar daquela depressão foi o tema do cd Much Afraid. Eu estava escrevendo músicas e tentando vencer aquilo, de volta a algum tipo de sanidade ao mesmo tempo. O restante da banda não fazia ideia do que fazer comigo.

“Portrait of an Apology” era o clamor mais intenso do cd. Essa foi a música que descrevia meu medo muito bem e como me sentia, catando os cacos de uma pessoa arruinada, descobrindo que aqueles cacos não se encaixavam da forma como o todo era antes.

Foi nisso que percebi que uma pessoa não consegue simplesmente prosseguir após uma experiência como aquela. Eu estava diferente. Perdi a minha habilidade de falar lorotas e isso é essencial na indústria musical. Eu não tinha mais tempo para jogos.

Não havia mais nenhum dos construtos que antes haviam me valorizado. Fiz um balanço de tudo e não valia a pena me prender a nada. Aprendi a me separar da música. E por fim, encontrei um ponto de apoio no Evangelho, por compreender minha importância. (às vezes me esqueço disso)

Fiquei anos sem ouvir o “Much Afraid”. Tempo e distância são amigos de pessoas como eu que são obcecadas por sons de guitarras, texturas sônicas e efeitos de cordas bem posicionados. Eu precisei dar um tempo ao cd. Certa noite, um amigo me convidou a ir a sua casa, abriu uma garrafa de vinho e pegou o seu vinil do Much Afraid. Ele disse que era hora de eu ouvir a bela obra-prima que havíamos gravado. Foi uma noite profunda. Aquele cd e a turnê que veio em seguida comportavam alguns de meus momentos favoritos de nossa carreira, mas sempre me lembro do desespero que eu sentia, quando ouço essa música em particular.

Se você já teve depressão, você deve ter ouvido seus ecos na letra dessa música. Talvez você tenha se conectado profundamente com os versos sobre um homem descrevendo como é olhar para outra pessoa no espelho. Uma pessoa que parece ferida, com cicatrizes de uma batalha. Você sabe como é encher seus pulmões de ar e ficar imaginando se você terá coragem de expressar a necessidade de alguém que te ajude a fugir de si mesmo, de sua mente.

É disso que a música fala. Eu poderia explicar verso por verso, mas acho que não seria necessário. Por mais dolorosa que tenha sido a origem dessa música, ela é uma das obras musicais e melodias mais lindas que o Jars of Clay gravou, em minha opinião.

Essa é uma música que me faz lembrar que Deus nos acompanha nos lugares mais obscuros de nosso coração e mente. O amor e a paz de Deus são verdadeiramente inexoráveis.

Às vezes, cantamos versos que esperamos ser verdadeiros e que, talvez, ao cantá-los, possamos nos convencer a aguentarmos firmes na fé que nos dá a capacidade de sobreviver, como se aqueles versos fossem verdadeiros... mesmo se não acreditarmos naquilo de fato. Às vezes falamos de questões ao léu, para manifestarmos algum tipo de coragem, ou luz, ou sinal de fogo. Ao ouvir as palavras saindo de nossas bocas, podemos imaginar os elos rompidos de uma corrente, se refazerem.

Você poderia ficar mais uns minutinhos e tentar imaginar isso?

...

Thursday, April 14, 2011

Whatever She Wants

Seguindo as postagens do Dan, em seu blog, aqui está mais uma explicação maravilhosa e de interesse de todos os amantes dessa banda.


"Algumas músicas do Jars of Clay nasceram da frustração, raiva, dor etc. Sempre pensei que a marca de um artista que pensa além do hit que vai para as rádios é que ele pode vociferar.


Essa música bem que poderia ter se chamado “I Don't Know What The Hell I Am Supposed To Do” (Não sei que diabos eu devo fazer). Ou talvez seria mais correto chamá-la de “OW Relationships are Complicated.” (Uau, relacionamentos são complicados).


Tenho a tendência de escrever letras que são tecidas em direção ao que é auto-biográfico e fora disso, rumo ao fantástico, sem me preocupar muito com as placas de sinalização, ou indicações de cruzamentos à frente. Eu simplesmente teço o que estou passando, o que vejo com aquilo que assumo ser o que o mundo em geral também está vendo. Às vezes descrevo com exatidão, mas na maioria das vezes é algo vago e apenas uma grande suposição.




“Whatever She Wants”, como letra, fede a tempos difíceis.


Sei que a vida de um músico que viaja muito é uma vida de extremos. Em um dia, eu estava abrindo um show da Sheryl Crow e no outro dia, para que eu me trocasse antes de um show, eu estava tapando o vidro de uma porta do quarto de uma enfermaria de uma igreja qualquer, que cheirava a lenços de bebê e queijo forte, de um prato de delicatessen jogado ao acaso dentro do que, naquele momento, havia recebido o novo propósito de um camarim.


Além disso, é o extremo de tocar em grandes shows e viver uma vida terrivelmente livre das responsabilidades do dia-a-dia, cheia de interações desconcertantes, com pessoas que pensam que eu sou alguém muito especial e depois voltar para casa, para pessoas que pensam que sou alguém muito especial, por razões completamente diferentes.


Os extremos de uma vida imatura de rock 'n roll ralo e contemplado e a transição de volta a um mundo de relacionamentos significativos e responsabilidades como marido, pai, filho, vizinho, membro de uma comunidade etc, extremos que podem causar complicados deslizes emocionais e relacionais. Portanto, é aí que entra o artista em cheque, com a família em cheque.


Já vi disfunções de muitas ordens e foi com muito esforço que eu quis descrever questões como essas em uma música. Não porque as disfunções me decepcionavam (eu as perpetuei), mas principalmente porque eu precisava me expressar um pouco, do tipo de expressão que acontece no meio de um problema, que parece insolúvel. Eu não conseguia entender quem eu deveria ser, então eu descontava nas pessoas ao meu redor. Isso trazia uma distinção que eu PRECISO fazer.


Algumas de minhas letras são honestas e não reais. Elas são claramente a imagem do que eu estava sentindo no momento em que eu as escrevi, mas a letra não é real. Ela pode ser honestamente descritiva da forma como o mundo estava para mim, no entanto não são fatuais, de forma que a metáfora não funciona fora daquele momento em que a letra foi escrita, semelhantemente à maioria dos monólogos internos.


Quando a letra finalmente chega aos nossos próprios ouvidos, ouvimos como fomos tolos e quando outras pessoas ouvem a letra, eles confirmam que as fitas que estão tocando em nossas mentes, precisam ser desembaraçadas.


Portanto, em meio a minha imaturidade, precisando ser defensivo e justificado em um mundo que construí ao meu redor, nasceu uma música sobre dependência e sobre a pergunta, “O que mais eu devo oferecer?”.


“Whatever she wants” fala sobre a manipulação das lágrimas e uso suspeito de gentileza. Fala sobre expectativas e aspirações serem totalmente mal desempenhadas e sobre tornar as pessoas em vilões, para que o verdadeiro vilão não seja descoberto. Cortinas de fumaça.


Quanto ao aspecto musical, essa música tem um dos melhores solos de guitarra que o Stephen Mason já gravou na vida. Ela foi uma das músicas mais fortes do Jars of Clay e foi certamente influenciada pela música daquela época. Artistas como Semisonic, Filter, Vertical Horizon e Tonic. Ela está em um cd que levou um ano inteiro para ser concluído, o que é tempo demais em um estúdio, gravando um cd."

Wednesday, April 13, 2011

Love Song for a Savior


Texto postado no Blog do Dan, sobre Love Song for a Savior:


Esta foi a segunda música que escrevemos como uma banda. Ela foi escrita no sótão de nosso dormitório no campus do Greenville College. Stephen Mason tinha acabado de se mudar para o nosso andar, fugindo do quarto para onde foi sequestrado, como parte do processo de alocação por perfis.


A escola costumava colocar pessoas juntas, de acordo com as respostas a uma série de perguntas que faziam. Seu colega tinha um bastão de baseball, adornado com fragmentos pontiagudos de vidro, colados no bastão e ele ficava escondido no armário.


Nunca entendi quais foram suas respostas. Quando cheguei em Greenville pela primeira vez, fui alocado em um hall lotado de jogadores de baseball e futebol. Eu gostava dos caras de meu andar, mas era óbvio que o sistema de perfis não era perfeito.


O “Subsolo" onde morávamos tinha mais a ver com nós músicos. Eu me mudei durante meu segundo semestre do primeiro ano. Chamei o Steve para ficar com a gente, depois que vi o bastão no armário.


Steve trouxe o “The Bliss Album” para nosso andar. Instantaneamente, me tornei um fã de PM Dawn. Ouvi uma música que haviam gravado, usando um gancho da música “True”, do Spandau Ballet. Gostei da re- interpretação, mas não investiguei muito mais sobre sua música.


Eu queria escrever algo que usasse figuras poéticas da forma como eles usaram. Eu queria escrever uma música que falasse à inocência da vida, sobre acreditar em algo com profunda paixão, de todo o coração.


Como havíamos acabado de escrever e gravar uma música que apelidei de “The Cynics Anthem” (Hino dos Céticos), também conhecida como “Fade to Grey”, era hora de escrever algo que estava na outra extremidade do prisma.


Junto com PM Dawn, eu ouvia o cd de Sinead O’Conner’s “I Do Not Want What I Have Not Got”. Era um cd fantástico. Havia duas canções em especial.: “The Last Day of Our Acquaintance” e “I Am Stretched Out On Your Grave”, que eu costumava repetir por vezes.


Há sinais de ambas as músicas na versão antiga de Love Song. O verso


“She thanks her Jesus for the daisies and the roses... In NO simple language”


fora originalmente escrito assim “In simple language”, mas eu precisava de uma sílaba a mais. Ninguém pareceu se importar com o acréscimo, mas sem dúvida fez com que a frase tivesse um novo significado.


Todos levamos fitas com a música ainda inacabada para casa, para o feriado de Thanksgiving, ainda incertos quanto à simplicidade da letra e quanto ao refrão repetitivo.


Essa foi a primeira música que tocamos no campus, como a banda Jars of Clay.


Não sei porque eu escolhi usar uma garotinha na música. Acho que ela representava inocência, algo ainda não maculado por complexidade. Ela representava o momento em que encontramos a fé, antes de ser de fato testada.


Margaridas e rosas eram imagens contrapostas. Margaridas são o tipo de flor que uma pessoa pode se abaixar e colher em abundância. Elas crescem com facilidade, têm menos perfume e representam zero risco de ter espinhos, como as rodas têm.


Rosas são um tipo mais frágil de flor, são mais afetadas por aquilo que está ao seu redor e por causa de sua vulnerabilidade, elas também contêm defesas. Espinhos têm perfume e são perigosos. As rosas representam um amor mais profundo. A garotinha interpreta ambas as flores como iguais. Ela ainda não viveu uma vida que a permitiria entender a diferença. Além disso, há algo profundo em uma garotinha que consegue ver a vida fácil e corriqueira e a vida abundante e não segura e que consegue agradecer a Deus por ambas, em um só fôlego.


Em partes, essa é uma música sobre crescer. Essa imagem de inocência precisará ser violada pelo mundo. O pecado vai invadir essa história. Um dia ela vai precisar entender o desenrolar da história. Ela precisará se confrontar com os efeitos da Queda e terá que lutar contra as paredes que vai erigir e melancolias que ela jamais conseguirá totalmente expressar.


Essa música fala sobre a espera. Naquele momento ela pareceu ser mais honesta que qualquer outro refrão adorativo que havíamos ouvido. Escrevemos sobre a ideia de "querermos" nos apaixonar, em vez de escrevermos que estávamos apaixonados. Nossos corações não vão pertencer totalmente a Deus nesta vida. Constantemente vamos nos prostituir com outros amantes (esse é um pensamento usado em outra música).


O que desejamos é amar. Mesmo quando a vida revelar dor, confusão e complexidade, ainda assim quero amar. Mesmo quando estivermos feridos pela religião e desiludidos pela religiosidade e natureza humana, mesmo assim, desejo amar.


E a esperança de que essa espera um dia acabará é a esperança que nos permite cantar genuinamente uma música assim.

Tuesday, April 05, 2011

Hanson no Well:Done Celebration


Update: Hanson added to Well:Done Celebration


Quer melhor convidado para este evento, do que uma banda que ajudou na conclusão do Projeto 1,000 Wells?

Hanson, com seu projeto Take the Walk, foi responsável pelo alcance de parte das cisternas d'água conquistadas para as comunidades da África, que não dispunham de água limpa, para suas necessidades básicas.

Jars of Clay vai celebrar a conclusão do primeiro grande desafio lançado pela Blood:Water Mission, com o Derek Webb e a Sandra McCracken, entre outros e Hanson acaba de confirmar sua presença.

Quem acompanha as duas bandas conhece o dilema em que vivem as bandas, pois quando o Hanson aparece em Nashville, o Jars está longe, quando o Jars aparece em Tulsa, o Hanson está longe ...


Que bom que finalmente as duas bandas estarão juntas, será que vão cantar "Silent Ride"?

Thursday, March 31, 2011

"Gritando Silenciosamente & Expressando Seus Medos"



Juntamente com outras bandas, o Jars gravou um vídeo para o cover da música "Ob-La-Di, Ob-La-Da", dos Beatles e tudo estava indo muito bem, até algumas almas de 1ton resolverem se ocupar com o uso de suas morfinas da alma. O Dan, do Jars of Clay, decidiu então postar a respeito. Traduzi seu post na íntegra abaixo, que além de um grande relato de parte da história da banda, também abordou a situação com mais tapas na cara, que não é novidade para quem conhece o Dan. Enquato isso, vou ouvir mais "Long Fall Back to Earth", hoje estou no mood dos relacionamentos interpessoais, loucos, conturbados, que nos fazem descobrir que somos todos péssimos, mas precisamos uns dos outros para aceitarmos isso e quem sabe um dia, aprendermos algo e melhorarmos, haha é engraçado até...


"Gritando Silenciosamente & Expressando Seus Medos"


Na empolgação pelo vídeo que fizemos na Rock & Worship Road Show ter recebido tanta atenção, talvez eu tenha feito algo que eu não deveria ter feito. Decidi ler comentários deixados abaixo do vídeo, sem saber exatamente o que eu esperava encontrar. Provavelmente eu queria ler elogios sem fim e comentários ilimitados sobre como todos no vídeo são brilhantes, engraçados e bonitos e que provavelmente, o cara tocando a gaita era sem dúvida o mais cativante... eu confesso, tenho uma quedinha por elogios às vezes.


O vídeo chegou em canais onde o “Cristianismo” recebe muitas críticas e apesar de ser apenas uma performance de uma música dos Beatles, ele havia sido feito por “Cristãos.”


Ler os comentários foi péssimo. Não porque eu me senti ofendido, ou pessoalmente atacado, mas porque eu consegui entender a raiva e ódio ali. As palavras vinham impregnadas com o tipo de veneno que apenas fóruns anônimos de uma sessão de comentários de um vídeo conseguem encorajar.


Fatalmente levantei questões com as quais tenho lutado por um bom tempo. Foi o mesmo senso de injustiça que eu senti quando as pessoas menosprezavam o Jars of Clay, como um padrão artisticamente inferior, simplesmente porque éramos cristãos.


Eu me lembro que eu não conseguia entender completamente como uma pessoa podia fazer tal conexão. Se eu usasse a lógica que usaram, poderia usar o mesmo julgamento de bandas de mal gosto como Muse, para avaliar o Creed, simplesmente por estarem no mesmo gênero Rock & Roll. Não faz muito sentido para mim.


Foi uma luta constante a fim de fazer com que as pessoas criticassem nossa música por seus próprios méritos, independente de quaisquer outras bandas “cristãs” realmente de baixa qualidade que tenham conhecido.


Era ainda pior quando a nossa música era desprezada, por causa de algum DJ que teve uma experiência frustrante em escolas católicas, onde estudou, OU, por mais louco que isso pareça, por causa das Cruzadas.


Aparentemente, mesmo quando cantávamos algo que era considerado universalmente verdadeiro ou não religioso, mesmo se estivéssemos tocando em algum bar, sem sequer falarmos uma palavra, MESMO assim, tudo mais que faziam as pessoas odiarem religiões, o Papa, Republicanos, Carmen, Tel-Evangelistas, eram motivos para as pessoas odiarem o Jars of Clay.


Quando eu era mais novo, isso me deixou tão irado, que eu não conseguia me desvencilhar. Quando cheguei em uma cidade e li o guia de eventos, acabei lendo o que algum idiota havia escrito, usando termos degenerativos como “Holy Rollers” ou “Bible-Thumpers” para descrever nossa banda, ou quando algum crítico ignorante opresso havia decidido que, em vez de escrever uma crítica útil sobre a nossa música, eles aproveitariam a oportunidade para escrever a patada religiosa “mais inteligente” que era capaz de imaginar... (inteligente para eles apenas, pois conhecíamos todas elas). Por causa disso, eu costumava ligar para a revista e desafiava o editor a ir ao show. Pedia ao crítico “inteligente” para ouvir o nosso cd e assistir o nosso show. Se fôssemos uma banda terrível e se nossa música fosse terrível, então que escrevesse que era terrível. Se o show fosse um saco, ou nada estimulante, então que escrevesse que era um saco, mas não nos menospreze só porque detestava ser arrastado para a igreja por seus pais, quando era criança.


Eu fiz isso por 3 anos e finalmente alguns amigos me salvaram. Ele perceberam que minha alegria estava sendo jogada fora, viram que eu estava jogando muito tempo fora, defendendo o Jars of Clay, lutando contra os mal entendidos e interpretações erradas sobre quem éramos e sobre o Jesus em que acreditávamos. Perceberam que eu tinha quase tempo nenhum mais, para escrever músicas e me preocupar com os shows. Deixei aquilo entrar em mim e virar um câncer.


Fizemos uma escolha como uma banda naquele momento. As pessoas podiam falar o que quisessem. Elas nos conectariam com toda e qualquer versão esquisita e distorcida da igreja que existia. As pessoas nos associariam a quaisquer códigos de conduta religiosos e seríamos desprezados, porque as pessoas não gostavam da banda Stryper.


Escolhemos apenas fazer música e parar de lutar uma luta frustrante. Paramos de tentar entrar em conversas sendo atenciosos com pessoas que só queriam nos rotular como algo que os permitiriam poupá-los da tensão de terem que gostar de algo que era bom, mas que não estaria de acordo com seu ponto de vista.


Então nossa resposta à pergunta “Vocês são uma banda cristã?” ficou menor. “Sim, somos. A música presta ou não?” Mas isso criou outros problemas. Por termos começado a admitir que éramos uma “banda cristã”, começamos a perder audiência nas rádios seculares, mas esse não foi o maior problema.


Antes, muitos cristãos conservadores tinham medo de nós, por que não nos definíamos totalmente. Éramos vagos, porque não queríamos apenas tocar para igrejas. Não gostávamos da repressão imposta sobre a comunidade criativa, por sermos artistas “cristãos”. Então quando começamos a finalmente dizer que éramos cristãos, as pessoas de algumas igrejas que liam a Bíblia e tiravam conceitos dela (que na minha compreensão eram opostos ao amor, cuidado e atenção), começaram a usar a nossa música em seus cultos e para promover seus eventos. Começamos a receber convites para tocarmos em eventos evangélicos e houve um em que eu achei que minha cabeça ia explodir.


Após o show, um cara subiu no palco e disse ao público de mais ou menos umas 70.000 pessoas, que sabia, com exata precisão, quando seria o final dos tempos. Então ele me passou o microfone e perguntou, “se hoje você pudesse dar um conselho à nova geração, qual seria?” Imediatamente eu disse, “não acredite em tudo que as pessoas dizem.”


Isto que chamamos de igreja pode se tornar em algo altamente estranho. As distorções disfarçadas como “Chamado de Deu” não passam de algo maligno e é péssimo quando as pessoas nos conectam com tais coisas. Eu acabei tendo que começar a especificar a nossa versão de “Cristianismo” a outros cristãos, mas isso acabou sendo igualmente frustrante e sem graça. Após um tempo, passei a ver que as pessoas estão amedrontadas. Passei a pensar em algo como “expressar nossos medos”. Não expressamos nossos medos, apenas deixamos que saiam de maneiras diferentes. Eles escapam por meio de ódio e violência, por gritos e pragmatismo, tirania e controle. Sei que pessoas são um problema.


Sei que às vezes as crianças brincam com armas, matam seus amigos e conhecidos. As crianças moldam uma versão de Deus que é mais poderosa que conhecemos. Super-estimamos o nosso conhecimento sobre Deus e subestimamos a importância dos espaços e brechas em nosso entendimento. Acabamos manipulando as pessoas, sob a bandeira do céu. Passamos a usar as pessoas em nome de Jesus. Iniciamos guerras, abusamos as nossas esposas, excomungamos amigos feridos e alienamos almas vagantes, em nome do comportamento cristão religioso.


Então eu li os comentários e entendi as razões pelas quais as pessoas optam por não acreditarem em Deus. Eu mesmo tenho minhas dúvidas às vezes. Ainda não consigo acreditar totalmente nas pessoas. Sou um grande idiota maior parte do tempo, portanto em meus melhores e mais inteligentes dias, sei que as pessoas não devem confiar em mim.


Eu queria apenas ignorar os comentários negativos. Queria pensar que eram todos “ogros” e aceitar que a internet está cheia de gente assim. Porém tem algo que me consome. Algo que entende que se algo tão simples e alegre como um vídeo de algumas bandas se divertindo com um cover dos Beatles podia fazer com alguém silenciosamente destilasse tais comentários, então aqueles que são movidos pelo amor de Deus tem muito o que fazer.


Não se trata de defender o cristianismo, muito menos defender uma banda ou um vídeo. Nosso dever é nos encontrar na história de outras pessoas. É encontrar pessoas que odeiam Deus, ou acreditam que ele não existe e então conhecer essas pessoas. Nosso papel não é debater, nem encontrar maneiras super inteligentes de testemunharmos. Nosso papel é demonstrar gentileza e cuidado e sermos pessoas que amam.


Talvez eu esteja escrevendo isso para mim mesmo, talvez seja um lembrete do que eu não queria fazer hoje cedo e o que não quis fazer no início de minha carreia musical.


Eu não tento mais defender o Jars. Fico muito mal às vezes quando penso sobre a chance de abrirmos um show de algum artista que me influenciou de verdade. Fico triste por a música não poder ser apenas música e que as pessoas não possam gostar do que eu escrevo, por ter sido rotulada de certa forma, além dos limites.


Também não tento mais defender o cristianismo. Não é meu dever. Faz muito tempo que me cansei do penamento “Nós x Eles”. Existem apenas pessoas e o evangelho. Não podemos nos dar o luxo de traçar quaisquer outras divisões que sejam.


Defender uma ideia de certa forma a torna menos capaz, a menos claro que chamemos de defender, viver verdadeiramente essa ideia. Agir segundo os efeitos do que se acredita é sempre melhor do que explicá-lo. Almejo isso, apesar de não conseguir cumpri-lo. O que não me deixa em paz, no entanto, é o julgamento. Seria fútil tentar controlar quem usa a nossa música e os motivos porque a nossa música é usada e a forma como Jesus passa a ser alguém que suga a vida de alguém, em vez de ser a fonte de vida.


Provavelmente não vou ler nem mais um comentário, mas talvez irei sim.

Thursday, March 17, 2011

By Juca An Old Thought Dance Video Edition



Eu faço umas viagens assim de vem em quando e procuro quem queira fazer projetos semelhantes, nem que seja só para criar um vídeo.

Espero que alguém goste.

Saturday, March 12, 2011

The Story of Bottled Water (2010)



Sempre achei esse vídeo muito bem feito e inteligente.

Vale a pena postar e colocar em prática o boicote à água engarrafada, a menos que sua comunidade de fato não tenha água potável.

Considere a possibilidade de ajudar uma pessoa na África a ter água limpa por 1 ano. Deixe de comprar uma garrafa d'água e doe 1$ (aprox. R$1.70), ao projeto Blood:Water Mission.

www.bloodwatermission.com

Sunday, March 06, 2011

Guerra x Fé

Hoje resolvi re-postar um texto escrito pelo Dan, da banda Jars of Clay, sobre uma música que tenho desejado ouvir desde 2006.

Finalmente ele nos deu a música de graça, mas o mais interessante é o que está na letra. Dan tem um coração gigantesco, além de ser muito inteligente, essa combinação é o que fascina a todos que acompanham o seu trabalho com o Jars, ou individualmente.

Confira o texto abaixo.

"Enquanto ouvia o meu iPod, uma música começou a tocar, da qual eu havia me esquecido. Então já que ela veio a tona, achei que seria legal se a ouvissem também.

Já faz alguns anos desde que a guerra no Iraque começou. Eu me lembro de ter pensado com meus botões quando eu estava no colegial, que a minha geração tinha sido a primeira que não havia tido uma guerra substancial. Isso acabou.

Eu não gosto de guerra. Não gosto de termos aprendido sobre uma hierarquia de maldades que nos permite justificar certos tipos de violência. Também não gosto da quantidade de frases retóricas vazias que preenchem nossas conversas sobre o porquê de irmos à guerra.

De modo nenhum estou fechado às razões pelas quais lutamos. De fato eu acho que há situações em que é necessário evitar o massacre do inocente. É interessante que nós historicamente tenhamos falhado em chegar a tempo de ajudarmos aqueles que sofreram a dor e o terror do genocídio. Por exemplo, Ruanda, Sudão e Zimbábue. Eu gosto de certos níveis de Patriotismo. Honro os soldados que sacrificaram tanto. Estou disposto a entrar nesse diálogo.

Em uma viagem à Nova Zelândia, encontrei um livro infantil chamado "O Inimigo". É uma estória sobre dois soldados em suas trincheiras. Cada qual contemplando os movimentos do outro. Cada um pensando sobre o caráter desumano do outro. Um assumia que o outro era apenas um selvagem sem qualquer medida moral. O outro acreditava que o outro estava apenas obcecado com a forma mais cruel de tortura e homicídio. Eventualmente, um passou desapercebido pelo outro e acabaram caindo nas trincheiras trocadas, de modo que perceberam que não eram tão diferentes assim e os argumentos em que estavam baseando seu ponto de vista agressivo, eram tão falsos quanto os do outro.

Não é difícil descobrirmos que, em uma cultura conduzida pelo marketing, somos continuamente confrontados com ideias motivadoras sobre como viver, o que comer, do que ter medo e quem nosso inimigo é.

A forma como a guerra reduz a humanidade a uma série de diferenças conflituosas sociais ou religiosas, ou mesmo a uma previsão econômica ou transação de razões para entrarem em uma guerra, jamais poderá decididamente vencer o argumento de justificação, quando são colocados à luz dos resultados da guerra e podemos ver claramente as consequências da violência.

Acredito que as pessoas que trabalharam na guerra destruíram parte do mundo. Estive em lugares em que o vil odor dos corpos ainda se mistura com o cheiro de fogo e combustível. Vi os buracos de bala nas paredes de salas de aula, que contam histórias das balas que não acertaram o alvo. Sei que muitas acertaram e ouvi histórias de crianças que sobreviveram aos massacres, quando descreveram como foi ver seus amigos morrerem. Eu me lembro de ter lido histórias de campos de concentração e visto imagens de refugiados após serem torturados.

Fiz parte de um trabalho em um campo onde pessoas desnorteadas se amontoavam para morrer de formas diferentes, que não fosse nas mãos de militares agressivos.

Elas se amontoavam em lugares onde a água é escassa e doenças e desesperança envolviam as tendas e as latrinas imundas. Aquelas não eram condições dignas de se viver. Portanto, fiquei incomodado quando eu soube do cocktail religioso e político que estava sendo preparado durante a presidência Bush. Lembro-me de ouvir os jornalistas traçando a imagem da ameaça da fé islâmica, contra a cultura cristã americana.

Lembro-me do grande escovão que foi usado para vagamente descrever as pessoas e ideais religiosos dos quais todos deveríamos temer. Era uma foça muito bem projetada. Era o suficiente para desejarmos ativamente a guerra.

Era como um episódio de Glee. Parece que sempre me pego em certos momentos do seriado, com a esperança de que um dos personagens faça a escolha errada moralmente. Leva um tempo para perceber a manipulação que está acontecendo ali.

Aquilo me fez perceber que o uso de valores cristãos era uma estratégia primordial no ato de convencer as pessoas de que precisávamos ir à guerra. Foi um plano claramente traçado. Se você fosse um conservador fiel, obviamente você seria pró-guerra. Como isso poderia ser verdade? Era palpável a ameaça na mídia e no discurso presidencial daquele momento, que muitos engoliram. Foi assim que a música foi criada. Nós nos sentimos incomodados com a ideia de guerra. Estávamos tentando entender como aquilo se encaixava com nossos pontos de vista cristãos. Também estávamos voltados para a África e sua necessidade de medicamentos, educação, alimentos e água. Estávamos tentando encontrar um sentido naquela bagunça. A pior parte no fim das contas, foi ver que a guerra estava sendo financiada e promovida como uma guerra religiosa. Foi uma manipulação do poder concedido aos líderes de nossa nação. Eles tomaram vantagem da igreja. Eles nos falaram que temer estava certo e que tínhamos o direito de reagir com base naquele medo.

Escrevemos uma música chamada “Hero43”, que foi um comentário sobre o mau uso da linguagem torcida pelo poder e fé, que ajudaram a incitar uma nação à guerra. Até aquele momento, aquela era a nossa letra mais política. Ela julgava de acordo com a forma que julgamos honesta e apropriada. Ela teria entrado para o cd, se tivéssemos concordado que não nos importávamos se ela obscureceria o restante do cd (Good Monsters). Todo o projeto foi sobre a dualidade do coração, uma investigação do conflito inerente entre o bem e o mal, dentro de nós. Queríamos que as pessoas ouvissem as músicas daquele cd. Queríamos que ouvissem todo o projeto e não queríamos que a mídia registrasse a história desse cd, com base apenas nessa canção. Então decidimos deixá-la de fora do projeto e assim ela foi deixada na prateleira, sob poeira e sua mensagem se tornou menos revelante, até que nós mesmos nos esquecemos dela.

No entanto, muitas pessoas perguntaram se poderiam ouvi-la, logo a resposta é sim. Não mixamos a música devidamente, mas aqui está ela, em sua glória nua e crua. Ela ficará no blog por 24h, considere isso como uma chance de voltar na história."


Texto do blog www.danhaseltine.com.